sexta-feira, 17 de abril de 2015

Primas, as primeiras amigas para a vida!

A Nônô tem a sorte e a felicidade de ter muitos primos (7 no total!), mais concretamente 4 primos e três primas...começou por trata-los por diminutivos da sua própria autoria e, embora actualmente já consiga dizer todos os nomes próprios, ainda há momentos em que prefere referir-se aos primos pelos nomes carinhosos com que os "rebaptizou"...
E assim, temos o "Xalo" (Gonçalo), o primo aéreo que decidiu andar mais tempo com os pés no ar do que em terra e tem ainda a cabeça a "full time" nas nuvens, pelo que qualquer avião que ouçamos a cruzar o céu é logo identificado como sendo o primo mais velho; temos também o "Tomy" (Tomás), o primo viciado em gadgets que entretém a Nônô com aplicações como o gato Ginger ou o cão Ben, dos quais é preciso cuidar, alimentar, lavar e acarinhar e só me fazem lembrar o horripilante tamagotchi doutros tempos que, caso não fosse tratado convenientemente, "quinava" num instante; temos ainda o "Beny" (Bernardo) que parece accionista do McDonald`s e colecciona tudo o que é brinde saído no happy meal para oferecer com entusiasmo à prima; e temos o "Bá" (Baltasar), o primo mais novo de quem vai herdando um número inimaginável de DVD`s e tem uma paciência infinita para brincar com ela às bonecas e aos jantarinhos...
Mas as primas "Caudia" (Claudia), "Kina" (Carolina) e "Pipa" (Filipa) são as suas primeiras amigas para a vida e seguramente as companheiras para toda a vida e têm o dom de hipnotiza-la por uns instantes, principalmente quando aparecem com as unhas pintadas e a Nônô vive a sonhar com a hora em que as primas têm disponibilidade nas suas preenchidas agendas para lhe colorir as próprias unhas, que é tudo o que ela mais quer e deseja! A primeira vez que eu ousei pintar as minhas unhas num tom bem garrido devia ter 35 aninhos, pelo que não acho muita graça que a Nônô (que ainda não completou 3 anos) já vibre imenso com esta "pirosada" toda, pelo que não me canso de mentaliza-la que será o MEU bebé até aos 21 anos; já ao papá branqueiam-lhe mais uns tantos cabelos de cada vez que vê a criança fazer manicure ou, pior ainda, quando a observa em frente ao espelho a espalhar tudo o que é batom e gloss nos lábios, que é o mesmo que dizer lábios, queixo, nariz e dentes...
Por agora, só espero que a Nônô aprenda muito mais com as primas, nomeadamente a ser ponderada como a Claudia ou graciosa como a Carolina mas, tenho para mim, que a sua rebeldia vai superar de longe a da Filipa!...
LOVE YOU GIRLS!!!
Ana Pádua 
17/04/2015
as primas...

terça-feira, 31 de março de 2015

Flower Power

E agora sim, chegou a Primavera! A estação em que o colorido das flores alegra o espírito, os dias mais compridos proporcionam muitas actividades, o tempo soalheiro convida a longos passeios e, melhor que tudo, tal como o nome sugere, "Primeiro Verão" significa que entramos na contagem decrescente para a época do ano em que a vida tem sempre outro sabor...embora durante a última semana, tenhamos sido brindados por uma chuva intensa e um frio de rachar a lembrar o rigoroso Inverno e um vento forte que depenou as árvores e mais parecia o deprimente Outono, parece que finalmente podemos sorrir...
Assim, para darmos as boas-vindas à Primavera e assinalar o momento, nada como a simbologia de uma flor que, para além de decorar o quarto da Nônô, é simultaneamente um porta-ganchos...ao idealiza-la, veio-me logo à lembrança o slogan "flower power" usado pelos hippies na década de 60/70 como marca da ideologia da não-violência, o que não podia ser mais inspirador.
Nunca fui uma rapariga muito prendada e nunca tive grande (ou mesmo nenhum) jeito para trabalhos manuais, mas desde que descobri que sou mãe de uma criança que é dada às "artes" e gosta de expor a sua vasta obra por toda a casa, tive de me render à evidência e tentar acompanhar a tendência, o que umas vezes corre menos bem, outras menos mal, mas o que realmente importa é que passamos uns bons momentos de diversão...
A Nônô tem muito apreço pela sua colecção de ganchos que sempre estiveram amontoados e enfiados numa caixa de madeira; conhece-os bem a todos (nomeadamente quem lhos ofereceu) e todas as manhãs é um filme para decidir qual quer usar porque, embora eu tente organizar tudo na noite anterior, na alvorada nunca estamos de acordo no que toca ao acessório escolhido para o cabelo...quando selecciono um gancho verde, a Nônô quer um rosa, quando escolho um complemento da Kitty, ela imbica que vai colocar um da Minnie, se o adereço elegido por mim for um laço vermelho, a Nônô insiste em querer o azul e, se a minha opção recair no gancho oferecido pela prima, ela prefere o que foi um presente da tia e, por aí adiante, até esgotar o meu precioso tempo, que de manhã é sempre escasso e em contra-relógio.
Por isso, nada como ter tudo bem organizado e ao seu alcance, para que seja ela própria a escolher o acessório que completa a sua indumentária diária.
E esta foi a flor, uma pequena flor que eu colhi (ou melhor, fiz), só a pensar em ti...

Ana Pádua
31/03/2015

my little flower...
...e o porta-ganchos

quarta-feira, 18 de março de 2015

O direito à BIRRRRA - Parte II

Nos últimos tempos, as birras são seguramente o tema no qual investi mais horas de leitura...entre livros, revistas e artigos soltos que me chegaram pelas mais variadas vias, li um pouco de tudo e, sempre que passei da teoria à prática, constatei que seguramente não aprendi nada de nada e, muito menos, consegui encontrar a fórmula perfeita para lidar com tão desagradável comportamento.
Cresci a ouvir a minha mãe dizer que os seus filhos, ou seja, eu e os meus queridos irmãos não fazíamos birras e, atendendo ao facto da minha mãe não ser a típica mãe coruja que vangloria a toda a hora as adoradas crias, parti do pressuposto que era verdade e quis acreditar que esta característica viesse no código genético; a minha paciência também já foi mais ilimitada e no que toca a birras reajo em menos dum fósforo e tenho ainda a ideia pré-concebida que as crianças birrentas tornar-se-ão irremediavelmente adultos mimados e caprichosos, ou seja, in-su-por-tá-veis, que é tudo aquilo de que queremos distância!
A hora das refeições e a hora de lavar os dentes sempre foram o pesadelo da Nônô e, em sinal de protesto, de vez em quando lá vai o prato da comida para o chão da cozinha ou o copo da água pelos ares na casa de banho e lá vêm os palpites alheios do costume sobre o excesso de mimo, a falta de educação e o comportamento imitativo...este último considero hilariante porque leva-me a pensar que algumas criaturas consideram que cá por casa voam pratos de comida e copos de água quando a vida não nos corre de feição...
Por tudo isto, já tive momentos de quase desespero e uma grande vontade de chegar ali à Boca do Inferno e soltar um daqueles gritos que ecoam para lá do oceano e até mesmo desejar que alguém viesse pelas minhas costas e me desse um empurrãozinho...
No outro dia, numa das nossas visitas à biblioteca infantil/juvenil do concelho, enquanto a Nônô se entretinha com outras crianças, reparei numa prateleira com alguns livros de puericultura, outros de pediatria e um que chamou a minha atenção pelo título e pela capa...o título "O Grande Livro dos Medos e das Birras" não podia ser melhor, até porque depois de eu já ter lido tanto sobre o assunto, no GRAAAAANDEEEE livro só podia estar escrito mais qualquer coisita que me tivesse escapado e a capa, com a fotografia duma criancinha com idade para ter juizinho num típico grito do Ipiranga, tinha tanto de divertida como de sugestiva...
Assim que comecei a folhear o livro, li o seguinte: "Fazer birras deveria ser um direito constitucional...Fazer birras é uma necessidade fisiológica, em qualquer idade, e quase deveria ser reconhecido como um direito, paralelo ao direito à habitação, a um nome ou a um emprego", no fundo tudo o que eu já temia quando escrevi isto...
O livro transformou-se rapidamente no meu objecto de desejo, não só pelo tema em questão ser tratado com muito sentido de humor, mas também porque me revi em muitos episódios lá descritos, fez-me ainda repensar a minha atitude perante as birras e ensinou-me a contornar a situação. Aprendi que é importante termos uma conversa onde possamos explicar calmamente o motivo do nosso desagrado perante os comportamentos duvidosos das crianças, convidando-as, de seguida, a sentarem-se no "banquinho do pensar", que é mais ou menos o mesmo que pô-las a reflectir sobre a própria vidinha...é ainda sugerido um minuto de reflexão por cada ano de vida da criança, pelo que, no caso da Nônô, 2-3 minutinhos são o quanto baste para resolver a questão!
Bem vistas as coisas, até eu já pondero fazer umas birras para poder dar-me ao luxo de estar 3/4 de hora na minha cadeira da reflexão (o meu adorado sofá!) o que, atendendo à minha idade, deve ser mais minuto menos minuto, o tempo a cronometrar para estar em completo modo "mindfulness", que segundo uma amiga, é o passaporte garantido para a felicidade.
Bom, a verdade é que este livro foi o melhor ansiolítico que me poderia ter vindo parar às mãos e é uma preciosidade porque está autografado pelo autor e com um dedicatória deliciosa à Nônô que, na hora da birra, já sabe que não se escapa de ouvir algumas palavras, seguidas dum período de reflexão no "banquinho do pensar" e, já agora, um pedido de desculpas (que também é bonito!)...AND LIFE GOES ON!!!

Ana Pádua
18/03/2015
...no "banquinnho do pensar"
o livro e a "cadeira da reflexão"

o autógrafo e a dedicatória

segunda-feira, 2 de março de 2015

A Hora do Timmy

O Timmy, ou Timinho como carinhosamente é tratado, é o boneco favorito da Nônô...sempre desejei que o seu inseparável amigo fosse um peluche daqueles que existem às toneladas no IKEA e que, em caso de perda ou extravio, qualquer pessoa dá um pulinho à loja e, na hora, consegue encontrar mais um, mais dez ou mais cem exemplares semelhantes...mas não, a Nônô adoptou como companheiro para a vida, uma ovelha que veio directamente dos Estados Unidos e que lhe  foi oferecida por um simpático casal, primo da avó Nhõnhõ. A ovelha tem o corpo coberto de um material macio a simular lã, tem os membros inferiores muito compridos e desproporcionados em relação aos anteriores, tem uma expressão facial confiante e cativante que, tal como o próprio Obama, não deixa ninguém indiferente e, apesar de ser branca, foi imediatamente baptizada de Timmy, o nome da ovelha "negra" protagonista da série televisiva intitulada "A Hora do Timmy" que a Nônô muito aprecia. 
O Timmy foi uma espécie de 1º amor que rapidamente se transformou  no companheiro para a vida; segue a Nônô para todo o lado, acalma as suas angústias, é ouvinte das suas histórias, é idolatrado, é amassado, é amado, é beijado (embora de vez em quando também leve uns "tapas" no focinho para se pôr na ordem) e é impensável adormecer sem a sua companhia. As únicas vezes que ouvi a Nônô dizer a palavra "saudade" foram sempre relativas ao Timmy e frequentemente temos que fazer inversão de marcha para ir resgatar o animal que ficou esquecido lá por casa e, por isso, de há uns tempos para cá, a ovelha passou a fazer parte da minha "checklist" antes de me ausentar para onde quer que seja.
A verdade é que o Timmy faz mesmo parte da nossa vida e, quando não sabemos o seu paradeiro, instala-se o pânico, entramos em alerta laranja e é logo accionado um plano de emergência para o capturar e há mesmo alturas em que me sinto um autêntico cão pastor (e dos eficientes tipo Border Collie) porque além de ter sempre a Nônô no meu campo de visão, ainda tenho de garantir que a sua adorada ovelha não se tresmalha para um lado qualquer!...
Acontece que o Timmy nunca viu água e sabão e, em vez de branco, já está naquela tonalidade cinzenta-acastanhada, ou seja, nauseabundo e o problema começa aqui...a Nônô assim que me ouve dizer que o Timmy tem de tomar banho, apressa-se a dizer que ela própria já banhou o Timinho e que o Timinho já está limpinho, lavadinho e cheirosinho e mais uma série de diminutivos usados para "embelezar" o quadro, que é tudo o que realmente ele não está!
No outro dia, um colega confidenciou-me que o seu filho também tem um "fiel amigo" (destes inanimados que dão sempre menos trabalho e preocupação que os verdadeiros) e, ao aperceber-se que o mesmo tinha temporariamente desaparecido para ser lavado, ficou em lágrimas e inconsolável durante umas infindáveis horas e, desde aí, sempre que penso para comigo "um dia vou dar banho ao Timmy...HOJE É O DIA!", vem-me sempre à lembrança aquela imagem aterradora da criancinha em pranto, a chorar baba e ranho em frente à máquina de lavar roupa, enquanto o boneco anda às voltas a fazer o programa completo de lavagem e secagem...
E hoje foi mesmo a "Hora do Timmy"...aproveitei um dos raros dias em que a ovelha ficou esquecida em casa e, enquanto pedia ao protector da bicharada para o animal não se desfazer durante o processo de limpeza, o Timmy foi banhado, centrifugado e seco e agora é que está mesmo limpinho, lavadinho e cheirosinho...o original TIMINHO!!!

Ana Pádua
02/03/2015 

a dupla inseparável...
Timinho e Timmy

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

A Nônô das Meias Altas

Para mim, a época mais tenebrosa do ano é o Carnaval! De resto, das máscaras aos foliões, das serpentinas às bombinhas de mau cheiro, dos gigantones às matrafonas, dos corsos ao samba, é tudo dantesco (já para não falar nalguns lugares como Torres Vedras, Ovar, Loulé e Sesimbra por onde é sempre aconselhável não passar) e a única memória feliz que tenho desta fantochada toda, resume-se a uma garrafita de whisky ganha num concurso de máscaras no Coconuts (uma discoteca onde a música nunca foi o ponto forte) na minha adolescência e foi um prémio que, na altura, deixou os meus pais num misto de orgulho e aflição...
O ano passado, apesar da Nônô já frequentar a escola, a educadora teve o bom senso de considerar que as crianças de 1 ano ficam desconfortáveis com máscaras, já para não falar no terror que algumas sentem ao olhar para o lado e, no lugar dos habituais coleguinhas de turma, estar o rei leão, o homem aranha ou a branca de neve. Este ano, o filme mudou e foi-nos sugerido (em modo imposição) mascarar as criancinhas e, quando perguntei à Nônô qual era a máscara que queria, foi perentória na resposta "PRINCESA", que era exactamente tudo aquilo que eu NÃO queria ouvir...não sou de cortar os sonhos de ninguém, muito menos dos mais novos, mas este teve mesmo de o ser, até porque só a palavra "PRINCESA" me irrita solenemente, já para não falar no final de algumas histórias com estas personagens que acabam pior que mal, entre tantas outras que criam nas crianças o desencantamento de verem os príncipes encantados virarem sapos, ou noutros casos, alimentam a ilusão de que a vida é sempre um conto de fadas e, mais tarde, temos mulheres adultas a esperar e a desesperar pelo seu príncipe encantado (quando muitas vezes ele está mesmo ao seu lado) e mães de filhos a sonharem ser eternamente as princesas da casa e mais uma série de barbaridades do género...
O único personagem com quem sempre tive empatia e que ainda idolatro é a Pipi da Meias Altas...não sei se é pelo seu ar reguila e traquina, pelas suas espessas tranças ruivas ou pelas inúmeras sardas na cara (que eu adoro e tanto invejo!), o que sei é que sempre gostei da irreverência desta personagem e curiosamente é a única boneca que guardei religiosamente como recordação da minha própria infância. A boneca tem mais de 40 anos e, apesar de já ter feito uma visita ao hospital das bonecas e de lá ter saído com uma vestimenta bem diferente da original, continua a ter a sua graça, embora nas mãos da Nônô, a sua integridade física não esteja seguramente garantida por mais 40 anos...
Não foi difícil persuadir a Nônô a usar esta fantasia, porque bastou o disfarce ter umas meias longas que, só por si, são a peça de roupa que a Nônô mais aprecia...adora pavonear-se com meias e collants (quanto mais coloridos e folclóricos melhor!) e a minha "batalha" matinal consiste sempre em enroupar-lhe umas calças porque obviamente só quer usar saias, vestidos e calções, para assim poder exibir as suas meias, as quais não se cansa de mostrar a todos aqueles que se cruzam no seu caminho. Depois foi só pôr à sua disposição as minhas pinturas (que também já aprecia!) e mais um adereço colorido  para o cabelo e deixa-la entrar nesta nova aventura...
E assim, por aqui, felizmente NÃO houve, Não há e NÃO haverá "PRINCESAS" (quanto muito, a rainha D. Leonor dá um ar da sua graça), mas tal como dizia a minha avozinha inspirada na história de D. Luísa de Gusmão, "antes rainha por um dia, que princesa toda a vida!"...

Ana Pádua
16/02/2015 

a Nônô das Meias Altas...



...e a Pipi das Meias Altas

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

A minha "neta" Madalena

Dos presentes que secretamente desejamos que as crianças nunca recebam são instrumentos musicais (principalmente quando os mais pequenos ainda não têm qualquer ouvido para a música), pinturas (como as canetas de feltro e os lápis de cera que fazem com que os miúdos desenvolvam a sua criatividade nos sítios mais impróprios), bonecos ruidosos (daqueles que falam, riem, choram, cantam, ladram e miam e só apetece tirar-lhes as pilhas) e veículos com duas ou mais rodas (tipo triciclos, bicicletas, trotinetes e afins que são o passaporte garantido para uma incursão às urgências do hospital mais próximo)...todos eles, sem excepção, são o pesadelo para qualquer progenitor.
Quanto aos bonecos ruidosos, aquele que encabeça a lista dos meus pesadelos é um pai Natal de tamanho XL com o qual a Nônô resolveu simpatizar e que está em casa da minha mãe, ou melhor, estava porque felizmente já foi para a Lapónia, mas que durante a quadra natalícia não teve descanso e esteve sempre a entoar alto e bom som a mesma música, o "gingle bells". Penso mesmo que a Nônô se apercebeu o quanto a referida criatura nos enervava e, quando alguém queria iniciar um diálogo ou ouvir uma qualquer notícia na televisão, em motivo de protesto e para reclamar toda a atenção sobre si, lá vinha a mesma canção uma vez e outra e mais outra, levando qualquer pessoa a um considerável estado de nervos...
No dia de Reis, quando a decoração natalícia foi toda arrumada e antes que a ausência do velhote de barbas brancas fosse notada, a avó Nhõnhõ preparou uma surpresa e, no lugar do irritante Pai Natal, estavam as pantufinhas da Nônô com um presente e uma mensagem do Santa Claus antes da sua abençoada partida...o embrulho foi desfeito com entusiasmo e dele emergiu uma boneca acompanhada do respectivo carrinho de passeio, por sinal muito engraçado, que desde então é empurrado para todo o lado.
Assim que lhe perguntámos o nome do seu novo bebé, não hesitou e respondeu prontamente "Madalena", uma alusão à filha de uns amigos, pela qual a Nônô tem um carinho muito especial e que diariamente faz parte das nossas histórias ao deitar e, bem ao estilo da colecção "Anita", criámos a versão "Madalena", portanto temos "Madalena vai à praia", "Madalena vai ao campo", "Madalena vai passear ao paredão", "Madalena vai à casa da Guia", "Madalena vai às compras", enfim a Madalena farta-se de passear e a verdade é que a sua homónima também vai para todo o lado e tem andado numa autêntica "fona" dentro do seu carrinho de passeio que mais parece uma viatura todo-o-terreno...vai de encontro a paredes e portas, pedras e passeios e, qualquer obstáculo que lhe apareça pela frente, quando não é ultrapassado a bem, claro que é a mal!...paciência e delicadeza é tudo aquilo que a Nônô não tem, mas também não posso criticar porque definitivamente tem a quem sair!
Mas o mais delicioso é ouvir os seus infindáveis diálogos com a "Madalena" e constatar que muitos dos ensinamentos que lhe fomos transmitindo nos últimos tempos são agora constantemente repetidos à sua boneca e todos os locais que insiste em dar-lhe a conhecer são aqueles que ainda hoje fazem parte do nosso itinerário favorito...o único problema é só mesmo a logística que antecede os nossos passeios, porque qual mãe extremosa, também a Nônô quer levar a casa às costas e, além da "Madalena" e respectivo carro de passeio, tem de ir sempre uma mala com tudo o que é necessário e mais tudo aquilo que não é e, como se isto não bastasse, como a Madalena original tem um cão verdadeiro, a Nônô também resolveu atrelar à já mais que suficiente tralha, um peluche que ronrona e ladra que é para o quadro familiar ficar ainda mais completo!
A minha "neta" Madalena está prestes a fazer parte da lista negra dos presentes, não por forçosamente me fazer pensar na minha condição de avó, mas porque a meio do passeio cabe-me sempre em sorte acartar com toda a tralha...
THIS IS THE WONDERFUL PINK WORLD!

Ana Pádua
28/01/2015 
 
Nônô e "Madalena"
o passeio no parque...

...a alimentar a bicharada


sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

O 1º Festival da Nônô

Só me lembro de ter assistido a dois grandes concertos na minha vida...um foi o dos Genesis e o outro foi o do Phill Collins e, se a memória não me falha, o primeiro em 1992 e o segundo em 1994, portanto já lá vão mais de duas décadas e, desde então, a minha presença em eventos desta natureza não foi muito além de um concertozito de Xutos aqui ou um espectaculozito de Rui Veloso ali ou qualquer outra coisita acoli. Quanto a festivais (tipo Sudoeste, Vilar de Mouros, Super Bock-Super Rock, Paredes de Coura, Marés Vivas, etc) nem quero ouvir falar e também dificilmente me apanhariam a ver agrupamentos com nomes sugestivos do género "The Killers" ou "30 seconds to Mars" e tenho as minhas dúvidas que daqui a 1/4 de século ainda alguém se lembre deles. A juntar a esta curta cronologia, a última vez que pus os meus pés no Campo Pequeno, não devia estar no meu perfeito juízo e fui arrastada para assistir a um concerto dumas aves raras que dão pelo nome de Arctic Monkeys e, tal como naquela canção intitulada "A Paixão (segundo Nicolau da Viola)", também eu, naquele dia, não fiquei nem meia-hora, não fiz um esforço para gostar e fui-me embora...
Por tudo isto, só mesmo a Nônô para me convencer a ir ao Campo Pequeno a um espectáculo com a designação de festival no nome, mais concretamente ao "Festival do Panda e dos Caricas". Durante o último mês, o seu entusiasmo era grande e dizia a quem lhe aparecesse pela frente "A Nônô já tem bietes pó Panda" e este foi, sem dúvida, o melhor presente que lhe oferecemos neste Natal.
O Panda, como o nome sugere, é um urso gigante de peluche que até tem um ar bem fofinho, agora os Caricas são uns autênticos "cromos" que respondem pelos nomes de Pipa, Clarinha, Matias e Pedro, sendo este último o ídolo da Nônô. Ainda antes do espectáculo começar, assim que a referida criatura passou no corredor contíguo às nossas cadeiras, a criança correu para os seus braços para lhe roubar um beijo e eu nem queria acreditar que passei noites sem dormir durante dois anos consecutivos, a aliviar cólicas, a minimizar o desconforto dos primeiros dentes, a acalmar pesadelos, para agora ver a Nônô a idolaterar um desconhecido, ou talvez não, porque a verdade é que o tal Pedro mais parece ser da família e entra (via televisão) pela casa dentro a toda a hora e, embora não seja motivo suficiente para eu simpatizar com ele, é o quanto baste para eu já ter memorizado a maior parte das letras das suas canções. A verdade é que, desde aí, a Nônô não se cansa de espalhar ao mundo que o Pedro lhe deu um beijo, o que até tem a sua graça porque obviamente quase ninguém sabe quem é o sujeito...e o beijo, tal como eu costumo dizer, é sempre melhor roubado do que pedido...
Quanto a festivais, decerto herdou do papá o gosto por este tipo de espectáculos e suspeito que será uma festivaleira que irá para a 1ª fila nos concertos, na esperança que um qualquer Robbie Williams desta vida, a puxe por um braço para cima do palco para com ele cantar a música da sua vida...

Ana Pádua
26/12/2014

à entrada do Campo Pequeno...
a festivaleira
os "cromos"