quinta-feira, 10 de março de 2016

Sentido Obrigatório

A Nônô sempre gostou de carros e, caso lhe fosse permitido, passaria grande parte do seu tempo a mexer em tudo o que são chaves, comandos, botões e mais o que houver para explorar dentro de um veículo...já não acha graça nenhuma a manter-se sentada na sua própria cadeira e o pior é que aprendeu rapidamente a tirar os cintos de segurança e temos de ter um cuidado redobrado quando viajamos. Todos os dias pergunta quando é que pode viajar num dos lugares dianteiros e eu respondo-lhe sempre que só quando tiver a idade das primas e veremos se a criança se mentaliza que ainda tem de crescer um bocadinho assim...
Um dos seus hobbies preferidos é sentar-se com o pai ao volante do carro e imaginar-se a conduzi-lo e já chegou mesmo a pedir um automóvel para si própria mas, por enquanto, tem de contentar-se com outro tipo de veículos e já passou por um triciclo, por uma trotinete, por uma bicicleta sem pedais (daquelas que visam promover o equilíbrio mas, quando as crianças ainda não o têm, caiem que nem tortas e, quando já não caiem, também já não precisam daquilo para nada!) e, por último e para seu regozijo, herdou a "bicla" do primo...a bicicleta ainda é alta para a Nônô e, apesar de ter rodinhas atrás, já estão todas empenadas e mal tocam o chão, por isso, eu nem percebo como é que a criança se equilibra, mas a verdade é que está imparável!
Da avó Nhõnhõ recebeu o cartão acp junior e, a partir desse momento, a Nônô passou a achar-se totalmente encartada e, como o referido cartão tem inúmeros descontos e vantagens em escolas, creches e ATL, livrarias e papelarias, parques temáticos, restaurantes, museus e teatros, a sua felicidade é ainda maior.
De vez em quando, a Nônô também comete a sua infracçãozita e gosta tanto de usar capacete como eu gosto de usar o cinto de segurança...(in)felizmente o meu carro não veio artilhado com aqueles dispositivos que imitem uns avisos sonoros para lá de irritantes que só cessam de nos azucrinar o cérebro quando somos fiéis cumpridores das normas de seguranças e a minha transgressão já foi severamente punida (e doeu!); não sei se a minha relutância se prendia com a sensação de liberdade, com o  incómodo do "põe cinto / tira cinto" nas pequenas distâncias ou com o facto da minha carta ainda ser do tempo em que esta obrigatoriedade não se aplicava às localidades, só sei que deve ter sido a regra que mais transgredi em toda a minha vida!
A última descoberta da Nônô foram os sinais de trânsito e eu que, ao volante, já tenho uma certa tendência a distrair-me com um simples raio de sol, passei a ter uma condução que se desdobra diariamente entre a concentração que me é exigida para o efeito e a atenção dispensada à minha "aluna" durante as nossas autênticas aulas de código...a Nônô gosta de jogar ao "jogo dos sinais", um jogo apelidado e imaginado por ela e que basicamente consiste em identificar os sinais de trânsito que nos vão aparecendo pela frente ao longo do nosso percurso...o STOP, o sentido proibido, a passagem de peões, a proximidade de escola, a proibição de ultrapassar, os vários perigos (lomba, curva), o estacionamento para pessoas portadoras de deficiência, a perda de prioridade e a sinalização de rotunda são alguns exemplos, mas o que mais gostamos de ouvi-la adivinhar são os sinais com a limitação de velocidade porque, atendendo à diversidade dos mesmos, a Nônô resolveu simplificar o código da estrada e limita-se a dizer "proibido circular a mais quilómetros por hora"...
...mas o que realmente desejamos é que o Sentido Obrigatório da sua vida seja rumo à FELICIDADE!...

Ana Pádua
10/03/2016

Sentido Obrigatório: FELICIDADE
a pequena "infractora"

cartão acp junior




sábado, 6 de fevereiro de 2016

Sweet little butterfly

Com a devida antecedência, perguntei à Nônô que máscara gostaria de usar no Carnaval e a tarefa começou a revelar-se complicada porque, a cada dia que passava, a criança desejava encarnar uma personagem diferente...
Começou por pedir um disfarce de bombeira e, apesar de todo o meu esforço para conseguir encontrar um equipamento de soldado da paz à sua altura, a minha busca foi inglória e a justa homenagem a uma das profissões que mais prezo e admiro teve de ficar adiada, mas o que de verdade importa é que, para a Nônô, os bombeiros são verdadeiros heróis, embora ainda viva na ilusão que o seu trabalho se resume apenas ao resgate de gatos do cimo dos telhados ou do topo das árvores...
A segunda opção era mascarar-se de veterinária e não estranhei o seu pedido porque, além da sua conhecida paixão por animais (principalmente gatos) e da sua admirável colecção de estetoscópios (palavra, segundo ela, muito difícil de pronunciar), a criança, ao ouvir da boca de quem quer que seja o termo "doutora", diz sempre "eu também sou doutora!"...e, como leva bem a sério o assunto, na sua última consulta de oftalmologia e perante o pedido da médica para que identificasse os animais projectados na parede do consultório, limitou-se a responder-lhe "eu sou veterinária!", com o mesmo ar de quem diz "não queiras ensinar a missa ao Papa". A juntar a este lindo quadro, sempre que alguém lhe pergunta o que quer ser quando crescer, a Nônô fica indignadíssima e responde "eu JÁ sou veterinária!", o que é assustador, não só pela profissão em si (que é tudo o que secretamente desejo que não siga) mas porque começou a interiorizar que, antes de ser, já o é, e isto já lhe valeu mesmo o título de "Pequena Relvas", tudo nos levando a crer que, à semelhança do "Sr Engenheiro" que outrora tivemos à frente do destino da nação, também só lhe deva faltar o inglês técnico para concluir a sua licenciatura...
Seguiu-se o desejo de mascarar-se de bailarina para poder ostentar um tutu, dançar e encantar toda uma plateia imaginária, enquanto sonhava com os aplausos no final do espectáculo, ao cair do pano...
Por último, voltou-se para a natureza e ficava uma graça com o fato de joaninha que a "tia" Tacha lhe emprestou mas, à última hora, lembrou-se que queria ser uma borboleta para colorir o céu enquanto voava e eu é que tive de dar assas à imaginação até conseguir descobrir algo que correspondesse à expectativa desta "sweet little butterfly"...

Ana Pádua
05/02/2016

sweet...
...little...

...butterfly

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Recado ao Pai (Natal)...

O Natal já passou, mas o Pai Natal ainda anda por aí e, antes que o ano termine e ele regresse à Lapónia, queremos deixar-lhe um recadinho...
Este ano, à semelhança dos anos anteriores, na noite da consoada, o Pai Natal apareceu, mas começou logo mal porque mais parecia estar possuído quando bateu à porta...eu sei que não estávamos em Cascais, que estava um frio de rachar na rua, mas não era necessária tamanha violência para conseguir entrar na casa das pessoas...é que a tão desejada visita mais parecia um assalto!...
Depois ainda tivemos a questão da voz...é que o "velhote" esteve quase a ser desmascarado porque, quando não se consegue mudar a voz, o  melhor é mesmo ficar calado ou limitar-se a dizer o célebre "OHOHOH", antes que o encantamento dê lugar à desilusão e a magia do momento desapareça...
Como se isto não bastasse, quando o Pai (Natal) começou a distribuir presentes pelos mais novos e, no meio dos presentes que a  Nônô tanto gostou, vinha algo que a deixou perplexa...um equipamento completo do Sporting! Claro que a reacção da criança não se fez esperar e as suas frases surgiram em catadupa e por esta ordem "o que é isto???", "o Pai Natal é tonto!!!", "Eu não pedi isto!!!", "O Pai Natal enganou-se, eu sou do Benfica!!!" e, enquanto fazia um esgar de repúdio e dizia "biiiieque", pegou no presente e atirou-o para trás do sofá enquanto ordenava "LIXO!".
A Nônô é natural de Benfica, nasceu nas proximidades da estrada da Luz, tendo partilhado durante uns dias o mesmo hospital com o Pantera Negra (que nesse altura estava lá internado), portanto a ordem natural das coisas é que o SLB seja o clube do seu coração, aliás sempre que vislumbra o estádio da Luz é frequente dizer "eu nasci aqui!"...bom, não foi bem ali, mas foi ao lado e o que realmente importa é que a sua verdadeira essência é  benfiquista! 
Quanto ao Pai (Natal) e, dada a cor da sua indumentária, também tudo aponta para que seja do glorioso...
Eu sei que é muito feio rejeitar presentes e que a educação passa pelos pequenos gestos, mas convenhamos que desta vez o Pai (Natal) "esticou-se" e...quem faz o que quer, ouve o que não quer!...
Também sei que o Sporting agora até tem um "Jesus" que de "menino" tem muito pouco, aliás o nome Judas assentava-lhe muito melhor, mas como estamos numa época de paz e amor, perdoar também deve fazer parte das nossas melhores  intenções...
...e que  2016 seja um ano muito feliz para todos!!!

Ana Pádua
31/12/2015

o que pediu e o que não pediu...

...e para que não restem dúvidas...

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Na volta do correio...

Já estamos "embalados" para o Natal...a árvore já foi montada, o presépio nunca deixou de estar armado e até a pequena lembrança para o Pai Natal não foi esquecida, sim porque ele vem mesmo à nossa casa!...nuns anos, o "velhote" é mais divertido, convive connosco e até tiramos umas fotografias com ele para imortalizar o momento, noutros anos, é mais tímido, toca à campainha, despacha o serviço e põe-se a andar, basicamente tudo depende da personalidade do voluntário à força que, na noite de Natal, está disponível para este papelaço...eu tenho a minha preferência, mas nunca digo a ninguém para não ferir susceptibilidades, para não parecer tendenciosa e, acima de tudo,  para ver se me calha alguma coisa no sapatinho...
Este ano, a Nônô não estava com grande pressa em escrever a carta ao Pai Natal (deve ter herdado da família a tendência para deixar tudo para a última hora!), mas lá se decidiu...primeiro ditou e eu escrevi, depois eu li em voz alta e a Nônô transcreveu para um papel com a sua caligrafia e, por fim, foi tudo posto num envelope e endereçado ao Pai Natal e a carta só não foi posta no marco de correio mais próximo, porque os CTT têm mais que fazer nesta altura do ano que andar a brincar ao imaginário dos mais pequenos e, por isso, a correspondência em vez de seguir para a Lapónia, foi directamente para a nossa caixinha das recordações, até porque a Nônô há algum tempo que encontrou uma forma mais divertida e eficaz para expressar os seus desejos e ver realizados os seus sonhos...
Assim, é só vislumbrar um lago, uma fonte, um fontanário ou, na pior das hipóteses, qualquer água estagnada e, qual apaixonada diante da Fontana di Trevi, desata a pedir moedinhas para lançar à água, sempre acompanhadas de um desejo que faz questão de me segredar ao ouvido, na esperança que eu o comunique ao Pai Natal...apesar da Nônô não ser de pedir este mundo e o outro, é de ideias fixas, e os seus pedidos nunca variam muito e englobam sempre um menino para brincar (que só pode ser um Nenuco, embora ultimamente se lembre de pedir uma "mana" de nome Francisca), um skate (que o Pai Natal seguramente não encontrará porque não queremos acabar 2015 nas urgências hospitalares) e a "Ritinha gatinha e caminha" que é uma boneca que, além de gatinhar e andar, eu desejo secretamente que não se atreva a falar!
Mas o que realmente a Nônô esperava todos os dias era receber novidades na volta do correio, porque a cada vez que eu verificava a correspondência, a criança ficava indignadíssima por nunca haver uma única cartita endereçada a ela...todos os dias o ritual se repetia, pedia a chave para abrirmos a caixa do correio, conferia todas as cartas e a desilusão apoderava-se dela...mas ontem houve uma surpresa e o Pai Natal escreveu-lhe um postal onde tecia rasgados elogios ao seu comportamento, o que a deixou muito orgulhosa e o delírio foi total quando se apercebeu que o postal vinha acompanhado por um presente antecipado de Natal...bilhetes para o Festival do Panda!...e é assim, quando menos esperamos, a magia do Natal acontece!!!

Boas Festas para todos, um Santo Natal e um Próspero Ano Novo!

Ana Pádua
21/12/2015 

o postal do Pai Natal...

o presente inesperado...

...e a volta do correio
mais uma moedinha...
...mais um desejo...

...e mais um sonho

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

O circo

Este fim-de-semana fomos a um espectáculo que nunca me cativou, o circo! Mesmo em criança, nunca me senti fascinada com as actividades circenses e, com o avançar da idade, fui criando uma espécie de aversão em relação às mesmas...temia pela integridade física dos trapezistas, enervava-me a possibilidade de falhanço dos malabaristas, não achava particular graça aos palhaços, não me impressionava com os truques dos ilusionistas e, acima de tudo, o cativeiro e a domesticação dos animais na base do reforço positivo nunca me convenceu...
Por tudo isto, ainda não tínhamos decidido ir ao circo com a Nônô, mas no Sábado fomos "apanhados na curva" ao sermos surpreendidos com uns convites para o circo internacional que está no Coliseu de Lisboa e aceitámos sem pensar, até porque se tivéssemos pensado não teríamos aceite e, se não tivéssemos aceite, teríamos perdido um magnífico espectáculo...os trapezistas tinham rede e estavam agarrados a cabos para sua segurança, os malabaristas foram incríveis e não falharam, os ilusionistas fizeram a magia do Natal acontecer, os palhaços deliciaram as crianças e a inexistência de números com animais foi louvável! À parte disto, elegemos o momento de fantasia feito com bolas de sabão, cujo efeito é indescritível por palavras, o ponto alto do espectáculo...a Nônô, que é viciada em fazer bolinhas de sabão, ficou deslumbrada e, decerto, vai querer um kit semelhante para tentar fazer o que tanto apreciou.
Mas o nosso dia não foi só circo e aproveitámos esta ida até Lisboa para desfrutar da capital que está transformada numa cidade fantástica cheia de movimento, animação e imbuída de um espírito natalício ao qual ninguém fica indiferente...ainda passeámos pela Avenida da Liberdade (onde assistimos à maratona que por lá passava), pelos Restauradores (onde tivemos de experimentar a "Padaria Portuguesa"), pelo Rossio, pelo Chiado e pelo Príncipe Real onde ficámos surpreendidos com tudo o que vimos e só ficou mesmo a vontade e a promessa de voltarmos em breve...
Obrigado "tia" Carolina e "tio" Pedro por proporcionarem esta experiência tão enriquecedora à Nônô que é sempre a estrela da nossa companhia!...

Ana Pádua
14/12/2015

a estrela da companhia
à entrada para o Coliseu...
no meio da maratona...
...na Padaria Portuguesa

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Um Domingo radical

Este ano, o verão de São Martinho superou todas as expectativas e eu não tenho memória de em Novembro pôr os pés na praia nem tão pouco constatar que a temperatura da água do mar pode ainda estar tão agradável...
A Nônô herdou de mim o gosto pela rua e um só dia enclausuradas em casa provoca--nos uma tremenda falta de ar, pelo que actividades ao ar livre são o melhor programa que lhe podemos proporcionar. Assim sendo, sábado e domingo são sempre dias de actividades outdoor, quase sempre acompanhadas por um dos seus três veículos...a par da sua cadeira de passeio que nunca amou, tem uma bicicleta que eu não amo e uma trotinete que veio colmatar o seu eterno sonho de ter um skate...
Quanto à cadeira de passeio, o seu uso sempre foi muito reduzido, porque assim que começou a andar, conseguir manter a Nônô na cadeira revelou-se uma missão impossível porque o seu desejo de independência e a sua ânsia de autonomia superavam em grande escala o seu cansaço e, actualmente, só quando prevê que o passeio será uma autêntica maratona, é que pede que levemos a cadeira porque segundo ela "está cansada das pernas".
Em relação à "bicla" que é a versão rufia utilizada pela Nônô para designar a sua bicicleta, a qual nem é digna deste nome porque não tem pedais e, ao que parece, o único objectivo desta invenção é favorecer o equilíbrio, mas a verdade é que quando as crianças ainda não têm equilíbrio estão sempre a cair destes magníficos velocípedes e, quando já o têm, desequilibram-se na mesma e estão sempre no chão, por isso, as ditas "biclas" são um pesadelo e eu estou sempre na esperança que a Nônô não se lembre que tem uma...
Mas quando a Nônô se apanha na sua trotinete é vê-la lançar-se ao mais alto estilo e, quando atinge a velocidade desejada, salta para cima da prancha e a sua máxima é "saiam da frente que aqui vou eu!". Claro que de vez em quando também sai um trambolhão e ontem, devido às irregularidades do piso, deve ter batido todos os recordes de quedas mas, qual "cool girl", depressa se ergue e, sem uma única lágrima para dramatizar o momento, sacode as mãos enquanto diz "acontece", apanha a trotinete da chão, começa a dar impulso e depressa ganha novamente velocidade...
...e a avaliar por todos os sorrisos que lhe ofereceram aqueles que por ela passaram e obrigatoriamente tiveram de desviar-se da sua trajectória, só pode estar no bom caminho!...

Ana Pádua
16/11/2015

my little cool girl
...alguém terá de desviar-se...

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Trouble twos, terrible threes or terrific teens?

"Trouble twos" é a expressão utilizada habitualmente para designar a idade que medeia os 2 e os 3 anos....e não é por acaso!
Mais do que uma idade, é um estado de desenvolvimento caracterizado por mudanças bruscas de temperamento e marcado pelo uso abusivo da palavra "NÃO"; representa a fase em que a criança começa a debater-se com o forte desejo de independência e com o adquirir de opinião própria, embora muitas vezes não tenha essa consciência ou percepção, o que conduz a raciocínios não coerentes, falhas no diálogo, frustrações e, inevitavelmente, dificuldade no controlo dos seus sentimentos e emoções.
O 1º ano de vida da Nônô implicou uma adaptação a muitos níveis mas, cólicas à parte, foi maravilhoso; do 1º para o 2º ano e, excepção feita  à saga da erupção dos dentes que me proporcionou inúmeras noites em claro, tudo foi perfeito! Assim que completou os 2 anos, a Nônô passou a dormir a noite inteira, mas os dias passaram a ser bem turbulentos...foi a idade mais exigente, onde a paciência é constantemente testada até ao limite e não é fácil, nada fácil, gerir os conflitos das crianças nesta faixa etária. Com os 3 anos veio a bonança, pelo menos aparentemente...a Nônô percebeu que não vive numa anarquia e que existem regras que convém serem cumpridas, o que tornou a vida de todos, incluindo a dela própria, num lugar muito melhor! Agora e até ver, vamos navegando em águas serenas e já merecíamos estas tréguas depois de um ano intenso e desgastante, onde investimos muito tempo e esgotámos quase por completo a paciência...
Às vezes temos de negociar (vulgo chantagear) um bocadinho, mas a verdade é que já é tudo bem mais pacífico...ainda lidamos com um esporádico mau génio, indicativo de um feitiozinho que se prevê difícil e desafiante, sempre acompanhado de um poder de argumentação que nos desconcerta e, ultimamente, quando a Nônô está chateada com a própria vidinha, ou seja, quando é contrariada, começa a emitir uns sons tipo "uuum" "uuum" "uuum" que me arrancam sempre um sorriso dos lábios porque só me fazem lembrar aqueles resmungões de idade avançada que passam o dia a rezar baixinho...
Durante o último ano, reconfortaram-me as palavras de duas amigas que me garantiram que era só uma fase e que iria passar; ambas são mães de dois rapazes que actualmente têm 9 anos, um comportamento exemplar e uma paciência infinita para a Nônô, mas que há meia dúzia de anos atrás, deviam andar a rasar a hiperactividade...ainda me lembro de um célebre jantar em que uma dessas criancinhas não deu descanso e não parou um segundo sossegada...saltava do chão para a bancada da cozinha, da bancada da cozinha voava para para cima das cadeiras, das cadeiras esgueirava-se para a mesa de jantar, da mesa de jantar pulava para o sofá e testava até ao limite a resistência das suas molas, para depois aterrar no jardim e, entre pinos, rodas, cambalhotas e flic-flac, transpirava por todos os poros e mais algum e ainda resolveu ir passear os cães que chegaram a casa extenuados e o miúdo ainda tinha energia suficiente para alimentar uma cidade...só sei que no fim da noite, todos os presentes estavam exaustos só de o observar e eu percebi a razão da mãe estar no osso e o pai implorar por ansiolíticos.
Quanto à Nônô, ainda lhe faço um bocadinho de marcação cerrada e há uns dias ouvi a seguinte frase: "Mãe, não me largas e já pareces o cão do tio João Pedro"...o referido cão é um Labrador tipo "aspirador" que não descola da Nônô por um segundo, na esperança de conseguir saquear-lhe uma bolacha das mãos ou um qualquer pedaço de pão que caia ao chão...e, bem vistas as coisas, congratulo-me com a comparação porque tenho a plena consciência que, durante o último ano, houve alturas em que eu mais parecia o cão do tio Manel, um pastor alemão que rosna por tudo e por nada ou, pior ainda, o cão da tia Sofia, um rottweiler que está sempre pronto a fincar os dentinhos que tem na boca em tudo o que se mova e lhe passe à frente do nariz ...
Os 2 anos foram realmente difíceis, muito difíceis, foram mesmo os "difíceis dois" e eu todas as noites rezo um Pai Nosso e uma Avé Maria para não ver os "trouble twos" transfomados em "terrible threes" mas, como dizem as minhas amigas que no que toca à maternidade já levam uns aninhos de avanço sobre mim, difícil, difícil é mesmo ter que lidar com os "terrific teens"!...

Ana Pádua
06/11/2015


"yoga mood"


"meditation mood"