segunda-feira, 14 de setembro de 2026

O Caminho da Escola

Querida Nônô,

Hoje iniciaste, com os teus colegas, mais um ano lectivo, o último deste ciclo, na escola que celebrou 40 anos de existência...a escola que tive o privilégio de inaugurar no ano de escolaridade que agora é vosso!

Tem sido uma viagem incrível iniciada aqui, com uma mudança de linha numa única estação e onde, em cada apeadeiro, entraram novos passageiros e saíram outros tantos, na esperança que o caminho da escola seja sempre o caminho da felicidade.

A próxima estação onde este comboio chegará será uma das mais importantes, será o ponto de partida para outras viagens em que cada colega escolherá a sua linha e, embora por carris diferentes, conhecerão muitos dos destinos sonhados, nalguns casos desde a infância, altura em que apanharam o comboio com a bagagem carregada de sonhos.

É sempre gratificante saber que o amor, transmitido no primeiro ciclo pelas professoras Cátia e Carlota, ficou gravado no teu coração com a mesma intensidade da frase “mais vale sobrar do que faltar” com a qual aprendeste o conceito da divisão.

Sei que a saudade que todos sentem da professora Inês é suavizada pela confiança com que classificam palavras ou dividem orações e que a ternura da professora Andreia é recordada na destreza da resolução de cada equação, porque a beleza da escola é mesmo isto, o sentimento que fica muito para além do conhecimento adquirido...

Também sei que a viagem nem sempre é do teu agrado...que te desperta mais curiosidade os diferentes tipos de fracturas ósseas do que a classificação das rochas, que os sintomas das doenças te interessam mais do que os sinais dos sismos ou tsunamis e que uma ida às urgências hospitalares é, para ti, um programa bem mais interessante do que dois tempos de história ou geografia, pelo que a tua triagem passou a ser feita na escola para não fazeres parte do número de utentes que colapsa o SNS. Dá-te um gozo bestial dizeres aos amigos que tens uma fissura no 5º dedo do pé ou veres os médicos olharem-te de soslaio quando dizes que a dor sentida irradia pela perna, na esperança que te requisitem algum exame que ainda não conheças ou cheguem ao "teu" diagnóstico. 
Tens um sonho, um sonho bastante ambicioso que, ingenuamente, julgas estar à distância do consumo compulsivo de séries sobre emergência médica mas, como é sabido, não há memória desde o tempo de Hipócrates, de algum médico ter tirado o curso sem pegar num livro...

Também tenho um sonho...que todos cheguem longe, onde só chega quem não teme descarrilar mas, acima de tudo, o que mais desejo é que, daqui a 40 anos, as vossas memórias permaneçam ligadas pelas catenárias dos diferentes carris, que todos continuem a querer reencontrar-se e, vindos dos mais variados destinos carregados com a bagagem enriquecida de memórias, se encontrem numa qualquer estação linda desta vida, talvez São Bento, onde a boa acústica faça ecoar a voz maravilhosa da vossa colega Sofia que, seguramente, brindará a chegada de todos com o concerto da sua (vossa) vida.

Por agora, desfrutem desta viagem, bem como da companhia de todos os passageiros e imprescindíveis maquinistas...aqueles a quem os pais confiam, a cada ano lectivo, a nobre missão de vos guiarem, aqueles que vos mostram um caminho ao ensinarem com paixão, aqueles que vos fazem sonhar mais alto a cada ano, aqueles que são os verdadeiros “influencers” da vidinha real, aqueles que diariamente vos inspiram para que o vosso sonho seja substancialmente maior do que serem um youtuber, Tik-Toker ou influencer, até porque estas palavras com sufixos “er” são aquelas que se espera terem caído no esquecimento durante as férias, contrariamente aos verbos em francês do primeiro grupo, como o “étudier”.
Ah, e já agora, não percam tempo a “farmar aura”, seja lá o que isso for...

Boa viagem para todos, todos, todos!

Um beijo da mãe

P.S. - Os pais seguem, todos juntos, na última carruagem

14/09/2026


Caminho da Escola


quinta-feira, 26 de junho de 2025

13 anos...oficialmente adolescente!

Querida Nônô,

Chegaste à maravilhosa etapa da vida que é a adolescência!
O apego e a segurança da infância serão gradualmente rompidos, dando lugar à independência e à responsabilidade, assim o espero!!!
Os anos que antecederam esta bela idade jamais seriam suficientes para preparar o que se adivinha...
Quero acreditar que alguma coisa foi ficando semeada no caminho até agora percorrido...seja nas mensagens que envias com carinho, informando que chegaste bem ao teu destino, ou na preocupação constante em regressares com um "souvenir" para a avó quando te ausentas.
A vida segue, mas quando vejo as minhas calças de ganga preferidas 👖"voarem" constantemente do meu roupeiro para o teu sem aviso prévio, constato que a "idade do armário" literalmente chegou e, quando reconheço os meus óculos de sol 😎 a "viajarem" pelo teu Instagram com hashtags do género "#sun&friends", sei que as amizades serão inevitavelmente cada vez mais valorizadas e influentes.
Desejo que a vida te sorria sempre tal como tu sorris para ela e que nunca percas o teu sentido de humor! 😂
Que as tuas escolhas sejam sempre acertadas para que um dia, ao olhares para trás, te orgulhes das mesmas...
Que saibas acarinhar os teus amigos e preservar as amizades desta etapa da tua vida e que, daqui a umas décadas (quatro talvez!), partilhes com eles as histórias das doces memórias que juntos irão construir...acredita que os melhores amigos ficarão para a vida toda!
Que sejas sempre grata com os colegas que se voluntariam para ajudar a "carregar" a tua mochila 🎒 nos dias menos bons e que saibas retribuir-lhes com semelhante gentileza.
Que os professores 👩‍🏫 👨‍🏫que passaram pela tua vida sejam recordados com a ternura que reflete o seu bom desempenho e que se juntem outros tantos que sejam os "influencers" da tua vidinha real...
Que o dom da oralidade (ensinamento do saudoso CAP) nunca se perca e que o teu poder de argumentação, que tantas vezes me desconcerta, te leve onde só CHEGA quem nada teme!
Por último, quero que saibas que tenho muito orgulho em ti, não por tratares os números por "tu" ou pela tua ortografia, mas por seres a miúda corajosa, destemida e determinada que, acima de tudo, tem na família o pilar da vivência.
Que a família seja sempre o teu porto seguro, onde reside o que realmente importa porque o resto, o resto, tal como na música funk que adoras ouvir e que constantemente é boicotada
"O RESTO É SÓ FÉ, SÓ FÉ, SÓ FÉ..." 🎶🎼🎵🎶🎼🎵🎶🎼🎵

Um beijo,
Mãe

26/06/2025


13 anos
13 anos...oficialmente adolescente!


                  

quarta-feira, 26 de junho de 2024

Doze anos e...um poema para ti!

Querida Nônô,

Parabéns pelo teu aniversário...hoje é dia de festa!
Chegaste à idade em que dizem muito se protesta.
Foram doze anos que voaram com tamanha pressa,
Na vida de quem sempre quis crescer tão depressa.
Para trás vai ficando um passado ainda tão recente,
Uma constante saudade do futuro tornado presente  
É o sentimento que permanece desde que nasceste
E foi sempre acompanhando o tanto que cresceste.
Para trás vai ficando também a idade da inocência,
Já se vai antevendo o que será a dita adolescência...

Dizes que sou a mãe chata que um dia descrevi aqui
Mas sabe que, a cada dia, sinto o maior orgulho de ti,
Não pelo mérito de um qualquer “cem” a matemática
Ou pela facilidade com que acertas toda a gramática,
Mas antes por trocares tudo por uma reunião familiar
Pois dizes “a família está sempre em primeiro lugar”.
Peço a Deus que te proteja em cada regresso a casa,
Principalmente quando sais debaixo da minha asa...
Para trás vai ficando um passado ainda tão recente
E mais o inexplicável medo que só quem ama sente.

És quem desarma pelo forte poder de argumentação
E o teu sentido de humor alegra qualquer "dia de cão”.
Tens a graça duma sensibilidade que todos enternece,
Mas também a teimosia que qualquer um enlouquece.
Há quem diga que é só uma questão do herdado feitio,
Prender a tua atenção é sempre um grandioso desafio. 
Conseguir o teu foco é seguramente o maior objectivo
E "afinas" com quem ousa não te tratar pelo diminutivo.
Dizes que sou a mãe chata que um dia descrevi aqui
Mas sabe que, a cada dia, cresce o meu amor por ti!...

Um beijo da mãe 

26/06/2024



PARABÉNS!

domingo, 5 de maio de 2024

A mãe é chata!

A mãe chata é o pesadelo de qualquer criança ou adolescente, cujo maior sonho seria ter uma mãe fixe...
Existe uma espécie de padrão, pois quem foi educado por uma mãe chata tende a transformar-se numa mãe fixe e quem recebeu ensinamentos duma mãe fixe converte-se, invariavelmente, numa mãe chata.
No entanto, há quem diga que qualquer adulto bem sucedido teve uma mãe chata a educá-lo... queiramos acreditar que sim!
A mãe chata, assim que detecta o primeiro dentinho de leite, já está de escova de dentes em riste e, daí em diante e até os filhos atingirem a maioridade, põe a tocar o single cuja faixa A é o tema “Vai lavar os dentes!” e a faixa B tem a versão ”Já lavaste os dentes?” e, na dúvida, recorre ao seu faro apurado para certificar-se que o dentífrico foi usado.
A mãe fixe é o doce em pessoa e, como tudo o que quer é ver as crianças felizes a qualquer custo, permite o consumo de açúcar em barda para os níveis de serotonina das criancinhas estarem sempre em alta e ninguém se revoltar com a vidinha, evitando assim qualquer crise existencial.
A mãe fixe mantém-se sempre "zen", conseguindo meditar até mesmo no meio do caos, já a mãe chata vai tentando impor a regra e a disciplina a muito custo, elevando os decibéis da sua voz.
A mãe fixe adora fotografar-se acompanhada das filhas, mais parecendo idolatrarem os Rolling Stones porque insistem em mostrar as respectivas línguas ao mundo (vá lá saber-se a razão!) e também participa activamente nos vídeos que as miúdas partilham no TikTok, sempre acompanhados de hashtags #mummycool#melhoresamigas#manas#BFF#adolescentes.
Já a mãe chata, só de ouvir falar em tal rede social, fica com tamanha náusea que mais parece ter-lhe sido administrada uma dose de tramadol por via endovenosa.
A mãe fixe tem a mesma "playlist" da filha e ouvem frequentemente funk brasileiro, o qual dominam na perfeição. A mãe chata comunga da opinião que o pior erro português foi a descoberta do Brasil em 1500, pelo que censura, embora ingloriamente, tudo o que é consumido oriundo do país "irmão".
A mãe chata obriga as criancinhas a saberem o teorema de Pitágoras na ponta da língua, mesmo sabendo de antemão que irão utilizá-lo uma vez na vida ou, com sorte, talvez duas! Também não descansa enquanto os filhinhos não conjugam correctamente os verbos em todas as suas flexões, formas, modos, pessoas e números, expressando uma inexplicável alegria quando as mesmas conseguem enunciar a segunda pessoa do plural no presente do conjuntivo de um qualquer verbo. E quando recebem um whatsapp da descendência, passam a pente fino a ortografia, mais parecendo um corrector automático.
Para a mãe fixe, o mais importante são as artes e consegue ver um pequeno artista onde mais ninguém vê, mas interessa-se sobretudo por uma parte da história de Portugal, impingida de um modo autista nos manuais escolares e rejubila de orgulho quando vê os seus meninos, já bem crescidinhos, ingerirem cevada sob a forma de litrosa e fumarem erva enquanto entoam o “Grândola vila morena” num 25 de Abril qualquer...
Mas curiosamente, é a mãe chata que é frequentemente catapultada para uma alta patente das forças armadas com distintivos como “generala”, “coronela”, “sargenta” ou “capitã”.
A mim coube-me em sorte o título (atribuído pela minha própria filha) de “Gerente Disto Tudo”, GDT portanto, e não sei se foi influenciada pelo GGG (Grande Gigante Gentil) que a criança andava a ler ou pelo DDT (Dono Disto Tudo) de quem ouvira falar...
Sei, isso sim, que fiquei a reflectir sobre o assunto, não por eu aspirar a uma qualquer divisa militar, mas por pensar que a minha própria mãe não foi suficientemente chata, porque se o tivesse sido, em vez de Gerente Disto Tudo (GDT), talvez pudesse ter sido DDT como o outro, o que seguramente me daria muito mais rendimento e, acima de tudo, menos trabalho e preocupação...

Feliz Dia da MÃE (à chata, à fixe e, sobretudo, àquela que nos ama incondicionalmente!)

Ana Pádua
05/05/2024

segunda-feira, 26 de junho de 2023

11 anos e felicidade a dobrar...

Foi dia de cantar os Parabéns à Nônô e foi a primeira vez que o seu bolo de aniversário teve a repetição do mesmo número, o que significa a entrada na pré-adolescência e o caminho a passos largos para aquela idade em que não se sabe nada mas julga-se saber tudo!
Foi também o dia de receber as notas finais e foi, sem dúvida, a maior recompensa de todo o esforço e dedicação no ano de todas as mudanças...mudança de ciclo, de escola, de horários, de ritmos, de rotinas, de hábitos e de método de estudo!
Por entre testes e mais testes, questões de aula e provas de aferição, houve algo que se tornou um ritual, uma espécie de amuleto...um bilhetinho de boa sorte colocado estrategicamente na sua mochila e que foram coleccionados e guardados com tanto carinho que ficaram imortalizados num quadro...e foi o presente mais apreciado!
No ano em que conheceu tantos professores e onde alguns já se tornaram os seus "influencers", especialmente a professora a quem carinhosamente chama "Coraçãozinho" e com quem descobriu que os "primos" também podem ser números e, por entre fracções e tantas outras operações, potências e sequências, medição de ângulos e semelhança de triângulos, há uma ciência chamada MATEMÁTICA, importante demais para não ser amada...
As CIÊNCIAS NATURAIS foram agradáveis de estudar...o solo, as rochas e os minerais, mais as propriedades do ar e da água e, por fim, os adorados animais!
O INGLÊS aprendido vai dando para comunicar e quando se ouve da Nônô um "Can I?", já se sabe que há um "bife", pouco contente, a largar o usufruto de algum pertence...
A HISTÓRIA, que tantas vezes a fez bocejar, foi a disciplina que mais teve de "empinar", desde importantes conquistas aos castelhanos, aos muçulmanos e mais aos romanos. Por entre datas relevantes e tantos reis, o D. Dinis foi o único por quem nutriu alguma simpatia, talvez por muito ter feito por Portugal e ter declarado o português como língua oficial...
O PORTUGUÊS nunca foi descurado, mas um dos livros de leitura obrigatória foi logo censurado! É que "A mulher que matou os peixes", como se não bastasse estar traduzido com aquele "sotaque" que o Costa lamenta não termos adoptado, tem página após página, uma escritora a exterminar tudo o que é animal...
Em casa, a Nônô não permite que se extinga mosca, melga ou mosquito, o que leva uma pessoa a ter comportamentos que jamais considerou razoáveis, mais parecendo a minha avó que não matava uma formiga...teme-se seriamente que venha a querer filiar-se no PAN, ou pior ainda, que se torne membro do IRA...

Parabéns querida Nônô e que sejas sempre feliz, muito feliz...com a liberdade para poderes "voar" e a segurança de ao "ninho" saberes regressar!

Ana Pádua
26/06/2023


11 anos

o presente mais apreciado




quinta-feira, 30 de junho de 2022

Foi dia de celebrar o final deste ano lectivo e, apesar da saudade que inevitavelmente todos nós já começámos a sentir, reconforta-nos saber que o portão da escola que um dia escolhemos para os nossos filhos permanecerá sempre aberto para os receber...
Foi num misto de emoções que hoje estes meninos encerraram um ciclo (talvez o mais marcante em termos de escolaridade!) e, se por um lado levam em si todos os sonhos dum futuro promissor, por outro levam muitas histórias e memórias da escola onde foram verdadeiramente felizes.
Gostaríamos de agradecer a todos aqueles que fizeram parte da vida destes alunos (hoje finalistas!) ao longo de todos os anos em que frequentaram o CAP que, mais do que uma escola, foi sempre um porto seguro.
Foi aqui que muitos deles deram os primeiros passos e aprenderam tantas palavras, onde tiveram muito colo e fizeram os primeiros amigos e mais tarde também acolheram todos aqueles que com eles iniciaram ou foram integrando o seu percurso escolar.
Foram anos inesquecíveis de crescimento e aprendizagem e seremos eternamente gratos à Cátia que os ensinou a ler e os incentivou a, sem erros, escrever! Aprenderam a somar, a subtrair, a multiplicar e a dividir e tiveram tantos outros ensinamentos que certamente lhes serão úteis pela vida toda…representaram, opinaram e escutaram, apresentaram projectos e tornaram-se seguros em tantas valências e perante muitas audiências!
Agradecemos também à Carlota que os conduziu durante parte da pandemia inesperada e pôs-lhes na ponta da língua toda a tabuada!
Jamais esqueceremos toda a dedicação que recebemos durante o período escolar de maior incerteza, bem como recordaremos com especial ternura todas as peripécias das aulas on-line e outras que tais e nos tornaram mais conectados do que nunca enquanto pais!
Ainda passámos por um período de transição, onde mesmo com máscaras e distanciamento social, nunca faltaram sorrisos com os olhos e abraços com o coração!
Ao longo dos anos, os meninos puderam desenvolver a sua criatividade com a ajuda da Elsa, da Filipa, da Teresa, da Carla e mais tarde da Joana. Tornaram-se artistas pelas mãos da Manuela, afinaram as vozes com a Juliana e movimentaram o corpo com a Ivania. O desporto ficou a cargo do João e, para além de bem trabalhado o português, a Filipa ensinou-lhes outra língua, o inglês!
Estamos igualmente gratos à Edite, à Carla e à Zé do Ó, a quem se juntou também a Guidó, e a todas as auxiliares sempre disponíveis para solucionar qualquer questão e mais à Rosário que fez a comida que jamais esquecerão!
O nosso obrigado à Ana Margarida que nos permitiu conhecer esta casa e esta família e há 4 anos garantiu a continuidade do projecto educativo em que um dia todos nós confiámos e acreditámos.
Muito obrigada a todos os elementos do CAP e muitas felicidades a todos os meninos que hoje terminaram o 4o ano e, independentemente do caminho que seguirão, que o CAP permaneça sempre no vosso coração!


Ana Pádua
30/06/2022

Recordaremos para sempre o CAP

Parabéns Nônô!

                

Recordação acantonamento CAP

a nossa música

domingo, 26 de junho de 2022

10 anos...PARABÉNS!

Hoje a Nônô completou 10 anos e uma espécie de adolescência precoce começa agora!
Iniciam-se, assim, aqueles 2 anos que medeiam a transição entre a infância e a adolescência propriamente dita e, se por um lado ainda adora peluches e todo um universo infantil, por outro é fascinada por maquilhagem na mesma medida em que adora jogar futebol...e é esta e outras dualidades que marcarão esta fase do processo denominado CRESCER!
Será a idade em que transitará de ciclo de escolaridade, que mudará de escola, que fará novas amizades e que começará, inevitavelmente, a sentir saudades...
Será a idade em que algum do seu "feitiozinho", nomeadamente a teimosia e o gosto por mandar, será o mesmo que nos próximos tempos, conjugará o verbo "desafiar"...
Será a idade em que ainda requisitará muito colo e protecção em casa mas, em surdina, irá sonhar com o bater da asa...
Será a idade de querer os privilégios da infância e, simultaneamente, do futuro terá ânsia...
Será a idade de construir uma identidade, embora da infância leve parte da personalidade...
Será a idade de um estilo próprio começar a definir e do passado tão recente custará a sair...
Será a idade da mudança mas onde se espera que continue a habitar a criança...
Será a idade de testar os limites da paciência e valha-nos alguns anos de experiência!
Parabéns querida Nônô! Que o teu sorriso permaneça e que a magia da infância nunca despareça...

" A mãe Natureza é providencial. Ela da-nos uns anos para desenvolvermos um amor incondicional pelos nossos filhos antes de transformá-los em adolescentes" -William Galvin-

10 anos...PARABÉNS!


Ana Pádua
26/06/2022

sexta-feira, 17 de setembro de 2021

A caminho da escola (parte 4)

Começou definitivamente mais um ano escolar e a Nônô iniciou o 4º percurso da viagem que começou aqui, seguiu por aqui e depois por aqui e, como será o último ano que frequentará o mesmo estabelecimento de ensino que desde cedo conheceu, foi com uma espécie de saudade imensa dum futuro próximo que hoje foi a caminho da escola...
Será também o último ano do final de um ciclo, considerado por muitos o mais importante na história da vida e no qual se vão construindo sonhos, edificando memórias, selando amizades, consolidando aprendizagens e ficando inevitavelmente com a referência daqueles que ensinam com paixão. 
Têm sido anos intensamente vivenciados por todos os que embarcaram nesta viagem há 3 anos atrás e, a cada percurso, a têm tornado inesquecível; são uma verdadeira equipa construída com o mérito das professoras que jamais serão esquecidas e que os acompanham neste desafio designado ensino e num outro maior denominado crescimento. 
Mesmo quando chegaram tempos de incerteza, foi a escola que nunca permitiu que a angústia ensombrasse as vivências, que o medo fosse uma constante na vida das crianças ou que as rotinas instituídas desaparecessem por completo, como seja a celebração do aniversário de cada aluno (obrigada Rosário por todos os "mimos" confeccionados com tanto amor e, ao que consta, terão sido os melhores bolos desta epopeia!).
E hoje já se sentiu saudades de tudo...das histórias que vivemos, das peripécias das aulas on-line, das "graçolas" de cada criancinha, do carinho das auxiliares, do empenho das educadoras, da empatia das professoras e até do último projecto de Verão...o deste ano foi feito com um entusiasmo especial por ser sobre um local de eleição a Sul, a Casa Chico Zé, onde invariavelmente acabamos as férias e onde é sempre captada a fotografia da praxe antes do regresso às aulas...
Na impossibilidade dos alunos ficarem todos "retidos" ou seguirem pelo mesmo trajecto no próximo ano, só resta mesmo aproveitar cada momento deste último troço!
O trolley com que a Nônô iniciou o seu percurso escolar foi finalmente substituído por uma mochila que se espera continue a ser enriquecida com toda a bagagem imprescindível para o próximo destino...

Boa sorte Nônô e restantes colegas e que o caminho da escola prossiga no caminho da felicidade! 🍀

Ana Pádua
17/09/2021

caminho da escola

a caminho do 1º ano

a caminho do 2º ano


a caminho do 3º ano



a caminho do 4º ano



















o projecto de Verão

quinta-feira, 24 de junho de 2021

9 anos...e o grito do Ipiranga!

Hoje a Nônô festeja o seu 9º aniversário e, sem avisar, metade do caminho até à maioridade já foi percorrido!
A magia e a inocência da infância começam a ficar para trás e a crença nalgumas entidades queridas que davam um jeitão, como a fada dos dentes, o pai Natal e mais o coelho da Páscoa fazem parte dum passado, que embora tão recente, já deixa uma saudade imensa...reconforta saber que povoaram o seu imaginário durante vários anos (mais do que à partida seria espectável) e foram heróis de inúmeras histórias recordadas com carinho e protagonistas de muitas vivências que foram ficando registadas na sua memória.
Por outro lado, o mundo encantado das princesas nunca a seduziu e sempre teve, isso sim, um pequeno fascínio pelo desporto rei e, como frequenta um ano maioritariamente formado por rapazolas, as únicas três meninas da turma tiveram de lutar pelo seu lugar ao sol no mundo do futebol...não há semana em que as canelas fiquem isentas de hematomas, as mãos e os joelhos se salvem de ficar esfolados e não se contabilizem dois ou três pares de calças rasgadas, mas a destreza com que manuseia a bola e finta o adversário, valeu-lhe entre os amiguinhos das férias de Verão, o título de LR7.
Mas a bela idade que hoje celebra, significa o final de um ciclo e o começo de outro e carrega todo um sentido de esforço no desafiante processo de crescimento. Assumir responsabilidades e entender as leis da vida, como a sua finitude, causam ansiedade e inquietação, mas simultaneamente são fundamentais para o desenvolvimento da coragem e da determinação.
A independência e a autonomia, indiscutivelmente apreciadas, tornam-se cada vez mais evidentes. É a idade da afirmação, do pensamento crítico, da argumentação e, como se por si só isso não bastasse, a escola ainda incentiva os meninos a serem interventivos, pelo que as criancinhas têm uma opinião sobre qualquer tema e uma palavra a dizer sobre qualquer assunto, com tudo o que isso tem de bom e de menos bom...
A par disto, não há gancho, laço ou elástico que se aguente mais de um minutos na sua cabeça (geralmente é o tempo de conseguir uma fotografia!), pois a liberdade que reivindica para o seu cabelo é equivalente aquela, que em surdina, vai tentando conquistar...
Em Abril passado, lá deve ter visto nalgum calendário (daqueles que assinalam tudo, mesmo o que queremos esquecer!) uma data que lhe sugeriu liberdade e lembrou-se de começar a reclamar uma certa anarquia para esse dia, pelo que houve necessidade de lembra-la que, por casa, ainda vigora o antigo regime...
É sabido que o dia da revolução há-de chegar, não a dos cravos, mas talvez a das hortenses, que adoramos e que, por sinal, florescem em casa da avó Nhõnhõ nesta época do ano, mas até esse dia chegar, há que aproveitar cada fase desta nova idade que se antevê tão fascinante como desafiante...

Parabéns querida Nônô e que o teu dia seja tal e qual como sonhaste!

Ana Pádua
26/06/2021

9 anos...

...e o grito do Ipiranga!

a sair da "toca"

tudo isto e muito mais!



segunda-feira, 31 de maio de 2021

Uma viagem de descoberta...

O último fim-de-semana era aguardado com entusiasmo desde que surgiram os primeiros rumores que o desconfinamento estava eminente e a vida voltaria a uma certa normalidade.
Assim, no passado Sábado, a Alcateia 729 Cascais partiu para o seu primeiro acampamento e foi gratificante retomar as rotinas do agrupamento. O comportamento exemplar dos lobitos é indiscutivelmente o reflexo da atenção, carinho e empenho com que os "chefes" planeiam cada actividade,
A Nônô sempre nutriu grande simpatia pelas suas catequistas, que com as suas vozes doces, serenas e meigas repetem constantemente a frase "vamos falar de Jesus, Maria e José", mas depressa teve de se adaptar ao escutismo regido pela ordem e disciplina militar, onde o grito "BANDO BRANCO DA MELHOR VONTADE, DA MELHOOOOOR VONTADE!" ecoa a quilómetros de distância...
Foi um fim de semana longe de tecnologias, de solicitações e de convites para aniversários ou festas do pijama e, destas últimas, nem se quer ouvir falar! Já era espectável que, mais dia menos dia, um convite destes surgisse, mas o que não se esperava é que a primeira festa do pijama para a qual a Nônô estivesse convidada, se realizasse em casa dum amigo e não duma amiga! Não sei porque é que o rapaz, ao invés de convidar uns pares com a sua identidade de género para passarem um serão a jogarem fortnite ou minecraftresolveu infernizar a cabeça da sua própria mãe até conseguir persuadi-la a convidar duas amigas. Por sorte, o pai da outra amiguinha convidada é do tipo "pandémico" e, alegando o COVID, cortou logo o "barato" da criançada e o assunto ficou logo ali encerrado, até porque o evento mais parecida com uma festa do pijama permitido à Nônô, foi mesmo a pernoita num acantonamento na sede dos escuteiros, há dois anos atrás.
Desta vez, a excitação foi grande com a preparação da mochila, onde não poderia faltar o saco cama e mais o colchonete, o pijama e alguns produtos de higiene, o bloco de campo, a caneta, o chapéu e o imprescindível protector solar, os mantimentos para a estadia e o cantil da água, sem nunca esquecer a máscara e o álcool-gel.
No regresso vieram as histórias de muita animação e da confraternização possível, da aprendizagem e da introspecção desejada, das caminhadas pela mais bela vila que culminaram com um peddypaper comemorativo dos 40 anos do agrupamento.
E no final ficam sempre as memórias das experienciadas vivenciadas, o que leva cada criança a sonhar, projectar e apreciar este mundo, o que contribui para a construção da sua personalidade fortemente marcada pelo sentido da vida em comunhão com os outros e com a natureza.
O escutismo, mais do que uma actividade ou um modo de vida, é uma viagem de descoberta...e que venham muitas mais!

Ana Pádua
31/05/2021

uma viagem...




...de descoberta!


o merecido descanso

40 anos do agrupamento

sábado, 13 de março de 2021

Há um ano a ver o mundo de outra maneira...

Foi precisamente há um ano que tudo mudou...a pandemia já tinha começado há uns meses e já ameaçava Portugal há umas semanas, mas foi no dia 13/03/2020 que as escolas encerraram.
Recordo a sensação quando, naquela sexta-feira, fui buscar a Nônô à escola e não me cruzei com ninguém, lembro-me do olhar incrédulo da directora e, acima de tudo, a tristeza que senti quando vi todos os manuais escolares colocados em cima das mesas da sala para serem ordeiramente recolhidos pelos alunos, num pleno sinal que iriam ficar em casa por um tempo indefinido...
O fim de semana seguinte foi pautado pela angústia (que aumentava com as imagens aterradoras que entretanto chegavam de Espanha e de Itália) e pela incerteza dum futuro próximo que somente foi apaziguada na 2ª feira seguinte quando recebemos uma planificação de como seria, dali para a frente, uma parte tão importante da nossa vida. Rapidamente percebemos que iríamos embarcar nesta viagem por tempo indeterminado e, o que inicialmente seria uma mera travessia entre as margens dum rio, transformou-se numa viagem longa em mar alto, mas onde pudemos contar com uma navegação sempre segura com a mestria da Carlota e, posteriormente da Cátia, que uns meses mais tarde, ancorou o nosso barco em bom porto. Foi uma aventura, da qual saímos indiscutivelmente diferentes, pela aprendizagem que nos proporcionou, pelos laços que criámos, pela interajuda que experienciámos e jamais esqueceremos a emoção vivenciada na última aula pelo dever cumprido...foi tão bom!
Pelo meio aprendemos a lidar com uma nova normalidade e o maior desafio foi manter a razoabilidade para que as crianças pudessem continuar a ter uma infância feliz em que o medo não pautasse o seu desenvolvimento; vimos sonhos suspensos e planos adiados; tentámos manter o foco e alimentámos a esperança; desfrutámos como nunca da vista da varanda; descobrimos maneiras de celebrar a Páscoa, os aniversários, o Natal e tantas outras festividades nos mais variados formatos; fomos confrontados com o histerismo de uns e com o facilitismo e os (in)consequentes comportamentos de outros e fomos sobrevivendo por entre os "covidados", os confinados (com alguns "covideiros" à mistura que chegam a recear a própria sombra e são mesmo capazes de visualizar vírus na vedação dos burros lanudos da quinta do Pisão!), os inconformados (cujas lamúrias são uma constante e vivem aprisionados num passado recente que dificilmente se repetirá), os revoltados (para quem a culpa é de todos menos deles próprios e atiram pedras em todas as direcções que geralmente lhes caiem em cima) e ainda os que julgam que estamos todos a ser manipulados (fervorosos adeptos da teoria da conspiração e com a mania da perseguição), os mesmos que garantem que o homem não foi à Lua e que o 11 de Setembro não aconteceu e passam a vida a gritar ao mundo para acordar e a chamar ovelhas aos próprios amigos...um mimo!
Em Setembro veio o regresso à querida escola, um pouco diferente do que sempre conhecemos, mas igualmente bom, porque apesar das contingências, o essencial estava lá...o amor, a dedicação, a segurança e a confiança que são determinantes para que as crianças continuem a crescer sem dramatismos e receios. Não se observaram pais aglomerados no portão do estabelecimento de ensino nem pendurados na vedação, não se ouviram murmúrios ou lamentações, não houve julgamentos nem perseguições, mesmo quando os mais distraídos, onde me incluo, se esqueciam da máscara e improvisavam com o que tinham à mão!
Já no decorrer deste ano lectivo, voltámos a embarcar noutra viagem, com diferente rota e outro destino, mas onde pudemos contar novamente com a organização, disponibilidade e paciência da professora. Sou grata à Cátia, não só pelo empenho, mas pela serenidade que transmitiu em cada aula e reconheço que, nem praticando meditação todos as manhãs e ingerindo umas quantas benzodiazepinas ao pequeno-almoço, em tempo algum eu conseguiria manter tamanha calma, que reconheço ser fundamental e transmitir a segurança necessária para toda a tripulação acreditar que chegará onde só chega quem não tem medo de naufragar...
Por muito que possamos apreciar o ensino à distância, as expectativas nunca poderão ser semelhantes às do ensino presencial, pois a motivação, a concentração e o interesse jamais serão equiparáveis e, por isso, o tempo urge porque os danos causados no ensino serão difíceis de reparar e é importante as crianças voltarem rapidamente a um certo ritmo de aprendizagem, até porque já se percebeu que o país carece de médicos e de outros profissionais de saúde em geral e não de youtubers ou influencers em particular.
Tal como aconteceu o ano passado, este ano a Nônô também frequentou o ensino presencial até ao último dia em que o mesmo foi possível porque sempre acreditei que a escola é e continuará a ser um lugar seguro. Assim, aguardamos ansiosamente que na próxima semana a escola reabra novamente as suas portas que, efectivamente, nunca se fecharam e mantiveram-se sempre entreabertas, pelo menos foi assim que, ao longo do último ano, imaginei e senti...

Ana Pádua
13/03/2021
a ver o mundo de outra maneira...

segunda-feira, 1 de março de 2021

Uma mentira, mil vezes repetida...

Quando há alguns anos atrás, a Nônô recebeu o seu primeiro peixinho de estimação, ninguém imaginava a saga que se avizinhava. Nesse tempo, a fada dos dentes deixou em nossa casa um lindo aquário com um peixinho laranja que a Nônô baptizou de Leonardo e pelo qual se responsabilizou desde logo, não havendo dia em que a prioridade ao acordar fosse outra senão alimentar o animal e certificar-se que a fauna aquática estava fina...
Ao longo dos anos, toda a magia que envolve a fada dos dentes, o pai Natal e mais coelho da Páscoa foi conseguindo sobreviver aos colegas mais velhos e aos espertinhos do costume e, apesar de já ninguém tentar convencer a Nônô que os bebés vêm no bico das cegonhas, até porque um dia já a ouvi dizer que eram "histórias", há um tema que sempre se revelou de difícil abordagem, a morte. É certo que faz parte da vida e que, a partir dos 3 anos, as criancinhas começam a ter essa consciência e percepção, mas a minha convicção (por mais errada que possa estar) é que as crianças tem a vida toda para aprenderem a lidar com o mais profundo sentimento de perda, por isso, sempre me incomodaram as pessoas que estão sempre a abordar o tema com os mais pequenos.
Posto isto e, apesar desse peixinho ter vivido um tempo considerável e até ter sobrevivido a um autêntico milagre, um dia teve o seu fim e a lei da vida conheceu uma outra "verdade"...
Apressadamente foi substituído por outro peixinho laranja e para que a Nônô não se apercebesse que o Leonardo II não era exactamente igual ao Leonardo I, a fada dos dentes também adquiriu outro exemplar, mas de coloração branca e laranja para que, no meio do milagre da multiplicação dos peixes, qualquer diferença passasse despercebida. Ao peixe bicolor foi-lhe atribuída uma identidade de género diferente e a Nônô chamou-lhe Leonarda e rapidamente desposou o Leonardo II e, posteriormente a fada dos dentes ainda trouxe mais um peixinho que seria o filho de ambos, o qual recebeu o nome de Estrelinha e, assim, estava criada a bela da "happy family"...
O problema começou porque na semana em que não quinava o pai, quinava a mãe, já para não falar das alturas em que o genocídio era completo e, como nalguns casos, era impossível a sua atempada substituição, os peixes começaram a "hibernar"... 
As hipotéticas causas de tão elevada mortalidade foram minuciosamente escrutinadas, desde a quantidade de comida oferecida aos animais até ao tipo de água colocada no aquário, passando pelos filtros e mais anti-calcários usados e até pelas pedras do decor que foram eliminadas e davam imenso jeito para dissimular a "hibernação". Conheci tudo o que é loja de animais num raio de 50 quilómetros e o pior é que nem sempre conseguia encontrar peixes disponíveis do pé para a mão, pelo que o período de "hibernação" era variável...
Lembro-me que infelizmente um dos peixes resolveu "hibernar" num dos aniversários da Nônô e aí vi a vidinha a andar para trás, porque tinha uma das criancinha convidadas a gritar que estava um peixe morto no aquário (e eu a apetecer-me dar-lhe um tapa na boca!), a Nônô a tentar explicar-lhe que o peixe estava a hibernar e, enquanto eu ultimava os preparativos para a festa possível que coincidiu com o encerramento do último ano lectivo por videoconferência, tive que tratar das exéquias fúnebres do animal...um filme!
Claro que o problema adensava-se a cada dia porque a Nônô, que presta atenção a todos os pormenores, começou a reparar que os peixes que voltavam da "hibernação" estavam mais magros ou mais pequenos ou com as barbatanas e cauda diferentes ou, no pior dos cenários, com uma pigmentação diferente daquela que sempre tinham ostentado, pelo que a "hibernação" passou a ter estes inexplicáveis fenómenos! Eu perdi a conta aos peixes que comprei e só sei que todo o investimento na nossa piscicultura dava, no mínimo, para saborear um belo robalo ao sal com vista para o mar do guincho...
E foi precisamente numa das semanas em que o genocídio foi total que me dirigi a uma das lojas de animais e deparei-me com três peixes imersos num aquário com uma água escura como breu que mal dava para lhes ver a cor...eram exemplares únicos: um podia ser o Leonardo porque era laranja, o outro assemelhava-se à Estrelinha que também atirava para essa tonalidade, agora a Leonarda que em todas as suas vidas tinha sido branca e laranja, passaria forçosamente a ser preta e branca! Paciência, eram exemplares únicos e estavam ali para serem resgatados até porque, se num passado recente nem sempre era fácil encontrar peixes, agora, em plena pandemia, a missão era quase impossível!
Peguei nos três peixes e na água turva na qual vinham imersos e foi tudo para dentro do aquário e lembrei-me que o peixe que conheci que mais tempo viveu, pertencera ao meu irmão Zé que garantia que só o alimentava uma vez por semana (quiçá, uma vez por mês!) e que o animal se orientava a ingerir o fitoplâncton (vulgo verdete) que proliferava no seu aquário. Desde esse dia, a higienização do habitat piscícola deixou de ser prática corrente, limitando-se a uma substituição parcial da água de tempos a tempos e, até ver, a "hibernação" deixou de ser uma constante.
A questão parecia estar controlada, mas o problema tornou-se viral quando a Nônô resolveu dizer na escola que os seus peixes hibernavam e, de vez em quando, lá vinha para casa dizer que alguns colegas tinham perguntado aos pais que negavam tão inusitado fenómeno e eu respondia sempre que os pais dos coleguinhas não eram veterinários e, por isso, não percebiam nada do assunto...mas como o modelo pedagógico do estabelecimento de ensino que frequenta, incentiva a aprendizagem através da pesquisa, da descoberta, do diálogo e da interpelação, sem me aperceber, os peixes da Nônô passaram a ser objecto de estudos intensivos e investigações científicas, quase a serem alvo de visitas de estudo guiadas ao aquário.
Numa bela manhã, ainda antes das crianças ficarem em casa no ensino à distância, enquanto encaminhava a Nônô para a sala de aulas, fui interceptada por uma das suas professoras que me perguntou se os exemplares da Nônô pertenciam a alguma espécie rara de peixes, já que nas pesquisas efectuadas tinham descoberto uns espécimes que talvez pertencessem à mesma família que, entretanto, se tornara famosa pela "hibernação". Mais tarde, já no confinamento, outra das professora voltou a abordar-me por telefone com o mesmo assunto...
Não sei se andaram a estudar a fauna aquática que se faz de morta para evitar ser predada ou se andaram a analisar o metabolismo basal das carpas no tempo mais frio, mas enquanto eu explicava a verdade da razão escondida na mentira da tão controversa "hibernação" dos peixes da Nônô, só me ocorreu um pensamento...
Uma mentira, mil vezes repetida...quase se torna verdade!

Ana Pádua
01/03/2021

Leo&company

segunda-feira, 28 de setembro de 2020

A promessa... ✌️

E finalmente chegou o dia que ansiosamente aguardávamos desde Março...de tudo aquilo que a pandemia forçosamente adiou, talvez a promessa dos escuteiros tenha sido o que mais dificilmente tivemos de aceitar.
A semana em que o mundo mudou e começámos a viver uma outra realidade coincidiu com a semana que há muito tínhamos sonhado e planeado e que culminaria num fim-de-semana memorável. Lembro-me bem da frustração que sentimos naquele momento e, nessa altura, estávamos longe de imaginar os meses de incerteza e de resiliência que se seguiram...
Num ano tão diferente do idealizado, esta foi a melhor resolução...proporcionou novas amizades e alguma socialização, incentivou o contacto com a natureza e o exercício físico, fomentou a ordem e a disciplina, ensinou a respeitar regras e hierarquias, incutiu patriotismo e respeito pelos símbolos nacionais e, acima de tudo, contribuiu para uma aprendizagem baseada na partilha e na interajuda. 
Nunca esqueceremos o empenho da Rita, a organização do João, o carinho da Mafalda e a simpatia do Pêpê (entre tantos outros!) que nunca descuram a segurança e protecção dos mais novos, mas simultaneamente estimulam a sua independência e autonomia a cada jornada e, sem dúvida, fazem a diferença num agrupamento onde o companheirismo e o altruísmo são a melhor bandeira...talvez por isso, no meio de tanto distintivo e insígnia com que temos aprendido a lidar, aquele que nos enche de orgulho pelo que representa é mesmo o distintivo do agrupamento, neste caso, o 729-Cascais!
O dia de ontem foi marcado pelo encerramento do ano escutista com uma celebração linda que, para os lobitos, teve um sabor especial pela solenidade do momento. 
Foi uma cerimónia diferente, mas nem as máscaras colocadas nos rostos de todos os presentes esconderam os sorrisos de felicidade, nem o distanciamento social impediu que sentíssemos o afecto de todos os que abraçam este movimento.
Que o lenço amarelo recebido, que simbolicamente representa o sol, continue a iluminar a vida de todos os lobitos e que continuem a crescer uns com os outros e para os outros...

✌ Alerta, sempre alerta para servir! ✌

Ana Pádua
28/09/2020



orgulho

a entrega do diploma



felicidade





o diploma

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

A caminho da escola (parte 3)

Hoje iniciou-se mais um ano lectivo e, com ele, o 3º troço dum caminho que começou aqui, já passou por aqui e também por aqui e que, seguramente, seguirá o rumo que desejamos.
O entusiasmo do regresso às aula não foi o desejado, não pelo receio da pandemia nem pelas contingências impostas, mas porque a Nônô tornou-se grande adepta das medidas adoptadas pelo Costa num passado recente e queria continuar no ensino à distância. À excepção de dois coleguinhas de quem realmente tinha saudades, do resto nem queria ouvir falar! Pior, ao longo destes infindáveis 6 meses, a cada passagem de carro em frente ao estabelecimento de ensino que frequenta, ordenava que se acelerasse e, nos últimos dias de férias, ainda se atreveu a dizer que em anos anteriores era frequente ter ataques de tosse e séries de espirros na escola e, antes que tivesse alguma ideia menos feliz, foi incentivada a escrever uns textozitos sobre a maravilhosa escola, o desejado regresso às aulas e a felicidade dos reencontros.
A Nônô não está habituada a grande alarido à volta do COVID e tem o seu próprio sentido crítico em relação à pandemia e mais ao histerismo de certas pessoas e seus (in)consequentes comportamentos. Distrai-se com a criatividade de certos EPIs, entretém-se a contabilizar condutores de máscara e diverte-se a relatar alguns episódios que a intrigam, como é o caso do seu último passeio no parque, na companhia de um amiguinho e da sua coelha Oreo. Nesse dia, enquanto andavam de bicicleta, foram surpreendidos por uma criatura que, ora praguejava, ora esbracejava, ora andava em círculos de braços abertos, mais parecendo um Border Collie a controlar um rebanho, o que até é uma imagem enternecedora, não fosse o seu "rebanho" reduzido a uma companheira de máscara na mandíbula e mais uma cria de tenra idade colocada sobre um daqueles aparelhos usados pelos adultos para se ginasticarem. A situação já era suficientemente caricata, mas piorou substancialmente quando a criatura começou a indignar-se com a Oreo e, pior do que isso, chamou-lhe "porcaria de coelho", o que para a Nônô é ofensivo, não só pelo adjectivo usado, mas porque exige que tratem o seu animal de estimação pelo nome próprio e, em caso algum, admite que lhe troquem a identidade de género! Aí, a Nônô ficou mesmo irada e só não atacou o "rebanho" e mais o "cão" pastor por causa do distanciamento social...
Hoje, o ano escolar começou de um modo muito diferente...há restrição das entradas na escola, há contenção na expressão dos afectos, há percursos assinalados no chão, há obrigatoriedade de máscaras para professores e auxiliares, há horários alargados e intervalos mais curtos, há regras sanitárias e planos de contingência, mas também há amor, há dedicação, há resiliência, há sorrisos com os olhos e abraços com o coração, há vontade de consolidar aprendizagens e adquirir novos conhecimentos e, acima de tudo, há a confiança de sempre!
Apesar de todas as medidas de segurança, o risco nunca será nulo, nem na escola nem fora dela. A proximidade entre as crianças vai ser inevitável e a partilha de objectos difícil de controlar, portanto...
Há que continuar a viver...
Há que aceitar este "novo normal"...
Há que ter esperança num futuro próximo...
Há que ter consciência que o ano será de trabalho, de muito trabalho... 
Há que fazer o melhor e evitar o alarme social...
Há que confiar nas pessoas a quem um dia escolhemos entregar os nossos filhos e que, durante este ano tão atípico, deram provas mais do que suficientes que estão à altura de grandes desafios...
Há que acreditar que tudo vai correr bem, aliás SÓ PODE CORRER BEM!
Um excelente começo de ano lectivo para todos os alunos, pais, professores e auxiliares, com o desejo ardente de não nos encontrarmos em nenhuma (mesmo nenhuma!) reunião virtual...

Boa sorte Nônô e que o caminho da escola NUNCA deixe de ser o caminho da felicidade!

Ana Pádua
16/09/2020


o caminho da escola

o caminho da felicidade










o início do 1º troço...
o início do 2º troço...



...e rumo ao 3º troço!

memórias do Verão