quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Uma gata chamada...Kitty!

Há uns meses, a avó Nhônhõ encontrou uma gatinha bebé no meio da estrada...uma fêmea preta com uns ínfimos pêlos brancos disseminados por todo o corpo e uma cauda eriçada que se assemelhava à de um esquilo; estava completamente esfomeada, desorientada e doente, pelo que foi recolhida, não só para eu tratar, mas também para tratar de arranjar-lhe um dono...
Previa-se que a sua sina não estivesse traçada na palma da mão (ou melhor, pata), mas na sua identidade de género e na cor da sua pelagem e tudo porque a maioria das pessoas, apesar de estarem sempre em constante negação, são machistas e muuuiiiiito supersticiosas.
Ao longo da vida tive três cães, curiosamente todos eles pretos...o Kimba com quem convivi nos meus primeiros anos de vida, o Cocas que acompanhou toda a minha infância e adolescência e, por último, o Paquito que me fez compreender porque é que existem os cães d`água e depois todos os outros animais...quanto a gatos, sempre foram uma constante na minha vida e, por casa da minha mãe, devem ter passado todas as pelagens que os europeus comuns suportam, desde brancos a pretos, pretos e brancos, tartarugas, cinzas, amarelos, tigrados e mais alguns que já nem me lembro da cor...
Enquanto eu procurava e desesperava por um adoptante, o tempo passava, o animal melhorava e a Nônô afeiçoava-se àquele ser indefeso, a quem começou por chamar "gatinha bebé" e, ao vislumbrar este cenário que era deveras promissor, tentei convencer a Nônô que a gatinha estava ali em convalescença e que teríamos de encontrar-lhe um dono, mas a resposta da Nônô era sempre "EU SOU A DONA!"...e daí até ao baptismo da gata foi um pulinho e a "gatinha bebé" passou a chamar-se Kitty...
A Hello Kitty era uma daquelas personagens que eu tolerava (não amava é certo, mas simpatizava) até que vi a minha vida ser literalmente invadida, por todos os lados e direcções, pela gata mais famosa do mundo...a Nônô é uma "Kitty lover" e eu já só tropeço em ganchos, pulseiras, colares, relógios, lápis, canetas, cadernos, blocos, malas, malinhas e malões, chapéus, bolas, braçadeiras e sei lá eu mais o quê, tudo o que diariamente se encontra espalhado pelo chão da casa, o que me fez passar a olhar para a referida personagem com outros olhos...para meu regozijo, constou-me que a gata está em vias de extinção devido aos constantes plágios de que tem sido alvo; não sei se este é o verdadeiro motivo para o seu eclipse, mas não cabo em mim de contentamento, até porque já me apercebi que o meu eterno ídolo, o Snoopy, está de volta e, este sim, é um personagem com graça!
Mas a "gatinha bebé" ficou mesmo Kitty e, a partir daí, a nossa vida mudou e a dela também...o animal passou a não ter um segundo de descanso, salvo as horas em que a Nônô está na escola porque, assim que chega, não há entretenimento melhor que desfrutar da companhia da Kitty que constantemente é abraçada, beijada, apertada e ainda tem de ouvir histórias para adormecer e sermões quando a Nônô entende que o seu comportamento não é o mais adequado e, incrivelmente, a gata permanece sempre estática e nunca põe as garras de fora e é enternecedor observar a interacção das duas, que além de terem uma empatia mútua, já não vivem uma sem a outra...
Pelos mais variados motivos, tenho imenso respeito e admiração por quem se dedica à causa animal, mas com o passar dos anos, apercebi-me que, regra geral, os donos de felinos são mais pragmáticos que os proprietários de canídeos mas, no que toca à defesa das espécies, o quadro inverte-se e as protectoras dos cães são muito mais descomplicadas que as "maluquinhas" dos gatos" e começa logo porque, para estas últimas, nenhum adoptante tem perfil para o ser...ou é porque vive num apartamento e os animais podem tentar o suicídio e "voar" de alguma janela, ou é porque se habita numa casa com jardim e os gatos podem escapulir-se pelo gradeamento (a não ser que a vedação seja inspirada em Auschwitz) e acabarem debaixo de um carro ou na boca de um cão, ou é porque vão coabitar com outros animais e podem vir a sofrer de algum stress traumático ou de outra enfermidade qualquer e, a encabeçar os pré-requisitos que aniquilam qualquer potencial adoptante, estão as crianças! Eu sei que há uns pestinhas que rasam a crueldade e o sadismo e só apetece bater-lhes (a começar logo pelos progenitores), mas a grande maioria das crianças são naturalmente dóceis para com os animais e, esta saudável convivência, além de proporcionar muita diversão e brincadeiras em família, ainda tem o benefício de ajudar a reforçar a auto-estima (num precioso combate à timidez, ao medo e à ansiedade) e, acima de tudo, ensina a responsabilizar, que neste caso específico, é sinónimo de amar, cuidar e tratar...
Bom, quanto à Kitty, actualmente está em casa da avó Nhõnhõ, onde convive com mais dois semelhantes que, em vez de stress e enfermidades, transmitem-lhe afectos; tem um jardim à sua disposição para brincar e subir às árvores e onde aprenderá naturalmente a defender-se dos perigos exteriores mas, o mais certo é daqui por uns tempos ir viver para um apartamento onde a segurança já é forçosamente reforçada para que ninguém se aventure a testar as leis da gravidade e, sem dúvida, o mais engraçado nesta história foi ter sido a Nônô a responsável pela sua adopção e não tivemos outra alternativa senão dizer: "Hello, Kitty!"

Ana Pádua
23/09/2015 

responsabilizar é...
amar...

cuidar...

...e tratar
I LOVE CATS

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

O quadro

Há já algum tempo que tinha a intenção de pedir a alguém que retratasse a Nônô num quadro...pesquisei, pesquisei muito e tudo o que encontrava, me indicavam ou me aconselhavam, por um motivo, por outro ou por vários, em nada correspondia ao que eu tinha idealizado...
Um dia, enquanto esperava pela impressão dumas fotografias numa loja que frequento habitualmente, entra uma senhora com uma criancinha segura por uma mão e um quadro para emoldurar na outra...os meus olhos fixaram-se durante uns minutos no quadro, em seguida, desviaram-se para a criança e, nesse preciso momento, percebi que estava ali mesmo o que eu incessantemente procurava. Sem grandes rodeios, abordei a senhora que se revelou muito simpática e disponibilizou-me logo a fotografia através da qual o quadro tinha sido feito e disse-me que, tal como eu, também ela já havia percorrido seca e meca à procura de alguém que retratasse o filho, porque isto de pintar é tudo muito lindo, mas conseguir captar expressões faciais tem muito que se lhe diga...disse-me ainda que o seu quadro tinha sido pintado por um artista descoberto por mero acaso durante um passeio no local onde, por coincidência, nós estaríamos de férias na semana seguinte; disse-me ainda que não se lembrava do nome do pintor e eu ainda olhei para a assinatura mas, tal como a maior parte delas, revelou-se ilegível e, conversa terminada, a fotografia da Nônô foi o primeiro objecto a "marchar" para o interior da minha mala de viagem...
A fotografia elegida foi tirada no dia em que a Nônô completou três anos e, para mim, tem muito significado, não só porque consegui captar-lhe uma expressão de felicidade genuína quando viu o bolo de aniversário (uma Kitty), mas porque naquele momento, o seu sorriso foi a minha minha maior recompensa num autêntico caso de "prometido é devido"...
Já no nosso destino de férias e, assim que tive oportunidade, fui passear com a Nônô e a minha sobrinha Filipa até ao local onde eventualmente estaria o pintor e, quando lá chegámos, deparámo-nos com o talento de vários artistas, sentados e de costas voltadas para os transeuntes que ali passavam e paravam para contemplarem as suas obras...passei a vista pelos vários quadros expostos, observei os pintores que retocavam as suas últimas criações e fixei-me num que, por várias razões, chamou a minha atenção e, curiosamente, tanto eu como a Filipa, olhámos uma para a outra e dissemos em uníssono "só pode ser este!"
Concentrado no seu mais recente retrato e imperturbável perante todo o reboliço das pessoas que por ali passavam, o pintor exibia um chapéu que lhe cobria parte da face e uns óculos na ponta do nariz...aproximei-me e, no tom de voz mais baixo que consegui, expliquei-lhe como tinha ido ali parar e o que pretendia, enquanto tirava a fotografia da mala...ele desviou o seu olhar tímido por cima dos óculos, fez uma pausa, sorriu e disse "C`est une belle photo"...a partir daí, o nosso discurso alternou entre o português e o francês até conseguirmos chegar a um consenso.
De regresso à casa onde estaríamos por mais alguns dias, lembrei-me duma viagem a Paris, na companhia de uma amiga com quem sempre adorei passar férias e de um amigo que se revelou o melhor cicerone que alguém pode ter na cidade luz...aturou-nos, proporcionou-nos uma viagem divertidíssima, mostrou-nos todos os lugares emblemáticos da capital, levou-nos a bistrôs de comer e chorar por mais e ao melhor restaurante de que tenho memória e foi um guia exemplar nos museus que, com as suas descrições dos quadros, autores e épocas, fez-nos passar a olhar para a pintura com outros olhos...assim, embevecidos pela arte, numa bela manhã de Dezembro, decidimos ir até Montmartre e perdemo-nos no tempo enquanto admirávamos o trabalho de alguns pintores e eu tenho a plena consciência que, nesse dia, dei a seca da vida aos meus amigos quando decidi que dali não arredaria pé sem um quadro...no meio de tantas telas, a escolha adivinhava-se difícil e eu não queria um quadro qualquer, queria um que fosse o souvenir perfeito daquela viagem de sonho...e quando os meus amigos imploravam para que a decisão fosse célere, pois desfaleciam de fome e já só se imaginavam a degustar uma sopa de cebola gratinada com pão torrado (que aquece qualquer corpo e alma num dia de Inverno), a voz da minha amiga sussurrou-me ao ouvido "só pode ser este!", enquanto apontava para um quadro onde estava retratado um bistrô com a inscrição "CHEZ ANNE"...e foi mesmo o quadro eleito que, além de me trazer sempre à memória recordações fantásticas dumas férias inesquecíveis, tem um lugar privilegiado na minha sala e tem o dom de me fazer sentir verdadeiramente "em casa"...
Quanto ao retrato da Nônô, foi-nos entregue na véspera da nossa partida e ficará para sempre registada a alegria da Nônô quando se viu retratada no quadro e exclamou bem alto "É A NÔNÔ!!!"...ainda houve tempo para imortalizar o momento numa fotografia com o autor (merci Gérard Minéo!) e, como não poderia deixar de ser, a obra já se encontra emoldurada, pendurada numa parede e..."CHEZ ANNE"

Ana Pádua
16/09/2015 

o pintor, a obra e a "musa"
o quadro...


...e a fotografia que o originou



CHEZ ANNE

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

O regresso às aulas e a ansiedade por separação

Para a Nônô, hoje começou um novo ano escolar, não o 1º, nem o 2º, mas sim o 3º!
Para mim, as férias também acabaram não há um, nem há dois, mas sim há três dias, o que significa que as nossas rotinas lentamente tiveram de voltar à "normalidade"...
No meu caso, a readaptação não foi difícil até porque já levo uns aninhos disto e sei que no 1º dia de trabalho pós-férias parece tudo maravilhoso, no 2º dia até pensamos que já tínhamos saudades da profissão, no 3º dia achamos que as férias fizeram o milagre da duplicação da paciência, no 4º dia começamos a "cair na real" e no 5º dia já só nos apetece voltar para o lugar de onde acabámos de sair...
Nos últimos dias, tentei convencer a Nônô que as suas férias também iriam acabar, que a escola estava prestes a começar, que iria ser fantástico rever os coleguinhas, contar-lhes as suas aventuras do Verão, escutar as histórias deles, conhecer as novas educadoras, descobrir os encantos e recantos da nova sala de aulas e blá, blá, blá...todos os dias o meu discurso era o mesmo e, lá por casa, já ninguém me podia ouvir e só me diziam que eu parecia um daqueles activistas da "esquerda caviar" a tentar mentalizar as massas...
A verdade é que com as crianças, a readaptação nem sempre é pacífica e, nalguns casos, chega mesmo a ser complicada, porque com tudo a que tiveram direito durante um mês de férias, entre as actividades apetecíveis que forçosamente são diminuídas e os horários a terem que ser reajustados, juntam-se mais algumas alterações na atenção (que deixa de ser exclusiva), nos mimos (que têm de ser partilhados) e na presença (não tão constante) de todos aqueles que lhes são próximos, por isso, é de prever que no regresso às aulas, algumas criancinhas sofram de ansiedade por separação que, nos primeiros dias do ano lectivo, geralmente se traduz em choro convulsivo ou berraria desenfreada, apertos sufocantes no pescoço dos pais e posterior isolamento por tempo indeterminado num qualquer canto da sala de aulas e, embora muitas vezes estes comportamentos sejam interpretados como parte da personalidade de cada  indivíduo, na verdade são o resultado da sua incapacidade para lidar com a situação...
Felizmente nunca tive de passar por estas situações que são aflitivas e constrangedoras, mas desde que a Nônô iniciou o seu percurso escolar, resolvi adoptar a técnica ensinada a quem tem de lidar com animais de 4 patas que também sofrem de ansiedade por separação e que, na ausência dos seus donos de estimação, resolvem passar o dia a vocalizar latidos e uivos, a destruir a casa sob as mais diversas formas e, no pior dos cenários, a optar pela auto-flagelação.
A técnica, em poucas palavras, consiste em não fazer grandes dramas na despedida (e nem são referidas lágrimas que são perfeitamente desnecessárias), com beijos e mais beijos, festas e festinhas e mais todas as outras manifestações excessivas de amor (que podem e devem ser guardadas para outras ocasiões), sendo também conveniente nos reencontros controlar todas as manifestações excessivas de euforia, ou seja, desvalorizar tanto as "partidas" como as "chegadas", com o único objectivo de não transformar a separação e a ausência em algo severamente angustiante...e connosco tem resultado!
Todas as manhãs, e à porta da sala de aulas, temos ainda um "ritual" baseado numa pequena conversa onde consta sempre uma recomendação "porta-te bem", seguida de um "shot" para reforço da sua confiança com a frase "gosto muito de ti", a que se segue a promessa sempre cumprida "já venho buscar-te" e, por fim, o indispensável beijo para selar o compromisso...e, tal como de há dois anos a esta parte, esta manhã, com esta conversa e muito entusiasmo, lá se iniciou mais um ano escolar!


Ana Pádua
04/09/2015

WELCOME BACK TO SCHOOL

sexta-feira, 31 de julho de 2015

...e o ano lectivo chegou ao fim!

Durante os últimos 15 dias, as frases que a Nônô mais gostava de completar eram: "A Nônô está quase de..." e logo se ouvia a palavra mágica "FÉRIAS!" e para a frase "E nas férias não há...", seguia-se um entusiasmante grito "ESCOLA!"
E eu também já estou quase na mesma e já só me apetece gritar por qualquer coisa do género...mas enquanto o meu desejado dia não chega, vou contemplando belas fotos em tudo o que é instagram de "patas" alheias arranjadinhas e expostas sob um sol radioso e com lindas paisagens de fundo que invariavelmente englobam uma praia paradisíaca ou uma piscina qualquer e vou-me alegrando com a felicidade da Nônô que durante um mês in-tei-ri-nho sabe que terá direito a muitos mergulhos, gelados, passeios e diversão e, claro, ausência de horários porque  finalmente está de férias e o ano lectivo chegou ao fim!
Nesta altura do ano, como aliás noutras muito específicas, é frequente os pais serem convocados para se deslocarem à escola dos filhos. Ainda me lembro do primeiro evento para que fomos convidados, num Natal não muito longínquo, em que o Pedro resolveu ir munido de tudo o que era máquina de filmar e fotografar, na esperança de assistir a um teatrinho natalício protagonizado pelas criancinhas ou um qualquer cântico alusivo à quadra interpretado pelos mais pequenos, mas assim que chegámos, tal como todos os familiares presentes, fomos recrutados para a execução de uma série de trabalhos manuais numa tentativa de integrar nas actividades miúdos e graúdos e não tivemos mais sossego...agora sabemos sempre ao que vamos e, na escola que a Nônô frequenta, não há festas de fim de ano, viagens de finalistas, arraiais ou outros eventos que tais para assinalar a data, mas no fim de cada ano lectivo, reunimo-nos com as educadoras e somos presenteados com um livro personalizado, onde é relatada a evolução do percurso escolar de cada criança bem como todas as actividades desenvolvidas, ilustrado com fotografias, desenhos e tudo o que por elas foi feito ao longo do ano, ou seja, uma espécie de memorando para memória futura e, sem dúvida, que é muito gratificante ver o empenho e a dedicação que as educadoras colocam na execução de cada exemplar!
Há quem diga que alguns professores têm a capacidade de marcar a nossa vida, ensinando-nos muito para além do que vem nos manuais, e eu tive alguns...lembro-me duma professora de português e outra de francês, dum professor de matemática e de mais dois ou três que se cruzaram no meu percurso enquanto estudante, mas nunca imaginei que, um dia, educadoras de infância pudessem marcar a vida das crianças e a nossa também!
De facto, foi um ano que valeu por cada instante, valeu pela vontade de aprender e pela alegria de crescer! Para o ano, a Nônô terá o privilégio de conhecer novas educadoras, mas é reconfortante saber que a Luísa e a Guidó estarão sempre por perto, noutra sala é certo, mas sempre perto da nossa vista e do nosso coração...
Nunca esqueceremos o método e a disciplina, a organização e a distribuição de tarefas, o carinho e a preocupação, o encorajamento à autonomia e a valorização dos progressos, o incentivo à partilha e à inter-ajuda, a evolução da linguagem que foi fascinante e a construção do pensamento que se tornou uma constante.
É com enorme satisfação que sabemos todas as músicas ouvidas, as canções entoadas, as histórias contadas, as lenga-lengas memorizadas, os pequenos estudos realizados (sobre a natureza, os animais e os frutos), os jogos preferidos, as receitas culinárias executadas e vemos a evolução das crianças ao nível do desenho, da pintura e da língua materna e, acima de tudo, apreciamos o incentivo, desde muito cedo, à escrita...obviamente que nesta idade a escrita resume-se a uns traços que depois evoluem para uns hieróglifos tipo círculos, mas o que verdadeiramente importa é que as crianças são estimuladas a partilharem vivências e a contarem histórias, verdadeiras ou ficcionadas ou uma mistura de ambas (que é o que mais predomina nesta faixa etária) e, enquanto as crianças falam, as educadoras transcrevem para o papel o que é relatado e, assim, vão despertando a sua curiosidade e interesse pela escrita...e é tão recompensador ver a evolução dos textos que, no início do ano, regra geral não passam das 3 linhas, para os últimos onde já são contadas verdadeiras histórias...claro que eu já elegi o texto que para a Nônô deve ter correspondido ao momento alto do seu ano e, como não poderia deixar de ser, foi o "Festival do Panda"...e aqui fica para memória futura!

Ana Pádua
31/07/2015


o texto livre...
...e a intenção de escrita
um mimo para a Luísa...
...e outro para a Guidó

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Oficial e Cavalheiro

A Nônô é uma sortuda porque com apenas três anos de idade já conheceu um autêntico cavalheiro...ampara-lhe as quedas, protege-a dos perigos, atura-lhe todos os caprichos, alerta-me para os seus disparates (nomeadamente, quando em tentativas infanticidas, atira o carro das bonecas escada abaixo), tem uma paciência infinita para as suas brincadeiras e até mesmo quando a Nônô lhe amarfanha as notas do adorado monopólio, ele, num tom calmo, só diz "Nônô, o dinheiro não é para estragar!"...
O António ou "little sir", como carinhosamente o trato, é um menino meigo, querido e educado que é filho de uma amiga que conheci na adolescência pelo que, bem feitas as contas, já devemos conviver há quase 30 anos e, lá por casa e para muitos amigos, sempre foi conhecida por Paula Produzida, por andar sempre no seu melhor e para a diferenciarmos de outra Paula (saudades tuas amiga, MUITAS!!!)...mais tarde apelidei a mãe do António de "boadrasta", não só porque continuou sempre no seu melhor, mas por apreciar a forma irrepreensível como tratava os seus enteados, deitando por terra as famijeradas madrastas das histórias infantis e de mais outras tantas da vida real.
A verdade é que a Nônô não dispensa a companhia do António e quer sempre convida-lo para um passeio no parque, uma ida à praia, um mergulho na piscina, uma visita aos cavalos ou qualquer outro programa domingueiro e o "little sir" passou a fazer parte integrante de todas as suas actividades e, mais importante que tudo, com ele tem aprendido a partilhar (a parte dos chocolates não foi tarefa fácil!) e agora já não se ausenta para onde quer que seja sem certificar-se que na sua mochila há sempre guloseimas para o seu mais que tudo...
De vez em quando também lhe grita "ANTÓÓÓÓÓNHO" numa tentativa de exercer autoridade, perfila-lo ou persuadi-lo a fazer tudo o que ela quer e deseja e, qual "enfant terrible", ultimamente ainda se atreve a levantar-lhe a mãozinha para intimida-lo, mas ele permanece impávido e sereno, nunca se exalta, está sempre disposto a dialogar como um verdadeiro SENHOR e deve mesmo atribuir o comportamento da Nônô à sua idade e identidade de género...
Ainda bem que há quem se esforce em criar homens de sentimentos e acções nobres, não necessariamente os que nos abrem a porta do carro e puxam a cadeira para nos sentarmos, mas aqueles que são cordiais, transmitem-nos segurança, nunca passam à nossa frente e têm sempre para nos oferecer o lado de dentro do passeio quando caminham ao nosso lado...
...quanto ao António, só lhe posso prometer que tentarei NÃO ser uma sogra do pior!

Ana Pádua
23/07/2015 

little treasure and little sir
l´enfant terrible et le monsieur
comadres e crias

filha, genro e sogra


sexta-feira, 26 de junho de 2015

...Hoje é o DIA!

Hoje é o DIA pelo qual a Nônô mais ansiou ultimamente, o DIA do seu aniversário, o DIA em que celebra 3 anos! É DIA de festa na escola, é rainha por um DIA, com direito a coroa e tudo, e ainda vai ser surpreendida com um bolo da Kitty (da minha autoria), que foi o que mais desejou para este DIA em que festeja mais um ano...e que ano!!!
Foi o ano da dicotomia entre o querer ser crescida e simultaneamente querer ser o eterno bebé da casa, ou seja, querer o melhor dos dois mundos...
Foi o ano da autonomia, da independência, do querer fazer tudo sozinha, o que umas vezes até dá um certo jeito e outras só atrapalha e atrasa as rotinas quotidianas...
Foi o ano em que conseguimos alcançar um dos objectivos a que nos propusemos...a Nônô largou as fraldas que, à semelhança da chucha, já só usa para dormir mas, em relação a esta última, não faço a mais pequena questão que se despegue dela tão cedo porque desde o dia do seu nascimento tem sida a minha melhor "amiga"...
Foi o ano em que contei, ou melhor, inventei o maior número de histórias, o que a uma média de 3 por noite (mais para mais do que para menos) deve dar para cima de 1000 e este feito é, no mínimo, digno do Guinness...
Foi o ano em que finalmente a Nônô começou a perceber que a noite é para dormir e, claro, para deixar dormir...
Foi também o ano em que a Nônô descobriu o verdadeiro prazer da comida, tendo-se transformado num bom garfo, ou vá lá razoável, e esta talvez tenha sido a nossa maior victória...delicia-se com arroz de pato, gosta de fruta e salada, adora camarão e não resiste a sushi (manuseia os pauzinhos com destreza e, no final, ainda vira de um só gole o molho de soja que é para o cenário ficar limpinho)...
Foi o ano em que, graças à Nônô, me viciei em todo e qualquer tipo de Kinder, um chocolate que eu nem apreciava e cujas respectivas surpresas aprendi a montar em tempo recorde...
Foi o ano que ficou marcado pela evolução da sua linguagem (num instante os vocábulos monossílabos e dissílabos deram lugar a todas as outras palavras) e é fácil deixar-mo-nos contagiar com a euforia da Nônô quando consegue pronunciar termos que considera difíceis, como "garrafa", "oculista" e "Volkswagen"...
Foi o ano em que descobri que convivo diariamente com um "papagaio" que me fez descobrir que uso frequentemente expressões que eu nem suspeitava que proferia ("que chatice!" encabeça a lista)...
Foi o ano em que, muitas vezes falámos em código, numa tentativa frustrada de passarmos mensagens uns aos outros, como por exemplo "alguém quer aquela coisa que se bebe a seguir às refeições", para ouvirmos instantaneamente a Nônô dizer "também póxo beber um café?"...
Foi o ano em que mais arejámos, até porque se há coisa que a Nônô gosta é de qualquer actividade ao ar livre e não se cansa de dizer "gosto muito de rua"...
Foi o ano em que descobri que a Nônô adora escalada e que qualquer local é óptimo para ser trepado e nem as ripas dos armários da casa de banho são poupadas, pelo que o seu herói só podia mesmo ser o homem-aranha...
Foi o ano em que me apercebi que a Nônô tem uma certa tendência para ser radical e, desde que viu uns rapazes fazerem umas acrobacias de skate, vive a sonhar com o DIA em que receberá a sua pequena prancha com rodinhas e, enquanto esse DIA não chega, resolveu improvisar um skate com o que tinha lá por casa...
E foi o ano em que a Nônô mudou de visual e, tal como todas as suas "tias" quarentonas que, ou estão miopes ou estão hipermétropes, também começou a usar óculos... 
Mas, foi de longe o ano mais exigente, porque foi o ano de afirmação da sua personalidade com tudo o que isso tem de bom e de menos bom, onde a nossa permissividade foi constantemente testada bem como os limites da nossa paciência e, não foram raras as vezes, em que dei por mim a pensar "Um DIA terei de administrar-te ritalina ou prescrever a mim própria xanax"...mas nunca foi o DIA!, até porque já me garantiram que os anos que se avizinham são ainda mais desgastantes do ponto de vista emocional e o apogeu disto tudo chegará na adolescência...
...mas quando a Nônô nos segreda um "amo-te" ou um "gosto muito de ti" ou, melhor ainda, quando espontaneamente ouvimos da sua boca "estou tão contente" ou "estou mesmo feliz", o balanço deste ano fica logo arrumado porque a sua alegria é tudo o que mais desejamos e é tudo aquilo em  que realmente nos empenhamos...
Hoje é o DIA, o TEU DIA, MUITOS PARABÉNS NÔNÔ!!! 
Ana Pádua
26/06/2015

3 ANOS
a refeição mais apreciada...

...e o bolo mais desejado

sexta-feira, 12 de junho de 2015

New look and...the Special One!

A Nônô tem um novo visual! Desde que suspeitámos até termos a confirmação de que os óculos seriam uma realidade à qual a Nônô teria forçosamente de se habituar, entrámos num processo de mentalização...a tarefa foi simples, até porque o facto de eu própria usar óculos sempre despertou a curiosidade da criança e a sua consequente cobiça por este tipo de complemento.
O único problema foi mesmo a escolha dos óculos, não pelo modelo em si, porque nesta idade convém que sejam resistentes e inquebráveis, mas pela cor...a Nônô é obstinada pelo roxo e, embora o laranja tivesse sido a primeira cor a ser memorizada, depressa foi destronada pelo roxo e este gosto prevalece até hoje, sendo esta a cor com a qual mais se identifica...em tudo o que pinta tem de predominar o roxo, tudo o que deseja é desta cor, tudo o que pede também é desta tonalidade e, quando por sorte, envereda alguma peça de roupa roxa, para a tirar só com grande negociação...
O roxo é a cor da espiritualidade, da magia e do mistério, sendo por excelência a cor que acalma e tranquiliza e está intimamente ligada à introspecção, à meditação e ao equilíbrio da mente, pois controla os medos e contribui para a paz.
Eu também gosto muito de roxo, mas por outros motivos...é uma cor que vai bem com quase todas, é reconfortante, desperta-me boas energias e nos primórdios foi, a par com o amarelo, a cor de veterinária (embora actualmente as cores sejam amarelo e branco), enfim, são todas boas razões para também eu gostar tanto desta cor!
Quanto à Nônô, não sei de onde lhe vem este gosto mas tenho a minha teoria...o objecto do qual a Nônô nunca se separa, embora actualmente só lhe dê uso para dormir, é uma chucha roxa que, de entre todas as que já usou, sempre foi a sua preferida, pelo que esta cor desde muito cedo a acompanhou e esteve sempre presente em todos os seus momentos e, claro que se os óculos fossem roxos era meio caminho andado para não os tirar da cara, mas claro também que óculos roxos para criança não são facilmente encontrados, apesar da nossa incessante busca, que culminou num achado precioso em atendimento e simpatia no InstitutÓptico da Guia e, se gostarem do novo "look" da Nônô, podem votar neste passatempo aqui.
Mas a 1ª consulta de oftalmologia da Nônô ficou marcada não só pelo seu exemplar comportamento (sempre muito cooperante, como aliás é seu hábito em qualquer procedimento médico e já lhe valeu os mais  rasgados elogios), mas também pelo nosso inesperado encontro com o "Special One"...sim, o próprio, o original, o arrogante, o convencido, o antipático, o "Bonaparte do futebol", o treinador, o Mourinho e, tivesse ele visto a Nônô com uma bola de futebol nos pés, a esta hora a criança já estaria a caminho do Chelsea e o David Luiz, o Lampard e o Drogba podiam fazer as malinhas...mas a verdade é que o "Zezinho" é tão intratável ao vivo como na televisão e em nada fica a dever à fama que o persegue e, nem mesmo se eu mudasse de óculos, alguma vez o conseguiria ver com outros olhos...por tudo isto, "The Special One" só mesmo a Nônô com o seu novo visual!!!

Ana Pádua
12/06/2015

espelho mágico, espelho meu...
..."The Special One" sou mesmo EU!