segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Doçura ou travessura???

A Nônô delira com o Halloween e é assim desde os dois anos de idade...não sei de onde herdou este gosto porque na família ninguém tem paciência para "carnavaladas" nem tão pouco para "americanadas" importadas.
De princípio ainda pensei que fosse pelo teor de guloseimas e pela carga de chocolate associada a esta data ou até mesmo pelas cores alusivas a este dia como o roxo, o laranja e o preto que, por sinal, são as suas preferidas, mas depressa me apercebi que a Nõnô vibra mesmo com abóboras, bruxas, fantasmas, gatos pretos e acima de tudo com morcegos! Chega a ser cómico porque não lhe escapa nada que faça parte deste mundo assombrado e, como gosta tanto de doces e de pregar partidas, a comemoração é mesmo especial! 
Um dos primeiros objectos que teve relacionados com este tema assustador foram uns ganchos com uns morcegos que, por graça, comprei há uns anos atrás e que fazem sucesso até hoje...seguiu-se uma varinha com uma abóbora, umas asas e umas orelhas de morcego, um chapéu de bruxa, um fato ao estilo "thriller" (herdado do Antoninho) e a surpresa deste ano foram umas meias repletas de morcegos que estavam bem guardadas mas, não sei bem como, foram descobertas antes da data prevista e foi difícil convencer a Nônô a guarda-las até hoje, o dia das bruxas!
Eu sempre considerei um pouco estranho esta tradição pagã anteceder celebrações cristãs, ou seja, ser na véspera do dia de todos os santos e na antevéspera do dia dos fieis defuntos e, apesar da idade me ter feito compreender que a morte também faz parte da vida, continua a ser um tema do qual não gosto muito de falar e, por isso, nunca foi um assunto abordado com a Nônô que já conheceu pessoas maravilhosas que deixaram muitas saudades...reconforta-me saber que, ao desfolharmos os nossos álbuns de fotografias, ela tenha presente na sua memória o nome de todos aqueles que a amaram incondicionalmente, como o Victor, a Bea e a Paula e que, infelizmente, não puderam acompanhar o seu crescimento como eu desejaria...comove-me sempre e disfarço a lágrima que fica no canto do olho, mas faço questão de manter por perto alguns objectos oferecidos por esses amigos e salientar o quanto gostavam da Nônô.
Mas, não sei se correcta ou incorrectamente, a palavra morte sempre foi interdita cá em casa e o assunto até era um pouco tabu, tudo para não termos de explicar à Nônô, algo que eu considero que ela ainda tem muito tempo para tomar consciência, até ao dia em que passeávamos no parque e avistámos um pombo moribundo e eu apressei-me a dizer-lhe que o bicho estava a dormir, ao que ela me respondeu "Mãe, não está nada a dormir, está mesmo morto!". Eu fiquei mesmo foi sem "pio" por uns breves minutinhos até me lembrar de perguntar como é que ela sabia, ao que a Nônô me respondeu que tinha aprendido com o Ruca, esse estupor de boneco animado, a quem o respectivo paizinho resolveu explicar o assunto num episódio que me deve ter escapado!...
Por agora, enquanto a Nônô se prepara para visitar alguém e fazer as perguntas da praxe deste dia, como sejam "doçura ou travessura?" e "doce ou partida?" eu vou pegar na minha vassoura, encontrar o Ruca e o respectivo paizinho e pregar-lhes um susto de morte...

Ana Pádua
31/10/2016 

my little batwoman
morcegos...
morcegos...
...e mais morcegos
doçura...

...e travessura

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Nônô by Ana Mercedes

O programa preferido da Nônô é ir para a minha clínica, ou melhor dizendo, "clíquina" que é a palavra usada para se referir ao meu local de trabalho. É a única palavra que não consigo corrigir-lhe a fonética e, apesar das inúmeras tentativas que faço, a missão tem-se revelado impossível e é frequente a Nônô perguntar às pessoas se conhecem a minha "clíquina" e convidar quem se lembra para uma visita à "clíquina"...o pior é que mexe em tudo (no que pode e mais no que não pode), desarruma, considera-se "dona" do estabelecimento, diz às pessoas que é veterinária e, como se não bastasse, ainda se intitula doutora e já vai opinando qualquer coisa!...
Há uns meses atrás, conheci a Ana (por intermédio de uma amiga comum) e concordei em recebê-la na minha clínica onde ela precisava de estar algum tempo para poder concluir um dos muitos cursos que já tirou ao longo da sua vida...foi num daqueles dias para esquecer, mau para mim, pior para ela que logo na primeira abordagem ia ficando com a sua mãozinha na boca dum pitbull e, no meio dos acontecimentos desse dia, eu cheguei a pensar que nada ia dar certo, que o nosso entendimento não ia ser pacífico e que, em comum, só tínhamos mesmo o nome próprio...já passaram uns largos meses desde esse dia, muita coisa aconteceu e, apesar da Ana só estar presente um dia por semana porque tem outra actividade, a verdade é que as minhas 2as feiras nunca mais foram como dantes...
Descobri uma pessoa interessante e interessada, multifacetada e com inúmeras áreas de interesse, com imenso jeito para lidar com animais e pessoas, que adora fotografar e tem a técnica, o talento e o equipamento e faz umas sessões fotográficas descontraídas onde consegue captar naturalmente o melhor de cada momento e os interessados podem fazer marcações através do mail straubita@hotmail.com
Na última 2ª feira fui buscar a Nônô à escola e, para seu regozijo, fomos para o meu local de trabalho onde também estava a Ana que, nesse dia, vinha munida da sua câmara e quis fazer umas fotografias no jardim que fica nas proximidades da clínica. A Nônô nem sabia bem ao que ia mas, só de  imaginar que teria direito a uma volta no emblemático carrossel do jardim, o seu entusiasmo era grande e, por isso, nem pestanejou, deu a mão à Ana, olhou para trás com um sorriso contagiante, acenou-me entusiasticamente enquanto dizia "até já mãe!"
Não assisti à sessão, mas o mote foi mesmo a felicidade que nem mesmo a chegada do Outono conseguiu destronar, pois a alegria captada nas imagens e a satisfação com que ambas chegaram ao pé de mim, foi o suficiente para eu perceber que tinham sido momentos muito bem vivenciados e uma experiência a repetir...
À Ana  agradeço, não só a ajuda preciosa ao longo destes meses de partilha, aprendizagem e companheirismo, mas também a surpresa que me fez ao captar estas imagens de genuína felicidade...
OBRIGADO!!!

Ana Pádua
12/10/2016

Welcome Autumn

collecting...
...little moments
felicidade é...
amar...

sentir-se amada...

desfrutar cada momento...

e os pequenos prazeres...

...e, no fim de cada dia, agradecer!
OBRIGADO!!!

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

À procura de Nemo...

Setembro foi um mês de mudanças...foi o mês do regresso às aulas e foi precisamente a ocasião escolhida para a Nõnõ finalmente começar a pernoitar no seu quarto! Supostamente já devia estar no seu próprio aposento há 3 anos e meio (mais coisa menos coisa) segundo ditam as regras e os bons costumes, mas tal não aconteceu...primeiro porque eu gostava, segundo porque era cómodo e terceiro porque eu nunca encontrei o momento certo, mas a hora da mudança chegou, primeiro porque a Nônô já não cabia na cama de grades, segundo porque eu achei que era a altura certa e terceiro porque começou a dizer que só sairia do meu quarto aos 15 anos e comecei a assustar-me...
Cansei-me de ouvir variadíssimas teorias sobre o assunto, as mais diversas profecias e ainda os augúrios dos profetas da desgraça do costume, até que um dia uma amiga me deu isto para ler e, fiquei com a certeza que, se voltasse atrás, faria exactamente o mesmo erro...
Ao princípio parecia que ia ser tudo muito pacífico e a Nônô estava a adorar a ideia de ter a sua própria cama...a cama foi escolhida por ela, montada sobre o seu olhar atento e, como o estrado estava esgotado na altura da compra, a cama manteve-se semi-armada durante uma semana, numa espécie de processo de mentalização e, durante esse tempo, foi frequente observar a Nônô deitada no chão, rodeada pela estrutura da cama, como se estivesse a imaginar como seria a sua vidinha dali para a frente.
A noite que antecedeu o regresso às aulas foi a escolhida para a mudança e antevia-se maravilhosa...a Nônô adormeceu na cama nova, ansiosa por voltar à escola no dia seguinte e eu considerei que tudo era propício a mais uma alteração e, assim, resolvi substituir-lhe a velhíssima chucha por outra igual mas num estado de conservação consideravelmente melhor...ASNEIRA!!! Coloquei a chucha roxa num quadro onde estão todas as suas chuchas, deixei-lhe outra à disposição para qualquer eventualidade e um presente sobre a cama com um bilhete em nome do Anjo da Guarda e fui-me deitar com o pensamento "isto só pode correr bem!"...e correu até às duas da manhã, altura em que a criança acordou, apercebeu-se que a chucha não era a idolatrada e resolveu começar a chamar-me, a implorar pela chucha roxa e a dizer que queria ir para o meu quarto...e eu lá fui dizendo que o Anjo da Guarda até tinha deixado um presente para assinalar o momento, mas nada a demovia e, de madrugada, lá tive de desmontar o quadro com a sua colecção de chuchas, resgatar a chucha velha e colocar a Nônô na cama de grades e tentar que dormisse e me deixasse dormir...
Na noite seguinte, pensei: "vamos por partes, fica lá com a chucha velha mais um tempo, mas vais dormir à mesma no teu quarto, porque uma vez tomada uma decisão, não se pode voltar atrás!"... assim foi e, embora o processo não tenha sido tão rápido como eu esperava nem tão pacífico como eu desejaria, CONSEGUIMOS!!!
Gradualmente foi acordando cada vez mais tarde mas, mesmo assim, durante o último mês obrigou-me a levantar-me, no mínimo, uma vez por noite e, quando era abordada sobre o assunto, tinha uma desculpa pronta...ou era porque não tinha uma luz de presença (tinha várias, mas enfim!), ou era porque estava adoentada (não estava mas simulava!) ou era porque queria um candeeiro novo a imitar uma bola de espelhos muito 80`s (que viu numa loja e nunca mais se esqueceu!) e, sempre que eu tentava explicar-lhe todas as razões que estavam na base da necessidade da mudança, limitava-se a dizer uma frase que me soava tão familiar "não quero mais conversas sobre este assunto! "...
Depois começou a dizer que queria um peixe para lhe fazer companhia e foi aí que fizemos um acordo...a primeira vez que dormisse uma noite in-tei-ri-nha no seu quarto, teria o desejado peixe!
Ainda vacilei porque não acho a mais pequena graça a peixes, cuja mortalidade é elevada e, ao mais pequeno descuido, "quinam" empanturrados ou à fome ou de causas naturais, para além da minha experiência com estes seres, ser para lá de traumatizante e só me vinha à memória um dos gatos que tive pendurado no aquário a tentar assassinar um dos peixes que me ofereceram (o que acabou por acontecer"!) e pior, lembro-me do meu irmão mais velho (que na altura julgava-se piscicultor) quase ter ficado electrocutado e agarrado a um aquário...portanto, de peixes só queria mesmo distância, excepção feita ao belo do robalo grelhado e escalado!
Mas a verdade é que já estava por tudo e, assim, não quebrei o pacto e a chegada do novo membro à família foi preparada ao pormenor...o aquário foi cedido pelo tio Zé (que tem um arsenal invejável para qualquer apreciador destas espécies) e fomos à praia apanhar pedrinhas e mais conchinhas para recriar um habitat condigno e ainda juntámos mais uns peixes de plástico para que o original se sentisse acompanhado e, como o prometido é devido, a primeira vez que a Nônô dormiu a noite inteira na sua cama, lá fomos nós à procura do Nemo, da Dory, ou melhor, do Coraçãozinho que foi o nome escolhido pela Nônô para o (in)feliz contemplado desta pequena mas GRANDE vitória!...


Ana Pádua
30/09/2016
Nônô e Coraçãozinho
o presente do Anjo da Guarda...

...e a respectiva mensagem 

back to scholl 2016

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Até já escola, vamos ter saudades tuas!!!

A Nônô está oficialmente de férias e hoje foi o seu último dia de escola, a escola que adora, da qual diz frequentemente ter saudades e para a qual está sempre disposta a ir e isto é, sem sombra de dúvida, o melhor indicador de que a opção no que toca ao estabelecimento de ensino foi a mais correcta. Foi a escola escolhida, a escola que sonhei que a Nônô frequentasse, a escola que mais parece uma família numerosa, a escola que faz questão de integrar a diferença, respeitando a individualidade de cada indivíduo e cujo método de ensino é baseado no Movimento Escola Moderna (MEM). O modelo pedagógico assenta na formação e socialização democrática (não anárquica), onde há um horário e uma estrutura mas, dentro dela, há liberdade para se ir construindo o conhecimento. As crianças são incentivadas na aprendizagem através do diálogo, da pesquisa, da descoberta e da interpelação, tendo uma atitude mais activa na procura do saber para que se tornem mais interventivas e aprendam a questionar; aprendem também a trabalhar a criatividade e a auto-estima, o espírito crítico e a cidadania, a liberdade e a responsabilidade. Nesta espécie de "pedagogia do amor", mais do que o sucesso, trabalha-se o afecto porque acredita-se que preparar crianças para a vida com o objectivo de serem bem sucedidas, não é só prepara-las tecnicamente, mas ensina-las a serem felizes e realizadas.
Constou-me que a Nônô tem um certo jeito para as artes e decerto não herdou a minha veia artística que quase me impede de fazer duas linhas rectas equidistantes, mas como actualmente o seu programa televisivo favorito é o Art Attack e, apesar de eu já não suportar ouvir a voz do Salvador e mais do Vicente Van Coco, a verdade é que já aprendi a fazer qualquer coisita de trabalhos manuais...
Na memória ficará a primeira letra que a Nônô escreveu e que orgulhosamente mostrou...por sinal um "A" e disse logo que era um "A" de "ANA", de" AMOR" e de "AMIGO" e na ardósia do seu quarto continua a frase "Eu gosto muito da Nônô" que há uns meses eu escrevi e que, para meu espanto, a Nônô soletrou palavra por palavra enquanto as apontava com um ponteiro, o que me deixou incrédula, radiante de felicidade e com vontade de espalhar a notícia ao mundo...contive-me mas, mesmo assim, fiz uns telefonemas, enviei alguns sms e mais uns tantos WhatsApps. Obviamente que ainda não sabe ler, mas identifica muitas palavras e então quando se referem a algo que particularmente goste, como é o caso de supermercados, McDonald´s, coca-cola e afins, parece mesmo letrada!
Foi um ano de transição que, embora já seja considerado pré-escolar, foi sem dúvida a ponte segura para os tempos que se avizinham...no próximo ano lectivo, a turma da Nônô vai ser dividida e ambas as partes irão integrar salas heterogéneas, onde conviverão com crianças de 4, 5 e 6 anos e será assim nos próximos dois anos até ingressar no 1º ciclo. A Nônô deve apreciar a experiência porque adora crianças mais velhas e eu estou expectante para ver a sua reacção e adaptação...claro que teremos saudades dos colegas que ficarão na outra sala e que desde o início do percurso escolar da Nônô também fizeram parte da nossa vida e continuarão a fazer porque estarão por perto, mesmo na sala ao lado e continuarão a conviver, a brincar e a crescer juntos; quanto aos restantes colegas, seguirão ainda mais próximos da Nônô e, para seu regozijo, um deles é o seu ombro amigo desde o 1º dia de escola, o companheiro de todas as horas, o menino que a recebe todos os dias com um abraço apertado e um beijo ternurento e ultimamente até lhe ia buscar o chapéu para a proteger do sol (só faltava mesmo oferecer-lhe flores!) e, assim que eu me despedia da Nônô, ele encarregava-se de acarinha-la como se lhe dissesse "estou aqui para ti!", porque quem ama cuida, protege e transmite segurança.
Mas vamos ter saudades da Puri, a educadora que todas as crianças deveriam conhecer e pelo colo de quem já passaram inúmeros meninos e, apesar de muitos deles já serem adultos, continuam a visita-la e a falar dela com o mesmo carinho com que a Nônô fala e também vamos ter muitas saudades da simpatia e doçura da Carla que deve ser a única pessoa que consegue fazer com que a Nônô coma a sopa sem pestanejar ...
Por agora a Nônô está de férias (em breve estaremos!) e tudo o que ansiamos é goza-las da melhor maneira possível e isso obrigatoriamente tem de englobar sol, areia e água!
Até já escola, vamos ter saudades tuas!!!

Ana Pádua
29/07/2016
  
"A ortografia é uma coisa mínima, ridícula, em relação à escrita. É a escrita, como discurso crítico, que pode mudar as pessoas e o mundo"  
Sérgio Niza, fundador do Movimento Escola Moderna 


oficialmente de férias...

domingo, 26 de junho de 2016

1, 2, 3 e...4!

Hoje, aqui por casa, é o dia mais importante do ano e é assim de há 4 anos para cá! É dia de festejarmos o aniversário da Nônô para quem a vida é uma festa constante e ansiosamente esperava por esta data...
Tem uma pressa de crescer assustadora e quando lhe perguntamos o porquê de querer crescer, responde sempre que é para ter um bebé...a primeira vez que ouvi isto até deitei as minhas mãos à cabeça porque é uma daquelas respostas que assusta qualquer um, principalmente quando temos a certeza que em casa NUNCA ouviu algo semelhante. Eu digo-lhe sempre que os bebés são muuuiiiito chatos e dão muuuiiiito trabalho que é para dissuadi-la destas ideias precoces, mas depois de ouvir centenas de vezes a mesma resposta e de muito pensar de onde lhe surgiria esta ideia peregrina, lá me tranquilizei  porque penso que a história do bebé se prende só com a ideia de ter um ser mais novo em quem pudesse mandar e exercer um pouco do seu lado ditador até porque a Nõnô é ciumenta (muuiiiito!) de tudo o que seja criança e, só a título de exemplo, eu estou proibida de chamar "querido" ao António que é filho da minha amiga Paula porque, segundo a Nônô, "querida" é ela e também já me disse que não quer que eu trate o miúdo por Antoninho pois, aos seus ouvidos, deve soar a algo também carinhoso...e isto é só uma pequena amostragem da ciumeira porque, quanto à Madalena, que é filha de outra amiga, está sempre a ordenar à mãe da criança que a ponha na cama, justificando que a pequena deve estar com sono e quando se apercebe que vamos sair com a tia Tacha e com a sua filha, sugere que a bebé fique em casa à guarda da Maggie que é o cão da família...enfim, para cada "problema", a Nônô encarrega-se de encontrar uma solução à altura do acontecimento e o seu poder de argumentação chega a ser desconcertante!
As suas amigas do peito têm uns bons anos a mais que ela e simplesmente são idolatradas pela Nônô porque lhe dedicam toda a atenção; quis o destino que todas nascessem no mesmo dia e, portanto, hoje a Nônô soprará 4 velas, a Caetana 9 e a Carolina 16 e eu espero que sejam todas muito felizes e que a sua amizade perdure no tempo tal como a que me une às famílias que hoje também estão em festa.
Mas o ente querido da Nônõ é, sem sombra de dúvidas, o tio João, que já teve o cognome de super-tio mas a quem ultimamente decidimos tratar por "tiozinho" (ciumeira,claro!) porque, quando o meu irmão chega, pára tudo e, quando digo tudo, é mesmo t-u-d-o!...e é tudo para dar ao tio, tudo para mostrar ao tio, tudo para fazer com o tio, tudo para dizer ao tio e tudo para brincar com o tio...e o resto da família que se dane!
É teimosa, muito teimosa, aliás em termos de teimosia bate-me aos pontos (o que não é nada fácil!) e palpita-me que vai dar muito trabalho, mais do que a prima Pipa deu, ainda dá e todos desejamos que brevemente deixe de dar!
Gosta muito da natureza e de todos os animais e ultimamente lembrou-se de pedir um cão (que vai ter de esperar!) e convictamente diz-se veterinária (que também vai ter de ser trabalhado para inversão ideológica).
É fascinada pelos bombeiros e adora médicos...seguramente que quando crescer vai fazer parte daquele grupo de pessoas cujo hobby é "checar-se" da cabeça aos pés e, quando o processo termina, começa a fazer exames dos pés à cabeça...adora o pediatra (a quem chama o médico dos livros :-)), simpatiza com a oftalmologista (que trata por doutora brinquedos) e até as enfermeiras do centro de saúde já lhe caíram na graça e, como o seu comportamento é invariavelmente exemplar, recebe sempre os mais rasgados elogios, o que a enche de orgulho e contribui para que frequentemente me peça para lhe marcar consultas para os olhos, para os ouvidos, para as alergias e para mais tudo o que se lembre no momento. As batas brancas nunca a intimidaram e uma das últimas frases que ouviu dum médico foi "haja alguém que goste de nós!"...
É tagarela e expõe as suas ideias de um modo que envergonharia qualquer Jorge Jesus, "rouba-me" imensas expressões e já se apercebeu que o meu discurso é frequentemente pautado por tópicos (tipo ponto nº 1: vais lavar os dentes, ponto nº 2: vais vestir o pijama e ponto nº 3: vais para a cama), pelo que, no outro dia, a caminho de casa, disse-me "Mãe, ponto nº 1: a camisa do António já não me serve, ponto nº 2: este gancho não me segura o cabelo e ponto nº 3: preciso ir ao CascaiShopping" e eu pensei "Meu Deus, a criança está a falar como eu...PERIGO!!!"
E é assim a Nônô nos seus 4 anos, a filha que já se apercebeu que lhe acho a maior das graças e que sou de riso fácil, portanto, quando faz disparates e o caso não é para brincadeiras, ela olha para a minha cara séria e diz "ri-te, ri-te, ri-te mãe, por favor!"
Parabéns minha querida (é assim que gostas de ser tratada!) e que continues a rir e a fazer-nos rir por muitos anos porque a vida tem de ser mesmo uma festa!...

Ana Pádua
26/06/2016

4 anos...


...e a vida é uma festa!

quarta-feira, 8 de junho de 2016

O anjo da guarda...

A imaginação das crianças não tem limites e, de vez em quando, a dos adultos também não!
No meu caso particular, já perdi a conta às vezes que tive de dar boleia ao Panda e partilhar a minha vida com os Caricas, que é o mesmo que dizer dar banho à Clarinha, o jantar à Pipa, um raspanete ao Matias ou um berro ao Pedro e tudo porque a Nônô insiste em trazer para dentro de casa estas "adoráveis" criaturas...a avó Nhõnhõ não gosta nada deste tipo de ficção e já fez saber que o Panda e os Caricas não entram em sua casa (que até tem sempre as portas abertas a todas as pessoas!) e tivemos de respeitar a decisão.
Com quase 4 anos, é natural que a criança ainda tenha alguma dificuldade em separar a realidade da fantasia, bem como perceber e aceitar algumas rotinas; por exemplo, para a Nônô sempre foi complicado compreender o facto de adormecer na minha cama (sim, sim, não é o mais correcto mas é o que se arranja!) e acordar na dela e, de algum tempo a esta parte, começou a questionar-me sobre este assunto e outros tantos...
Tive a consciência que se lhe dissesse a verdade, verdadinha, iria cair-me em cima e, caso atribuísse responsabilidades aos seus amigos imaginários, encomendar-lhes-ia um sermão com missa cantada, por isso, encontrei no anjo da guarda o meu melhor aliado, até porque não há ninguém melhor para zelar pela sua segurança e bem estar e, deste modo, quando a Nônô adormece, o "anjinho" coloca-a na sua própria cama, tapa-a, aconchega-a e da-lhe um beijinho enquanto lhe deseja uma noite descansada.
Mas o anjo da guarda também é guloso e, pela surdina da noite, depois de desempenhar todas as funções que lhe estão atribuídas e o trabalhinho ser dado como concluído, não resiste ao pecado da gula e ataca as guloseimas da Nônô...o pior é quando o dia nasce e há invólucros de chocolate espalhados pelo sofá e embalagens de gelados vazias na cozinha e mais pacotes de bolacha em cima da mesa mas, mesmo perante este cenário devastador, a criança aprendeu a não resmungar ou questionar a protecção divina...
Claro que já me disse várias vezes que nunca o viu, que gostava de conhecê-lo (o nome dele julgo ser Gabriel no catolicismo ou Haaiah quando a "coisa" puxa para o esoterismo!) e até já disse à avó Nhõnhõ que o anjo da guarda comeu muitos dos seus ovos da Páscoa, que adora os mesmos gelados que ela e devora alguns chocolates que estão lá por casa mas, como ao "anjinho" tudo é permitido, o "crime" passa impune...até porque a Nônô sabe que ele é seu amigo e está sempre disposto a cuidar dela, a elogia-la pelos seus feitos e conquistas, a ajuda-la a progredir, bem como a presenteá-la quando o seu comportamento é exemplar. E assim, foi com orgulho e satisfação que, no dia 20/05, as fraldas nocturnas passaram também a fazer  parte do passado e a Nônô encarregou-se de espalhar ao mundo que o anjo da guarda  tinha deixado uma nota na minha carteira para comprarmos um presente porque já não fazia xixi na fralda e lá fomos em busca de uma lembrança para assinalar a data...
Brincadeira à parte, espero que a Nônô tenha sempre no céu um anjo da guarda para proteger e iluminar a sua vida, mas é tão bom termos um "anjinho" na terra personificado na figura do pai ou da mãe!...

Ana Pádua
08/06/2016 

a "anjinha", o quadro...


...e a oração