segunda-feira, 31 de maio de 2021

Uma viagem de descoberta...

O último fim-de-semana era aguardado com entusiasmo desde que surgiram os primeiros rumores que o desconfinamento estava eminente e a vida voltaria a uma certa normalidade.
Assim, no passado Sábado, a Alcateia 729 Cascais partiu para o seu primeiro acampamento e foi gratificante retomar as rotinas do agrupamento. O comportamento exemplar dos lobitos é indiscutivelmente o reflexo da atenção, carinho e empenho com que os "chefes" planeiam cada actividade,
A Nônô sempre nutriu grande simpatia pelas suas catequistas, que com as suas vozes doces, serenas e meigas repetem constantemente a frase "vamos falar de Jesus, Maria e José", mas depressa teve de se adaptar ao escutismo regido pela ordem e disciplina militar, onde o grito "BANDO BRANCO DA MELHOR VONTADE, DA MELHOOOOOR VONTADE!" ecoa a quilómetros de distância...
Foi um fim de semana longe de tecnologias, de solicitações e de convites para aniversários ou festas do pijama e, destas últimas, nem se quer ouvir falar! Já era espectável que, mais dia menos dia, um convite destes surgisse, mas o que não se esperava é que a primeira festa do pijama para a qual a Nônô estivesse convidada, se realizasse em casa dum amigo e não duma amiga! Não sei porque é que o rapaz, ao invés de convidar uns pares com a sua identidade de género para passarem um serão a jogarem fortnite ou minecraftresolveu infernizar a cabeça da sua própria mãe até conseguir persuadi-la a convidar duas amigas. Por sorte, o pai da outra amiguinha convidada é do tipo "pandémico" e, alegando o COVID, cortou logo o "barato" da criançada e o assunto ficou logo ali encerrado, até porque o evento mais parecida com uma festa do pijama permitido à Nônô, foi mesmo a pernoita num acantonamento na sede dos escuteiros, há dois anos atrás.
Desta vez, a excitação foi grande com a preparação da mochila, onde não poderia faltar o saco cama e mais o colchonete, o pijama e alguns produtos de higiene, o bloco de campo, a caneta, o chapéu e o imprescindível protector solar, os mantimentos para a estadia e o cantil da água, sem nunca esquecer a máscara e o álcool-gel.
No regresso vieram as histórias de muita animação e da confraternização possível, da aprendizagem e da introspecção desejada, das caminhadas pela mais bela vila que culminaram com um peddypaper comemorativo dos 40 anos do agrupamento.
E no final ficam sempre as memórias das experienciadas vivenciadas, o que leva cada criança a sonhar, projectar e apreciar este mundo, o que contribui para a construção da sua personalidade fortemente marcada pelo sentido da vida em comunhão com os outros e com a natureza.
O escutismo, mais do que uma actividade ou um modo de vida, é uma viagem de descoberta...e que venham muitas mais!

Ana Pádua
31/05/2021

uma viagem...




...de descoberta!


o merecido descanso

40 anos do agrupamento

sábado, 13 de março de 2021

Há um ano a ver o mundo de outra maneira...

Foi precisamente há um ano que tudo mudou...a pandemia já tinha começado há uns meses e já ameaçava Portugal há umas semanas, mas foi no dia 13/03/2020 que as escolas encerraram.
Recordo a sensação quando, naquela sexta-feira, fui buscar a Nônô à escola e não me cruzei com ninguém, lembro-me do olhar incrédulo da directora e, acima de tudo, a tristeza que senti quando vi todos os manuais escolares colocados em cima das mesas da sala para serem ordeiramente recolhidos pelos alunos, num pleno sinal que iriam ficar em casa por um tempo indefinido...
O fim de semana seguinte foi pautado pela angústia (que aumentava com as imagens aterradoras que entretanto chegavam de Espanha e de Itália) e pela incerteza dum futuro próximo que somente foi apaziguada na 2ª feira seguinte quando recebemos uma planificação de como seria, dali para a frente, uma parte tão importante da nossa vida. Rapidamente percebemos que iríamos embarcar nesta viagem por tempo indeterminado e, o que inicialmente seria uma mera travessia entre as margens dum rio, transformou-se numa viagem longa em mar alto, mas onde pudemos contar com uma navegação sempre segura com a mestria da Carlota e, posteriormente da Cátia, que uns meses mais tarde, ancorou o nosso barco em bom porto. Foi uma aventura, da qual saímos indiscutivelmente diferentes, pela aprendizagem que nos proporcionou, pelos laços que criámos, pela interajuda que experienciámos e jamais esqueceremos a emoção vivenciada na última aula pelo dever cumprido...foi tão bom!
Pelo meio aprendemos a lidar com uma nova normalidade e o maior desafio foi manter a razoabilidade para que as crianças pudessem continuar a ter uma infância feliz em que o medo não pautasse o seu desenvolvimento; vimos sonhos suspensos e planos adiados; tentámos manter o foco e alimentámos a esperança; desfrutámos como nunca da vista da varanda; descobrimos maneiras de celebrar a Páscoa, os aniversários, o Natal e tantas outras festividades nos mais variados formatos; fomos confrontados com o histerismo de uns e com o facilitismo e os (in)consequentes comportamentos de outros e fomos sobrevivendo por entre os "covidados", os confinados (com alguns "covideiros" à mistura que chegam a recear a própria sombra e são mesmo capazes de visualizar vírus na vedação dos burros lanudos da quinta do Pisão!), os inconformados (cujas lamúrias são uma constante e vivem aprisionados num passado recente que dificilmente se repetirá), os revoltados (para quem a culpa é de todos menos deles próprios e atiram pedras em todas as direcções que geralmente lhes caiem em cima) e ainda os que julgam que estamos todos a ser manipulados (fervorosos adeptos da teoria da conspiração e com a mania da perseguição), os mesmos que garantem que o homem não foi à Lua e que o 11 de Setembro não aconteceu e passam a vida a gritar ao mundo para acordar e a chamar ovelhas aos próprios amigos...um mimo!
Em Setembro veio o regresso à querida escola, um pouco diferente do que sempre conhecemos, mas igualmente bom, porque apesar das contingências, o essencial estava lá...o amor, a dedicação, a segurança e a confiança que são determinantes para que as crianças continuem a crescer sem dramatismos e receios. Não se observaram pais aglomerados no portão do estabelecimento de ensino nem pendurados na vedação, não se ouviram murmúrios ou lamentações, não houve julgamentos nem perseguições, mesmo quando os mais distraídos, onde me incluo, se esqueciam da máscara e improvisavam com o que tinham à mão!
Já no decorrer deste ano lectivo, voltámos a embarcar noutra viagem, com diferente rota e outro destino, mas onde pudemos contar novamente com a organização, disponibilidade e paciência da professora. Sou grata à Cátia, não só pelo empenho, mas pela serenidade que transmitiu em cada aula e reconheço que, nem praticando meditação todos as manhãs e ingerindo umas quantas benzodiazepinas ao pequeno-almoço, em tempo algum eu conseguiria manter tamanha calma, que reconheço ser fundamental e transmitir a segurança necessária para toda a tripulação acreditar que chegará onde só chega quem não tem medo de naufragar...
Por muito que possamos apreciar o ensino à distância, as expectativas nunca poderão ser semelhantes às do ensino presencial, pois a motivação, a concentração e o interesse jamais serão equiparáveis e, por isso, o tempo urge porque os danos causados no ensino serão difíceis de reparar e é importante as crianças voltarem rapidamente a um certo ritmo de aprendizagem, até porque já se percebeu que o país carece de médicos e de outros profissionais de saúde em geral e não de youtubers ou influencers em particular.
Tal como aconteceu o ano passado, este ano a Nônô também frequentou o ensino presencial até ao último dia em que o mesmo foi possível porque sempre acreditei que a escola é e continuará a ser um lugar seguro. Assim, aguardamos ansiosamente que na próxima semana a escola reabra novamente as suas portas que, efectivamente, nunca se fecharam e mantiveram-se sempre entreabertas, pelo menos foi assim que, ao longo do último ano, imaginei e senti...

Ana Pádua
13/03/2021
a ver o mundo de outra maneira...

segunda-feira, 1 de março de 2021

Uma mentira, mil vezes repetida...

Quando há alguns anos atrás, a Nônô recebeu o seu primeiro peixinho de estimação, ninguém imaginava a saga que se avizinhava. Nesse tempo, a fada dos dentes deixou em nossa casa um lindo aquário com um peixinho laranja que a Nônô baptizou de Leonardo e pelo qual se responsabilizou desde logo, não havendo dia em que a prioridade ao acordar fosse outra senão alimentar o animal e certificar-se que a fauna aquática estava fina...
Ao longo dos anos, toda a magia que envolve a fada dos dentes, o pai Natal e mais coelho da Páscoa foi conseguindo sobreviver aos colegas mais velhos e aos espertinhos do costume e, apesar de já ninguém tentar convencer a Nônô que os bebés vêm no bico das cegonhas, até porque um dia já a ouvi dizer que eram "histórias", há um tema que sempre se revelou de difícil abordagem, a morte. É certo que faz parte da vida e que, a partir dos 3 anos, as criancinhas começam a ter essa consciência e percepção, mas a minha convicção (por mais errada que possa estar) é que as crianças tem a vida toda para aprenderem a lidar com o mais profundo sentimento de perda, por isso, sempre me incomodaram as pessoas que estão sempre a abordar o tema com os mais pequenos.
Posto isto e, apesar desse peixinho ter vivido um tempo considerável e até ter sobrevivido a um autêntico milagre, um dia teve o seu fim e a lei da vida conheceu uma outra "verdade"...
Apressadamente foi substituído por outro peixinho laranja e para que a Nônô não se apercebesse que o Leonardo II não era exactamente igual ao Leonardo I, a fada dos dentes também adquiriu outro exemplar, mas de coloração branca e laranja para que, no meio do milagre da multiplicação dos peixes, qualquer diferença passasse despercebida. Ao peixe bicolor foi-lhe atribuída uma identidade de género diferente e a Nônô chamou-lhe Leonarda e rapidamente desposou o Leonardo II e, posteriormente a fada dos dentes ainda trouxe mais um peixinho que seria o filho de ambos, o qual recebeu o nome de Estrelinha e, assim, estava criada a bela da "happy family"...
O problema começou porque na semana em que não quinava o pai, quinava a mãe, já para não falar das alturas em que o genocídio era completo e, como nalguns casos, era impossível a sua atempada substituição, os peixes começaram a "hibernar"... 
As hipotéticas causas de tão elevada mortalidade foram minuciosamente escrutinadas, desde a quantidade de comida oferecida aos animais até ao tipo de água colocada no aquário, passando pelos filtros e mais anti-calcários usados e até pelas pedras do decor que foram eliminadas e davam imenso jeito para dissimular a "hibernação". Conheci tudo o que é loja de animais num raio de 50 quilómetros e o pior é que nem sempre conseguia encontrar peixes disponíveis do pé para a mão, pelo que o período de "hibernação" era variável...
Lembro-me que infelizmente um dos peixes resolveu "hibernar" num dos aniversários da Nônô e aí vi a vidinha a andar para trás, porque tinha uma das criancinha convidadas a gritar que estava um peixe morto no aquário (e eu a apetecer-me dar-lhe um tapa na boca!), a Nônô a tentar explicar-lhe que o peixe estava a hibernar e, enquanto eu ultimava os preparativos para a festa possível que coincidiu com o encerramento do último ano lectivo por videoconferência, tive que tratar das exéquias fúnebres do animal...um filme!
Claro que o problema adensava-se a cada dia porque a Nônô, que presta atenção a todos os pormenores, começou a reparar que os peixes que voltavam da "hibernação" estavam mais magros ou mais pequenos ou com as barbatanas e cauda diferentes ou, no pior dos cenários, com uma pigmentação diferente daquela que sempre tinham ostentado, pelo que a "hibernação" passou a ter estes inexplicáveis fenómenos! Eu perdi a conta aos peixes que comprei e só sei que todo o investimento na nossa piscicultura dava, no mínimo, para saborear um belo robalo ao sal com vista para o mar do guincho...
E foi precisamente numa das semanas em que o genocídio foi total que me dirigi a uma das lojas de animais e deparei-me com três peixes imersos num aquário com uma água escura como breu que mal dava para lhes ver a cor...eram exemplares únicos: um podia ser o Leonardo porque era laranja, o outro assemelhava-se à Estrelinha que também atirava para essa tonalidade, agora a Leonarda que em todas as suas vidas tinha sido branca e laranja, passaria forçosamente a ser preta e branca! Paciência, eram exemplares únicos e estavam ali para serem resgatados até porque, se num passado recente nem sempre era fácil encontrar peixes, agora, em plena pandemia, a missão era quase impossível!
Peguei nos três peixes e na água turva na qual vinham imersos e foi tudo para dentro do aquário e lembrei-me que o peixe que conheci que mais tempo viveu, pertencera ao meu irmão Zé que garantia que só o alimentava uma vez por semana (quiçá, uma vez por mês!) e que o animal se orientava a ingerir o fitoplâncton (vulgo verdete) que proliferava no seu aquário. Desde esse dia, a higienização do habitat piscícola deixou de ser prática corrente, limitando-se a uma substituição parcial da água de tempos a tempos e, até ver, a "hibernação" deixou de ser uma constante.
A questão parecia estar controlada, mas o problema tornou-se viral quando a Nônô resolveu dizer na escola que os seus peixes hibernavam e, de vez em quando, lá vinha para casa dizer que alguns colegas tinham perguntado aos pais que negavam tão inusitado fenómeno e eu respondia sempre que os pais dos coleguinhas não eram veterinários e, por isso, não percebiam nada do assunto...mas como o modelo pedagógico do estabelecimento de ensino que frequenta, incentiva a aprendizagem através da pesquisa, da descoberta, do diálogo e da interpelação, sem me aperceber, os peixes da Nônô passaram a ser objecto de estudos intensivos e investigações científicas, quase a serem alvo de visitas de estudo guiadas ao aquário.
Numa bela manhã, ainda antes das crianças ficarem em casa no ensino à distância, enquanto encaminhava a Nônô para a sala de aulas, fui interceptada por uma das suas professoras que me perguntou se os exemplares da Nônô pertenciam a alguma espécie rara de peixes, já que nas pesquisas efectuadas tinham descoberto uns espécimes que talvez pertencessem à mesma família que, entretanto, se tornara famosa pela "hibernação". Mais tarde, já no confinamento, outra das professora voltou a abordar-me por telefone com o mesmo assunto...
Não sei se andaram a estudar a fauna aquática que se faz de morta para evitar ser predada ou se andaram a analisar o metabolismo basal das carpas no tempo mais frio, mas enquanto eu explicava a verdade da razão escondida na mentira da tão controversa "hibernação" dos peixes da Nônô, só me ocorreu um pensamento...
Uma mentira, mil vezes repetida...quase se torna verdade!

Ana Pádua
01/03/2021

Leo&company

segunda-feira, 28 de setembro de 2020

A promessa... ✌️

E finalmente chegou o dia que ansiosamente aguardávamos desde Março...de tudo aquilo que a pandemia forçosamente adiou, talvez a promessa dos escuteiros tenha sido o que mais dificilmente tivemos de aceitar.
A semana em que o mundo mudou e começámos a viver uma outra realidade coincidiu com a semana que há muito tínhamos sonhado e planeado e que culminaria num fim-de-semana memorável. Lembro-me bem da frustração que sentimos naquele momento e, nessa altura, estávamos longe de imaginar os meses de incerteza e de resiliência que se seguiram...
Num ano tão diferente do idealizado, esta foi a melhor resolução...proporcionou novas amizades e alguma socialização, incentivou o contacto com a natureza e o exercício físico, fomentou a ordem e a disciplina, ensinou a respeitar regras e hierarquias, incutiu patriotismo e respeito pelos símbolos nacionais e, acima de tudo, contribuiu para uma aprendizagem baseada na partilha e na interajuda. 
Nunca esqueceremos o empenho da Rita, a organização do João, o carinho da Mafalda e a simpatia do Pêpê (entre tantos outros!) que nunca descuram a segurança e protecção dos mais novos, mas simultaneamente estimulam a sua independência e autonomia a cada jornada e, sem dúvida, fazem a diferença num agrupamento onde o companheirismo e o altruísmo são a melhor bandeira...talvez por isso, no meio de tanto distintivo e insígnia com que temos aprendido a lidar, aquele que nos enche de orgulho pelo que representa é mesmo o distintivo do agrupamento, neste caso, o 729-Cascais!
O dia de ontem foi marcado pelo encerramento do ano escutista com uma celebração linda que, para os lobitos, teve um sabor especial pela solenidade do momento. 
Foi uma cerimónia diferente, mas nem as máscaras colocadas nos rostos de todos os presentes esconderam os sorrisos de felicidade, nem o distanciamento social impediu que sentíssemos o afecto de todos os que abraçam este movimento.
Que o lenço amarelo recebido, que simbolicamente representa o sol, continue a iluminar a vida de todos os lobitos e que continuem a crescer uns com os outros e para os outros...

✌ Alerta, sempre alerta para servir! ✌

Ana Pádua
28/09/2020



orgulho

a entrega do diploma



felicidade





o diploma

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

A caminho da escola (parte 3)

Hoje iniciou-se mais um ano lectivo e, com ele, o 3º troço dum caminho que começou aqui, já passou por aqui e também por aqui e que, seguramente, seguirá o rumo que desejamos.
O entusiasmo do regresso às aula não foi o desejado, não pelo receio da pandemia nem pelas contingências impostas, mas porque a Nônô tornou-se grande adepta das medidas adoptadas pelo Costa num passado recente e queria continuar no ensino à distância. À excepção de dois coleguinhas de quem realmente tinha saudades, do resto nem queria ouvir falar! Pior, ao longo destes infindáveis 6 meses, a cada passagem de carro em frente ao estabelecimento de ensino que frequenta, ordenava que se acelerasse e, nos últimos dias de férias, ainda se atreveu a dizer que em anos anteriores era frequente ter ataques de tosse e séries de espirros na escola e, antes que tivesse alguma ideia menos feliz, foi incentivada a escrever uns textozitos sobre a maravilhosa escola, o desejado regresso às aulas e a felicidade dos reencontros.
A Nônô não está habituada a grande alarido à volta do COVID e tem o seu próprio sentido crítico em relação à pandemia e mais ao histerismo de certas pessoas e seus (in)consequentes comportamentos. Distrai-se com a criatividade de certos EPIs, entretém-se a contabilizar condutores de máscara e diverte-se a relatar alguns episódios que a intrigam, como é o caso do seu último passeio no parque, na companhia de um amiguinho e da sua coelha Oreo. Nesse dia, enquanto andavam de bicicleta, foram surpreendidos por uma criatura que, ora praguejava, ora esbracejava, ora andava em círculos de braços abertos, mais parecendo um Border Collie a controlar um rebanho, o que até é uma imagem enternecedora, não fosse o seu "rebanho" reduzido a uma companheira de máscara na mandíbula e mais uma cria de tenra idade colocada sobre um daqueles aparelhos usados pelos adultos para se ginasticarem. A situação já era suficientemente caricata, mas piorou substancialmente quando a criatura começou a indignar-se com a Oreo e, pior do que isso, chamou-lhe "porcaria de coelho", o que para a Nônô é ofensivo, não só pelo adjectivo usado, mas porque exige que tratem o seu animal de estimação pelo nome próprio e, em caso algum, admite que lhe troquem a identidade de género! Aí, a Nônô ficou mesmo irada e só não atacou o "rebanho" e mais o "cão" pastor por causa do distanciamento social...
Hoje, o ano escolar começou de um modo muito diferente...há restrição das entradas na escola, há contenção na expressão dos afectos, há percursos assinalados no chão, há obrigatoriedade de máscaras para professores e auxiliares, há horários alargados e intervalos mais curtos, há regras sanitárias e planos de contingência, mas também há amor, há dedicação, há resiliência, há sorrisos com os olhos e abraços com o coração, há vontade de consolidar aprendizagens e adquirir novos conhecimentos e, acima de tudo, há a confiança de sempre!
Apesar de todas as medidas de segurança, o risco nunca será nulo, nem na escola nem fora dela. A proximidade entre as crianças vai ser inevitável e a partilha de objectos difícil de controlar, portanto...
Há que continuar a viver...
Há que aceitar este "novo normal"...
Há que ter esperança num futuro próximo...
Há que ter consciência que o ano será de trabalho, de muito trabalho... 
Há que fazer o melhor e evitar o alarme social...
Há que confiar nas pessoas a quem um dia escolhemos entregar os nossos filhos e que, durante este ano tão atípico, deram provas mais do que suficientes que estão à altura de grandes desafios...
Há que acreditar que tudo vai correr bem, aliás SÓ PODE CORRER BEM!
Um excelente começo de ano lectivo para todos os alunos, pais, professores e auxiliares, com o desejo ardente de não nos encontrarmos em nenhuma (mesmo nenhuma!) reunião virtual...

Boa sorte Nônô e que o caminho da escola NUNCA deixe de ser o caminho da felicidade!

Ana Pádua
16/09/2020


o caminho da escola

o caminho da felicidade










o início do 1º troço...
o início do 2º troço...



...e rumo ao 3º troço!

memórias do Verão

sexta-feira, 26 de junho de 2020

♾ Celebração em dose dupla ♾

Hoje é dia de festa, não só porque a Nônô celebra o seu 8º aniversário mas porque o ano lectivo chegou ao fim!
Foi um ano diferente dos demais, sobretudo este último trimestre, onde embarcámos numa viagem, talvez a viagem da nossa vida, não por a termos sonhado mas pela aprendizagem que trouxemos na bagagem.
Uns gostaram mais do que outros (nós gostámos!) e, salvo o propósito de tão inusitada aventura, vamos recordar para sempre este capítulo da história e, por isso, hoje acordámos com uma espécie de saudade dum futuro tão diferente daquilo que imaginámos e uma nostalgia por acreditarmos que não voltaremos a vivenciar uma experiência tão intensa e enriquecedora.
Estreitámos laços mesmo que à distância, conhecemo-nos melhor a nós e aos outros (incluindo pais, alunos e professores), aprendemos muito na interajuda, relembrámos matérias tão longínquas, testámos limites, descobrimos talentos, desenvolvemos aptidões, reinventámo-nos  e desenrascámo-nos em muitas áreas, experienciámos uma espécie de ensino doméstico, aprendemos a dominar as novas tecnologias e tornámo-nos entendidos em tudo o que é plataforma e aplicação!
O tempo voou com a velocidade que desejávamos e entre as aulas a que obrigatoriamente os alunos tinham de assistir e as tarefas estipuladas, juntou-se a telescola, muito bem organizada por sinal, e mais um número considerável de actividades que foram vivenciadas com entusiasmo e uma intensidade que jamais julgámos possível.
A Nônô não quis perder pitada do que a nova realidade tinha para oferecer...tem uma fixação por tudo o que é dispensador de álcool-gel e usar máscara é uma festa, mais que não seja porque é sinónimo de desconfinamento e alguma socialização, já para não falar nas apreciadas reuniões virtuais que, em determinados momentos, já saturavam...eram as videoconferências da escola no teams (mais o inglês, a educação física, o corpo e movimento, a música e o ATL), as videochamadas dos escuteiros, a catequese no zoom com umas aulas de yoga pelo meio para as criancinhas ficarem "zen" e mais as reuniões que a Nônô marcava à revelia com as amiguinhas e, caso uma pessoa tivesse urgência em enviar um mail, a única solução era socorrer-se do telemóvel, o que atendendo à idade, revelou-se uma tarefa quase tão complicada como actualmente visualizar pulgas em cima dos cães!
Desde a primeira hora que o objectivo era salvar da melhor maneira possível o ano escolar e estamos gratos às professoras Carlota e Cátia que, sem dramatismos ou lamentações, levaram a nossa embarcação a bom porto, sem medo algum de naufragar. Não esqueceremos a planificação e a organização, a disponibilidade e a segurança e, acima de tudo, a paciência para lidar com alunos e pais e até para ver, vezes sem conta, os animais de estimação de cada casa, os quais ficaram com um grau de literacia único!
Hoje, quando o nosso barco ancorou e já com o 3º ano no horizonte, o sentimento foi de missão cumprida com a consciência que este ciclo se viveu e encerrou em pleno e com a crença que o melhor está para chegar.
Hoje também celebrámos o aniversário da Nônô com o desejo que o número 8, símbolo de equilíbrio e amor eterno, represente, mais do que nunca, a prosperidade e a bem-aventurança de um mundo novo, onde cada sonho seja sempre infinito (♾)...

Parabéns querida Nônô pelo teu aniversário e pelo teu empenho ao longo desta viagem! 

Ana Pádua
26/06/2020

Celebração em dose dupla

Parabéns pela navegação!

Parabéns pelo aniversário!

terça-feira, 12 de maio de 2020

#EstudoEmCasa

Desde há cerca de dois meses que as criancinhas estão numa espécie de ensino doméstico com o objectivo de conseguir minimizar os danos colaterais de toda esta contingência em que forçosamente mergulhámos e salvar, da melhor maneira possível, o ano escolar. 
Esta experiência tem sido vivenciada de maneiras muito diferentes por cada família...a maioria dos pais não são professores, muitos estão em teletrabalho, outros continuam a trabalhar fora de casa e vários têm mais de dois filhos nesta nova versão de ensino e, para estes últimos, vai a minha admiração e respeito porque, isso sim, deve ser complicado! 
Por aqui o drama é outro! A Nônô está a apreciar bastante o ensino à distância e nem quer é ouvir-me dizer que o Costa se precipitou com a decisão de manter as escolas fechadas até ao final do ano lectivo e, quando ouso opinar sobre o assunto, lança-me logo um olhar fulminante comparável aquele que recebo duns quantos que pensam que vamos todos "quinar" deste mal e mais dos outros que preferem ficar em casa com o ordenado reduzido do que no activo a receberem-no por inteiro. A única certeza que tenho é que mais depressa a enviaria para a escola do que permitiria que fosse inoculada com uma vacina desenvolvida em tempo recorde, até porque convenhamos não teremos uma vacina tão cedo e eu temo muito mais um novo pico da pandemia no próximo Inverno do que neste Verão.
A adaptação à nova realidade foi tranquila até porque a Nônô já estava habituada a um certo ritmo e horário de estudo em casa, pelo que só houve necessidade de ajustar o tempo estipulado para tal...contrariamente às opiniões de alguns "experts" na matéria que consideram contraproducente o estudo acompanhado das crianças e mais uns tantos que defendem que os alunos do 1º ciclo só devem brincar e praticar mil e um desportos até caírem para cima do prato da sopa à hora do jantar, a verdade é que dou por muito bem empregues todos os 30/45 minutos diários utilizados desde que iniciou o seu percurso escolar com o objectivo de incentivar, não tanto o estudo mas a concentração, que acaba por ser o maior dos desafios! Considero que a maioria das crianças não tem grandes dificuldades de aprendizagem, mas invariavelmente tem sérias dificuldades de concentração e tudo, mesmo tudo, é um óptimo pretexto para se distrairem...mas a concentração também se promove, treina e ensina, mas é preciso muuuuiiiiita paciência! Como já li por aí "se ao fim de uma semana de quarentena estávamos à janela a aplaudir os médicos, no fim disto tudo, estaremos de 3 em 3 horas a bater palmas aos professores".
O ensino é uma experiência enriquecedora e é apaixonante ver a evolução da escrita, o desenvolvimento do cálculo mental e a descoberta do meio ambiente, o que torna todo o processo de aprendizagem gratificante. 
O homeschooling sempre me despertou imensa curiosidade, não por defendê-lo ou por alguma vez o ter ponderado, mas porque um casal amigo o adoptou para os seus filhos e com resultados brilhantes. Claro que é um caso excepcional porque ambos os pais foram professores antes de terem outra actividade, o SUPERTMATIK, uns jogos didácticos que visam ensinar enquanto se brinca e que depressa conquistaram o mercado das escolas, com torneios e campeonatos pelo meio. Já temos o jogo de matemática, o de inglês e o de ortografia vem a caminho!
O meu respeito e admiração pelos professores não começou só agora. Sou filha de professora primária e tenho "discussões" quase filosóficas com a minha mãe que fica horrorizada com a letra da Nônô, mais concretamente com a falta do famigerado manuscrito nos seus textos; já para mim, a questão é secundária porque depende do método de ensino e porque a nossa letra muda ao longo da vida e eu nem me recordo da última vez que escrevi um "m" com três pernas, que rapidamente ficou reduzido a duas e, hoje em dia, foi substituído por um traço. Tenho plena consciência que assassinei a minha letra ao ponto de, em certos dias, ter dificuldade em decifrar o que escrevo...por isso, a minha exigência para com a Nônô, não se prende tanto com a caligrafia mas muito mais com a ortografia, e ela já sabe que só a largarei da mão quando não der erros de português (o que encaro quase como uma missão!), portanto há que testar, testar, testar, ou melhor, praticar, praticar, praticar!
Na escola da Nônô, a comandante dos pequenos "marujos" entrou de licença de maternidade em Janeiro, pelo que a nova professora entrou no barco já com a viagem iniciada, mas depressa ficou ao leme da embarcação e, nem mesmo a tempestade que ainda atravessamos nem o Cabo das Tormentas e mais o temível Adamastor abalaram o bote, cuja navegação segue de vento em popa, com a rota bem definida, a faina organizada e com a convicção que irá ancorar em segurança no 3º ano.
Estamos gratos à Carlota porque embarcou neste projecto e abraçou toda a tripulação com empenho e dedicação, como se o barco fosse seu desde a 1ª hora...tem sempre uma palavra de incentivo para as crianças, está sempre disponível para os pais, faculta propostas de trabalho diversificadas, providencia ferramentas para estarmos em permanente contacto, não descurando nunca a importância da socialização, ainda que virtual e, acima de tudo, zela para que esta vida de marinheiros não dê cabo de todos nós!
Para trás ficará uma viagem que todos desconhecíamos à partida e para a qual não houve planeamento possível nem tão pouco uma carta de navegação, mas será uma viagem marcante pelas amarras que criámos, pela aprendizagem inigualável a todos os níveis que nos está a proporcionar e seguramente será recordada com saudade por muitos alunos...por agora só temos a certeza que em breve dobraremos o Cabo da Boa Esperança e com uma alegria imensa vamos gritar: TERRA À VISTAAAA!

Ana Pádua
12/05/2020

#EstudoEmCasa

A obra "Terra à vista"
A Nônô e o 2º ano