quarta-feira, 18 de março de 2015

O direito à BIRRRRA - Parte II

Nos últimos tempos, as birras são seguramente o tema no qual investi mais horas de leitura...entre livros, revistas e artigos soltos que me chegaram pelas mais variadas vias, li um pouco de tudo e, sempre que passei da teoria à prática, constatei que seguramente não aprendi nada de nada e, muito menos, consegui encontrar a fórmula perfeita para lidar com tão desagradável comportamento.
Cresci a ouvir a minha mãe dizer que os seus filhos, ou seja, eu e os meus queridos irmãos não fazíamos birras e, atendendo ao facto da minha mãe não ser a típica mãe coruja que vangloria a toda a hora as adoradas crias, parti do pressuposto que era verdade e quis acreditar que esta característica viesse no código genético; a minha paciência também já foi mais ilimitada e no que toca a birras reajo em menos dum fósforo e tenho ainda a ideia pré-concebida que as crianças birrentas tornar-se-ão irremediavelmente adultos mimados e caprichosos, ou seja, in-su-por-tá-veis, que é tudo aquilo de que queremos distância!
A hora das refeições e a hora de lavar os dentes sempre foram o pesadelo da Nônô e, em sinal de protesto, de vez em quando lá vai o prato da comida para o chão da cozinha ou o copo da água pelos ares na casa de banho e lá vêm os palpites alheios do costume sobre o excesso de mimo, a falta de educação e o comportamento imitativo...este último considero hilariante porque leva-me a pensar que algumas criaturas consideram que cá por casa voam pratos de comida e copos de água quando a vida não nos corre de feição...
Por tudo isto, já tive momentos de quase desespero e uma grande vontade de chegar ali à Boca do Inferno e soltar um daqueles gritos que ecoam para lá do oceano e até mesmo desejar que alguém viesse pelas minhas costas e me desse um empurrãozinho...
No outro dia, numa das nossas visitas à biblioteca infantil/juvenil do concelho, enquanto a Nônô se entretinha com outras crianças, reparei numa prateleira com alguns livros de puericultura, outros de pediatria e um que chamou a minha atenção pelo título e pela capa...o título "O Grande Livro dos Medos e das Birras" não podia ser melhor, até porque depois de eu já ter lido tanto sobre o assunto, no GRAAAAANDEEEE livro só podia estar escrito mais qualquer coisita que me tivesse escapado e a capa, com a fotografia duma criancinha com idade para ter juizinho num típico grito do Ipiranga, tinha tanto de divertida como de sugestiva...
Assim que comecei a folhear o livro, li o seguinte: "Fazer birras deveria ser um direito constitucional...Fazer birras é uma necessidade fisiológica, em qualquer idade, e quase deveria ser reconhecido como um direito, paralelo ao direito à habitação, a um nome ou a um emprego", no fundo tudo o que eu já temia quando escrevi isto...
O livro transformou-se rapidamente no meu objecto de desejo, não só pelo tema em questão ser tratado com muito sentido de humor, mas também porque me revi em muitos episódios lá descritos, fez-me ainda repensar a minha atitude perante as birras e ensinou-me a contornar a situação. Aprendi que é importante termos uma conversa onde possamos explicar calmamente o motivo do nosso desagrado perante os comportamentos duvidosos das crianças, convidando-as, de seguida, a sentarem-se no "banquinho do pensar", que é mais ou menos o mesmo que pô-las a reflectir sobre a própria vidinha...é ainda sugerido um minuto de reflexão por cada ano de vida da criança, pelo que, no caso da Nônô, 2-3 minutinhos são o quanto baste para resolver a questão!
Bem vistas as coisas, até eu já pondero fazer umas birras para poder dar-me ao luxo de estar 3/4 de hora na minha cadeira da reflexão (o meu adorado sofá!) o que, atendendo à minha idade, deve ser mais minuto menos minuto, o tempo a cronometrar para estar em completo modo "mindfulness", que segundo uma amiga, é o passaporte garantido para a felicidade.
Bom, a verdade é que este livro foi o melhor ansiolítico que me poderia ter vindo parar às mãos e é uma preciosidade porque está autografado pelo autor e com um dedicatória deliciosa à Nônô que, na hora da birra, já sabe que não se escapa de ouvir algumas palavras, seguidas dum período de reflexão no "banquinho do pensar" e, já agora, um pedido de desculpas (que também é bonito!)...AND LIFE GOES ON!!!

Ana Pádua
18/03/2015
...no "banquinnho do pensar"
o livro e a "cadeira da reflexão"

o autógrafo e a dedicatória

segunda-feira, 2 de março de 2015

A Hora do Timmy

O Timmy, ou Timinho como carinhosamente é tratado, é o boneco favorito da Nônô...sempre desejei que o seu inseparável amigo fosse um peluche daqueles que existem às toneladas no IKEA e que, em caso de perda ou extravio, qualquer pessoa dá um pulinho à loja e, na hora, consegue encontrar mais um, mais dez ou mais cem exemplares semelhantes...mas não, a Nônô adoptou como companheiro para a vida, uma ovelha que veio directamente dos Estados Unidos e que lhe  foi oferecida por um simpático casal, primo da avó Nhõnhõ. A ovelha tem o corpo coberto de um material macio a simular lã, tem os membros inferiores muito compridos e desproporcionados em relação aos anteriores, tem uma expressão facial confiante e cativante que, tal como o próprio Obama, não deixa ninguém indiferente e, apesar de ser branca, foi imediatamente baptizada de Timmy, o nome da ovelha "negra" protagonista da série televisiva intitulada "A Hora do Timmy" que a Nônô muito aprecia. 
O Timmy foi uma espécie de 1º amor que rapidamente se transformou  no companheiro para a vida; segue a Nônô para todo o lado, acalma as suas angústias, é ouvinte das suas histórias, é idolatrado, é amassado, é amado, é beijado (embora de vez em quando também leve uns "tapas" no focinho para se pôr na ordem) e é impensável adormecer sem a sua companhia. As únicas vezes que ouvi a Nônô dizer a palavra "saudade" foram sempre relativas ao Timmy e frequentemente temos que fazer inversão de marcha para ir resgatar o animal que ficou esquecido lá por casa e, por isso, de há uns tempos para cá, a ovelha passou a fazer parte da minha "checklist" antes de me ausentar para onde quer que seja.
A verdade é que o Timmy faz mesmo parte da nossa vida e, quando não sabemos o seu paradeiro, instala-se o pânico, entramos em alerta laranja e é logo accionado um plano de emergência para o capturar e há mesmo alturas em que me sinto um autêntico cão pastor (e dos eficientes tipo Border Collie) porque além de ter sempre a Nônô no meu campo de visão, ainda tenho de garantir que a sua adorada ovelha não se tresmalha para um lado qualquer!...
Acontece que o Timmy nunca viu água e sabão e, em vez de branco, já está naquela tonalidade cinzenta-acastanhada, ou seja, nauseabundo e o problema começa aqui...a Nônô assim que me ouve dizer que o Timmy tem de tomar banho, apressa-se a dizer que ela própria já banhou o Timinho e que o Timinho já está limpinho, lavadinho e cheirosinho e mais uma série de diminutivos usados para "embelezar" o quadro, que é tudo o que realmente ele não está!
No outro dia, um colega confidenciou-me que o seu filho também tem um "fiel amigo" (destes inanimados que dão sempre menos trabalho e preocupação que os verdadeiros) e, ao aperceber-se que o mesmo tinha temporariamente desaparecido para ser lavado, ficou em lágrimas e inconsolável durante umas infindáveis horas e, desde aí, sempre que penso para comigo "um dia vou dar banho ao Timmy...HOJE É O DIA!", vem-me sempre à lembrança aquela imagem aterradora da criancinha em pranto, a chorar baba e ranho em frente à máquina de lavar roupa, enquanto o boneco anda às voltas a fazer o programa completo de lavagem e secagem...
E hoje foi mesmo a "Hora do Timmy"...aproveitei um dos raros dias em que a ovelha ficou esquecida em casa e, enquanto pedia ao protector da bicharada para o animal não se desfazer durante o processo de limpeza, o Timmy foi banhado, centrifugado e seco e agora é que está mesmo limpinho, lavadinho e cheirosinho...o original TIMINHO!!!

Ana Pádua
02/03/2015 

a dupla inseparável...
Timinho e Timmy

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

A Nônô das Meias Altas

Para mim, a época mais tenebrosa do ano é o Carnaval! De resto, das máscaras aos foliões, das serpentinas às bombinhas de mau cheiro, dos gigantones às matrafonas, dos corsos ao samba, é tudo dantesco (já para não falar nalguns lugares como Torres Vedras, Ovar, Loulé e Sesimbra por onde é sempre aconselhável não passar) e a única memória feliz que tenho desta fantochada toda, resume-se a uma garrafita de whisky ganha num concurso de máscaras no Coconuts (uma discoteca onde a música nunca foi o ponto forte) na minha adolescência e foi um prémio que, na altura, deixou os meus pais num misto de orgulho e aflição...
O ano passado, apesar da Nônô já frequentar a escola, a educadora teve o bom senso de considerar que as crianças de 1 ano ficam desconfortáveis com máscaras, já para não falar no terror que algumas sentem ao olhar para o lado e, no lugar dos habituais coleguinhas de turma, estar o rei leão, o homem aranha ou a branca de neve. Este ano, o filme mudou e foi-nos sugerido (em modo imposição) mascarar as criancinhas e, quando perguntei à Nônô qual era a máscara que queria, foi perentória na resposta "PRINCESA", que era exactamente tudo aquilo que eu NÃO queria ouvir...não sou de cortar os sonhos de ninguém, muito menos dos mais novos, mas este teve mesmo de o ser, até porque só a palavra "PRINCESA" me irrita solenemente, já para não falar no final de algumas histórias com estas personagens que acabam pior que mal, entre tantas outras que criam nas crianças o desencantamento de verem os príncipes encantados virarem sapos, ou noutros casos, alimentam a ilusão de que a vida é sempre um conto de fadas e, mais tarde, temos mulheres adultas a esperar e a desesperar pelo seu príncipe encantado (quando muitas vezes ele está mesmo ao seu lado) e mães de filhos a sonharem ser eternamente as princesas da casa e mais uma série de barbaridades do género...
O único personagem com quem sempre tive empatia e que ainda idolatro é a Pipi da Meias Altas...não sei se é pelo seu ar reguila e traquina, pelas suas espessas tranças ruivas ou pelas inúmeras sardas na cara (que eu adoro e tanto invejo!), o que sei é que sempre gostei da irreverência desta personagem e curiosamente é a única boneca que guardei religiosamente como recordação da minha própria infância. A boneca tem mais de 40 anos e, apesar de já ter feito uma visita ao hospital das bonecas e de lá ter saído com uma vestimenta bem diferente da original, continua a ter a sua graça, embora nas mãos da Nônô, a sua integridade física não esteja seguramente garantida por mais 40 anos...
Não foi difícil persuadir a Nônô a usar esta fantasia, porque bastou o disfarce ter umas meias longas que, só por si, são a peça de roupa que a Nônô mais aprecia...adora pavonear-se com meias e collants (quanto mais coloridos e folclóricos melhor!) e a minha "batalha" matinal consiste sempre em enroupar-lhe umas calças porque obviamente só quer usar saias, vestidos e calções, para assim poder exibir as suas meias, as quais não se cansa de mostrar a todos aqueles que se cruzam no seu caminho. Depois foi só pôr à sua disposição as minhas pinturas (que também já aprecia!) e mais um adereço colorido  para o cabelo e deixa-la entrar nesta nova aventura...
E assim, por aqui, felizmente NÃO houve, Não há e NÃO haverá "PRINCESAS" (quanto muito, a rainha D. Leonor dá um ar da sua graça), mas tal como dizia a minha avozinha inspirada na história de D. Luísa de Gusmão, "antes rainha por um dia, que princesa toda a vida!"...

Ana Pádua
16/02/2015 

a Nônô das Meias Altas...



...e a Pipi das Meias Altas

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

A minha "neta" Madalena

Dos presentes que secretamente desejamos que as crianças nunca recebam são instrumentos musicais (principalmente quando os mais pequenos ainda não têm qualquer ouvido para a música), pinturas (como as canetas de feltro e os lápis de cera que fazem com que os miúdos desenvolvam a sua criatividade nos sítios mais impróprios), bonecos ruidosos (daqueles que falam, riem, choram, cantam, ladram e miam e só apetece tirar-lhes as pilhas) e veículos com duas ou mais rodas (tipo triciclos, bicicletas, trotinetes e afins que são o passaporte garantido para uma incursão às urgências do hospital mais próximo)...todos eles, sem excepção, são o pesadelo para qualquer progenitor.
Quanto aos bonecos ruidosos, aquele que encabeça a lista dos meus pesadelos é um pai Natal de tamanho XL com o qual a Nônô resolveu simpatizar e que está em casa da minha mãe, ou melhor, estava porque felizmente já foi para a Lapónia, mas que durante a quadra natalícia não teve descanso e esteve sempre a entoar alto e bom som a mesma música, o "gingle bells". Penso mesmo que a Nônô se apercebeu o quanto a referida criatura nos enervava e, quando alguém queria iniciar um diálogo ou ouvir uma qualquer notícia na televisão, em motivo de protesto e para reclamar toda a atenção sobre si, lá vinha a mesma canção uma vez e outra e mais outra, levando qualquer pessoa a um considerável estado de nervos...
No dia de Reis, quando a decoração natalícia foi toda arrumada e antes que a ausência do velhote de barbas brancas fosse notada, a avó Nhõnhõ preparou uma surpresa e, no lugar do irritante Pai Natal, estavam as pantufinhas da Nônô com um presente e uma mensagem do Santa Claus antes da sua abençoada partida...o embrulho foi desfeito com entusiasmo e dele emergiu uma boneca acompanhada do respectivo carrinho de passeio, por sinal muito engraçado, que desde então é empurrado para todo o lado.
Assim que lhe perguntámos o nome do seu novo bebé, não hesitou e respondeu prontamente "Madalena", uma alusão à filha de uns amigos, pela qual a Nônô tem um carinho muito especial e que diariamente faz parte das nossas histórias ao deitar e, bem ao estilo da colecção "Anita", criámos a versão "Madalena", portanto temos "Madalena vai à praia", "Madalena vai ao campo", "Madalena vai passear ao paredão", "Madalena vai à casa da Guia", "Madalena vai às compras", enfim a Madalena farta-se de passear e a verdade é que a sua homónima também vai para todo o lado e tem andado numa autêntica "fona" dentro do seu carrinho de passeio que mais parece uma viatura todo-o-terreno...vai de encontro a paredes e portas, pedras e passeios e, qualquer obstáculo que lhe apareça pela frente, quando não é ultrapassado a bem, claro que é a mal!...paciência e delicadeza é tudo aquilo que a Nônô não tem, mas também não posso criticar porque definitivamente tem a quem sair!
Mas o mais delicioso é ouvir os seus infindáveis diálogos com a "Madalena" e constatar que muitos dos ensinamentos que lhe fomos transmitindo nos últimos tempos são agora constantemente repetidos à sua boneca e todos os locais que insiste em dar-lhe a conhecer são aqueles que ainda hoje fazem parte do nosso itinerário favorito...o único problema é só mesmo a logística que antecede os nossos passeios, porque qual mãe extremosa, também a Nônô quer levar a casa às costas e, além da "Madalena" e respectivo carro de passeio, tem de ir sempre uma mala com tudo o que é necessário e mais tudo aquilo que não é e, como se isto não bastasse, como a Madalena original tem um cão verdadeiro, a Nônô também resolveu atrelar à já mais que suficiente tralha, um peluche que ronrona e ladra que é para o quadro familiar ficar ainda mais completo!
A minha "neta" Madalena está prestes a fazer parte da lista negra dos presentes, não por forçosamente me fazer pensar na minha condição de avó, mas porque a meio do passeio cabe-me sempre em sorte acartar com toda a tralha...
THIS IS THE WONDERFUL PINK WORLD!

Ana Pádua
28/01/2015 
 
Nônô e "Madalena"
o passeio no parque...

...a alimentar a bicharada


sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

O 1º Festival da Nônô

Só me lembro de ter assistido a dois grandes concertos na minha vida...um foi o dos Genesis e o outro foi o do Phill Collins e, se a memória não me falha, o primeiro em 1992 e o segundo em 1994, portanto já lá vão mais de duas décadas e, desde então, a minha presença em eventos desta natureza não foi muito além de um concertozito de Xutos aqui ou um espectaculozito de Rui Veloso ali ou qualquer outra coisita acoli. Quanto a festivais (tipo Sudoeste, Vilar de Mouros, Super Bock-Super Rock, Paredes de Coura, Marés Vivas, etc) nem quero ouvir falar e também dificilmente me apanhariam a ver agrupamentos com nomes sugestivos do género "The Killers" ou "30 seconds to Mars" e tenho as minhas dúvidas que daqui a 1/4 de século ainda alguém se lembre deles. A juntar a esta curta cronologia, a última vez que pus os meus pés no Campo Pequeno, não devia estar no meu perfeito juízo e fui arrastada para assistir a um concerto dumas aves raras que dão pelo nome de Arctic Monkeys e, tal como naquela canção intitulada "A Paixão (segundo Nicolau da Viola)", também eu, naquele dia, não fiquei nem meia-hora, não fiz um esforço para gostar e fui-me embora...
Por tudo isto, só mesmo a Nônô para me convencer a ir ao Campo Pequeno a um espectáculo com a designação de festival no nome, mais concretamente ao "Festival do Panda e dos Caricas". Durante o último mês, o seu entusiasmo era grande e dizia a quem lhe aparecesse pela frente "A Nônô já tem bietes pó Panda" e este foi, sem dúvida, o melhor presente que lhe oferecemos neste Natal.
O Panda, como o nome sugere, é um urso gigante de peluche que até tem um ar bem fofinho, agora os Caricas são uns autênticos "cromos" que respondem pelos nomes de Pipa, Clarinha, Matias e Pedro, sendo este último o ídolo da Nônô. Ainda antes do espectáculo começar, assim que a referida criatura passou no corredor contíguo às nossas cadeiras, a criança correu para os seus braços para lhe roubar um beijo e eu nem queria acreditar que passei noites sem dormir durante dois anos consecutivos, a aliviar cólicas, a minimizar o desconforto dos primeiros dentes, a acalmar pesadelos, para agora ver a Nônô a idolaterar um desconhecido, ou talvez não, porque a verdade é que o tal Pedro mais parece ser da família e entra (via televisão) pela casa dentro a toda a hora e, embora não seja motivo suficiente para eu simpatizar com ele, é o quanto baste para eu já ter memorizado a maior parte das letras das suas canções. A verdade é que, desde aí, a Nônô não se cansa de espalhar ao mundo que o Pedro lhe deu um beijo, o que até tem a sua graça porque obviamente quase ninguém sabe quem é o sujeito...e o beijo, tal como eu costumo dizer, é sempre melhor roubado do que pedido...
Quanto a festivais, decerto herdou do papá o gosto por este tipo de espectáculos e suspeito que será uma festivaleira que irá para a 1ª fila nos concertos, na esperança que um qualquer Robbie Williams desta vida, a puxe por um braço para cima do palco para com ele cantar a música da sua vida...

Ana Pádua
26/12/2014

à entrada do Campo Pequeno...
a festivaleira
os "cromos"

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

All we need is...LOVE!

Existe uma parede em minha casa com a qual nunca simpatizei, acontece!...nunca percebi  se o problema estava em mim ou na parede, mas o que sei é que desde que habito nesta casa que o meu desamor por ela era uma realidade...todas as noites, quando me sentava no sofá bem de frente para a dita parede, pensava que nunca nos entenderíamos e que assim passaríamos os nossos dias incompatibilizadas e eu mais parecia estar de castigo a contemplar uma parede nua, completamente despida de alma...
Por diversas vezes, tentei apaziguar os ânimos e por ela passaram muitos objectos, como a televisão, um espelho original, quadros de cães (muitos!), óleos com lindas paisagens de Cascais, mas por um motivo ou por outro, nenhuma peça pairou por lá muito tempo e, com o passar dos anos, menos eu sabia o que fazer com a parede, que ainda por cima nem dava para ir abaixo por se tratar de uma parede mestra.
Há uns dias, estava eu a "visitar" um dos meus blogs predilectos de decoração e deparei-me com uma ideia que me pareceu muito original e que aliava dois conceitos que me agradaram: a arte de imortalizar momentos e o amor...tratava-se de um coração gigante todo feito com fotografias e que me pareceu logo a solução ideal para transformar o meu desamor pela parede em verdadeiro amor...
Gosto muito de fotografia, mas o que eu gosto mesmo é de fotografar! E gosto particularmente de fotografar animais e crianças, por serem espontâneos, por dificilmente pararem quietos, por não se fazerem à fotografia, enfim pela estimulante dificuldade...só quem gosta de fotografia como eu, compreende a satisfação sentida quando se consegue captar o momento que se tem em mente registar...
A Nônô também já aprecia fotografias, gosta de identificar a família e os amigos nas imagens e adora abrir os seus álbuns que, além de fotos, têm escrita a sua própria história de vida e, de tantas vezes a ouvir, já tem memorizados muitos "capítulos"...
Mas, no que toca a fotografar, tenho outras manias, gosto de grandes planos e de fotografias de meio corpo e tenho o vício terrível de praticamente só tirar fotografias verticais, pelo que as fotos panorâmicas nunca me saem nada de jeito e fotografias horizontais tenho poucos exemplares...e aqui começou o meu grande desafio, porque na minha fonte de inspiração, todas as imagens eram horizontais e conseguir o resultado pretendido com um "mix" de molduras verticais e horizontais não era tarefa fácil e, assim, tive de reorganizar o "coração" para o efeito ser aquele que idealizei...a execução não foi simples, mas o resultado superou as minhas expectativas e foi logo amor à primeira vista!
Por agora, estou enamorada pela minha "nova" parede e, como tudo na vida pelo que verdadeiramente me apaixono, espero que seja para a vida e é mesmo bom que seja, porque a parede ficou toda esburacada e cravada de pregos de alto a baixo!
Quanto à arte de imortalizar momentos, as fotografias escolhidas para as molduras foram seleccionadas de um modo criterioso, pelo que todas têm uma história e todas foram tiradas em dias memoráveis e em datas especiais; quanto ao amor e, apesar de eu não ser a pessoa mais afectuosa deste mundo, gosto sempre de dizer às pessoas especiais o quanto as amo e, por isso, só tenho de arranjar mais espaço cá em casa para continuar a confessar às paredes de quem EU GOSTO...
I LOVE YOU!!!

Ana Pádua
17/12/2014 

a fonte de inspiração...


...e o meu coração

true love

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

My little Christmas tree

Admiro imenso aquelas pessoas que em Outubro já têm tudo idealizado para o Natal, em Novembro já têm tudo preparado para o grande dia e em Dezembro já só pensam na Páscoa do próximo ano...não sei se são extremamente organizadas ou se dispõem de muito tempo livre, só sei que (in)felizmente não padeço de nenhum destes males e, por isso, à boa maneira portuguesa, é tudo feito à última hora. Mas este ano decidi inverter a tendência, não só porque a Nônô já aprecia muitas das coisas alusivas a esta quadra, mas acima de tudo porque vou ter a casa cheia na noite da consoada, ou seja, vou ter a família toda reunida (e já somos quase 20!) e, portanto, na véspera de Natal vou ter mais em que pensar do que na decoração do lar.
Quanto ao presépio nunca me preocupo porque não sai do mesmo sítio e está montado 365 dias por ano; é um presépio minimalista, feito em barro por um artesão e foi-me oferecido há muitos anos pela minha mãe, pelo que tenho por ele a maior estima, mas como de há uns tempos para cá, a Nônô também lhe começou a achar alguma graça e, antes que o meu adorado presépio ficasse feito em cacos, a avó Nhõnhõ resolveu oferecer-lhe um outro apropriado à sua idade, feito em tecido e com umas figuras amorosas, portanto este ano temos dois presépios cá em casa...
E ontem, finalmente fizemos a nossa árvore de Natal! À excepção de um ano em que tive a infeliz ideia de adquirir um pinheiro natural que vinha carregado de bichezas estranhíssimas que viraram uma autêntica praga, de há muitos anos a esta parte, a árvore é sempre a mesma e o "décor" também, embora todos os Natais eu tente acrescentar um ou outro adorno aos já existentes. A Nônô gosta muito da árvore, principalmente de alguns peluches que nela penduro, mas o que a fascina mesmo são as luzes! Este ano, resolvi que o pinheiro de Natal, tal como o presépio, seria em duplicado...além do tradicional pinheiro, arranjei outra árvore bem à altura e gosto da Nônô, ou seja, uma árvore à sua escala e toda decorada com figuras de chocolate...é óbvio que os enfeites desta pequena árvore, nem de perto nem de longe vão chegar à ante-véspera de Natal, muito menos à véspera ou ao próprio dia, mas não quero saber porque até lá certamente farão as delícias da criança e a sua felicidade é contagiante. Por agora é ver a Nônô, toda animada, deitar a mão às figuras de chocolate e, enquanto as desembrulha, pergunta-me "mãe, póxo?" e, claro, a mãe deixa! 
A miúda é altamente viciada em chocolate e descobre sempre os locais onde habitualmente os escondo (acho mesmo que só me falta enfiar chocolates na banheira!)...eu sei que não é correcto o vício em guloseimas, eu sei que o chocolate não é saudável para os dentes, eu sei que a adição ao açúcar faz mal, eu sei que o pediatra vai passar-se quando souber que a Nônô devora chocolates de manhã, à tarde e à noite, eu sei que jurei a mim mesma nunca ceder a caprichos infantis, mas como uma colega minha costuma dizer "era muito melhor mãe antes de o ser", por isso, só nesta época, os chocolates estão para regozijo da Nônô à sua total disposição, até porque o Natal é das crianças, o Natal é quando um homem quer e...o Natal é quando a mãe deixa!
FELIZ NATAL!!!

Ana Pádua
15/12/2014 

...a deitar a mão

...a desembrulhar
...e a saborear
a árvore tradicional
os presépios