sexta-feira, 30 de setembro de 2016

À procura de Nemo...

Setembro foi um mês de mudanças...foi o mês do regresso às aulas e foi precisamente a ocasião escolhida para a Nõnõ finalmente começar a pernoitar no seu quarto! Supostamente já devia estar no seu próprio aposento há 3 anos e meio (mais coisa menos coisa) segundo ditam as regras e os bons costumes, mas tal não aconteceu...primeiro porque eu gostava, segundo porque era cómodo e terceiro porque eu nunca encontrei o momento certo, mas a hora da mudança chegou, primeiro porque a Nônô já não cabia na cama de grades, segundo porque eu achei que era a altura certa e terceiro porque começou a dizer que só sairia do meu quarto aos 15 anos e comecei a assustar-me...
Cansei-me de ouvir variadíssimas teorias sobre o assunto, as mais diversas profecias e ainda os augúrios dos profetas da desgraça do costume, até que um dia uma amiga me deu isto para ler e, fiquei com a certeza que, se voltasse atrás, faria exactamente o mesmo erro...
Ao princípio parecia que ia ser tudo muito pacífico e a Nônô estava a adorar a ideia de ter a sua própria cama...a cama foi escolhida por ela, montada sobre o seu olhar atento e, como o estrado estava esgotado na altura da compra, a cama manteve-se semi-armada durante uma semana, numa espécie de processo de mentalização e, durante esse tempo, foi frequente observar a Nônô deitada no chão, rodeada pela estrutura da cama, como se estivesse a imaginar como seria a sua vidinha dali para a frente.
A noite que antecedeu o regresso às aulas foi a escolhida para a mudança e antevia-se maravilhosa...a Nônô adormeceu na cama nova, ansiosa por voltar à escola no dia seguinte e eu considerei que tudo era propício a mais uma alteração e, assim, resolvi substituir-lhe a velhíssima chucha por outra igual mas num estado de conservação consideravelmente melhor...ASNEIRA!!! Coloquei a chucha roxa num quadro onde estão todas as suas chuchas, deixei-lhe outra à disposição para qualquer eventualidade e um presente sobre a cama com um bilhete em nome do Anjo da Guarda e fui-me deitar com o pensamento "isto só pode correr bem!"...e correu até às duas da manhã, altura em que a criança acordou, apercebeu-se que a chucha não era a idolatrada e resolveu começar a chamar-me, a implorar pela chucha roxa e a dizer que queria ir para o meu quarto...e eu lá fui dizendo que o Anjo da Guarda até tinha deixado um presente para assinalar o momento, mas nada a demovia e, de madrugada, lá tive de desmontar o quadro com a sua colecção de chuchas, resgatar a chucha velha e colocar a Nônô na cama de grades e tentar que dormisse e me deixasse dormir...
Na noite seguinte, pensei: "vamos por partes, fica lá com a chucha velha mais um tempo, mas vais dormir à mesma no teu quarto, porque uma vez tomada uma decisão, não se pode voltar atrás!"... assim foi e, embora o processo não tenha sido tão rápido como eu esperava nem tão pacífico como eu desejaria, CONSEGUIMOS!!!
Gradualmente foi acordando cada vez mais tarde mas, mesmo assim, durante o último mês obrigou-me a levantar-me, no mínimo, uma vez por noite e, quando era abordada sobre o assunto, tinha uma desculpa pronta...ou era porque não tinha uma luz de presença (tinha várias, mas enfim!), ou era porque estava adoentada (não estava mas simulava!) ou era porque queria um candeeiro novo a imitar uma bola de espelhos muito 80`s (que viu numa loja e nunca mais se esqueceu!) e, sempre que eu tentava explicar-lhe todas as razões que estavam na base da necessidade da mudança, limitava-se a dizer uma frase que me soava tão familiar "não quero mais conversas sobre este assunto! "...
Depois começou a dizer que queria um peixe para lhe fazer companhia e foi aí que fizemos um acordo...a primeira vez que dormisse uma noite in-tei-ri-nha no seu quarto, teria o desejado peixe!
Ainda vacilei porque não acho a mais pequena graça a peixes, cuja mortalidade é elevada e, ao mais pequeno descuido, "quinam" empanturrados ou à fome ou de causas naturais, para além da minha experiência com estes seres, ser para lá de traumatizante e só me vinha à memória um dos gatos que tive pendurado no aquário a tentar assassinar um dos peixes que me ofereceram (o que acabou por acontecer"!) e pior, lembro-me do meu irmão mais velho (que na altura julgava-se piscicultor) quase ter ficado electrocutado e agarrado a um aquário...portanto, de peixes só queria mesmo distância, excepção feita ao belo do robalo grelhado e escalado!
Mas a verdade é que já estava por tudo e, assim, não quebrei o pacto e a chegada do novo membro à família foi preparada ao pormenor...o aquário foi cedido pelo tio Zé (que tem um arsenal invejável para qualquer apreciador destas espécies) e fomos à praia apanhar pedrinhas e mais conchinhas para recriar um habitat condigno e ainda juntámos mais uns peixes de plástico para que o original se sentisse acompanhado e, como o prometido é devido, a primeira vez que a Nônô dormiu a noite inteira na sua cama, lá fomos nós à procura do Nemo, da Dory, ou melhor, do Coraçãozinho que foi o nome escolhido pela Nônô para o (in)feliz contemplado desta pequena mas GRANDE vitória!...


Ana Pádua
30/09/2016
Nônô e Coraçãozinho
o presente do Anjo da Guarda...

...e a respectiva mensagem 

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sexta-feira, 29 de julho de 2016

Até já escola, vamos ter saudades tuas!!!

A Nônô está oficialmente de férias e hoje foi o seu último dia de escola, a escola que adora, da qual diz frequentemente ter saudades e para a qual está sempre disposta a ir e isto é, sem sombra de dúvida, o melhor indicador de que a opção no que toca ao estabelecimento de ensino foi a mais correcta. Foi a escola escolhida, a escola que sonhei que a Nônô frequentasse, a escola que mais parece uma família numerosa, a escola que faz questão de integrar a diferença, respeitando a individualidade de cada indivíduo e cujo método de ensino é baseado no Movimento Escola Moderna (MEM). O modelo pedagógico assenta na formação e socialização democrática (não anárquica), onde há um horário e uma estrutura mas, dentro dela, há liberdade para se ir construindo o conhecimento. As crianças são incentivadas na aprendizagem através do diálogo, da pesquisa, da descoberta e da interpelação, tendo uma atitude mais activa na procura do saber para que se tornem mais interventivas e aprendam a questionar; aprendem também a trabalhar a criatividade e a auto-estima, o espírito crítico e a cidadania, a liberdade e a responsabilidade. Nesta espécie de "pedagogia do amor", mais do que o sucesso, trabalha-se o afecto porque acredita-se que preparar crianças para a vida com o objectivo de serem bem sucedidas, não é só prepara-las tecnicamente, mas ensina-las a serem felizes e realizadas.
Constou-me que a Nônô tem um certo jeito para as artes e decerto não herdou a minha veia artística que quase me impede de fazer duas linhas rectas equidistantes, mas como actualmente o seu programa televisivo favorito é o Art Attack e, apesar de eu já não suportar ouvir a voz do Salvador e mais do Vicente Van Coco, a verdade é que já aprendi a fazer qualquer coisita de trabalhos manuais...
Na memória ficará a primeira letra que a Nônô escreveu e que orgulhosamente mostrou...por sinal um "A" e disse logo que era um "A" de "ANA", de" AMOR" e de "AMIGO" e na ardósia do seu quarto continua a frase "Eu gosto muito da Nônô" que há uns meses eu escrevi e que, para meu espanto, a Nônô soletrou palavra por palavra enquanto as apontava com um ponteiro, o que me deixou incrédula, radiante de felicidade e com vontade de espalhar a notícia ao mundo...contive-me mas, mesmo assim, fiz uns telefonemas, enviei alguns sms e mais uns tantos WhatsApps. Obviamente que ainda não sabe ler, mas identifica muitas palavras e então quando se referem a algo que particularmente goste, como é o caso de supermercados, McDonald´s, coca-cola e afins, parece mesmo letrada!
Foi um ano de transição que, embora já seja considerado pré-escolar, foi sem dúvida a ponte segura para os tempos que se avizinham...no próximo ano lectivo, a turma da Nônô vai ser dividida e ambas as partes irão integrar salas heterogéneas, onde conviverão com crianças de 4, 5 e 6 anos e será assim nos próximos dois anos até ingressar no 1º ciclo. A Nônô deve apreciar a experiência porque adora crianças mais velhas e eu estou expectante para ver a sua reacção e adaptação...claro que teremos saudades dos colegas que ficarão na outra sala e que desde o início do percurso escolar da Nônô também fizeram parte da nossa vida e continuarão a fazer porque estarão por perto, mesmo na sala ao lado e continuarão a conviver, a brincar e a crescer juntos; quanto aos restantes colegas, seguirão ainda mais próximos da Nônô e, para seu regozijo, um deles é o seu ombro amigo desde o 1º dia de escola, o companheiro de todas as horas, o menino que a recebe todos os dias com um abraço apertado e um beijo ternurento e ultimamente até lhe ia buscar o chapéu para a proteger do sol (só faltava mesmo oferecer-lhe flores!) e, assim que eu me despedia da Nônô, ele encarregava-se de acarinha-la como se lhe dissesse "estou aqui para ti!", porque quem ama cuida, protege e transmite segurança.
Mas vamos ter saudades da Puri, a educadora que todas as crianças deveriam conhecer e pelo colo de quem já passaram inúmeros meninos e, apesar de muitos deles já serem adultos, continuam a visita-la e a falar dela com o mesmo carinho com que a Nônô fala e também vamos ter muitas saudades da simpatia e doçura da Carla que deve ser a única pessoa que consegue fazer com que a Nônô coma a sopa sem pestanejar ...
Por agora a Nônô está de férias (em breve estaremos!) e tudo o que ansiamos é goza-las da melhor maneira possível e isso obrigatoriamente tem de englobar sol, areia e água!
Até já escola, vamos ter saudades tuas!!!

Ana Pádua
29/07/2016
  
"A ortografia é uma coisa mínima, ridícula, em relação à escrita. É a escrita, como discurso crítico, que pode mudar as pessoas e o mundo"  
Sérgio Niza, fundador do Movimento Escola Moderna 


oficialmente de férias...

domingo, 26 de junho de 2016

1, 2, 3 e...4!

Hoje, aqui por casa, é o dia mais importante do ano e é assim de há 4 anos para cá! É dia de festejarmos o aniversário da Nônô para quem a vida é uma festa constante e ansiosamente esperava por esta data...
Tem uma pressa de crescer assustadora e quando lhe perguntamos o porquê de querer crescer, responde sempre que é para ter um bebé...a primeira vez que ouvi isto até deitei as minhas mãos à cabeça porque é uma daquelas respostas que assusta qualquer um, principalmente quando temos a certeza que em casa NUNCA ouviu algo semelhante. Eu digo-lhe sempre que os bebés são muuuiiiito chatos e dão muuuiiiito trabalho que é para dissuadi-la destas ideias precoces, mas depois de ouvir centenas de vezes a mesma resposta e de muito pensar de onde lhe surgiria esta ideia peregrina, lá me tranquilizei  porque penso que a história do bebé se prende só com a ideia de ter um ser mais novo em quem pudesse mandar e exercer um pouco do seu lado ditador até porque a Nõnô é ciumenta (muuiiiito!) de tudo o que seja criança e, só a título de exemplo, eu estou proibida de chamar "querido" ao António que é filho da minha amiga Paula porque, segundo a Nônô, "querida" é ela e também já me disse que não quer que eu trate o miúdo por Antoninho pois, aos seus ouvidos, deve soar a algo também carinhoso...e isto é só uma pequena amostragem da ciumeira porque, quanto à Madalena, que é filha de outra amiga, está sempre a ordenar à mãe da criança que a ponha na cama, justificando que a pequena deve estar com sono e quando se apercebe que vamos sair com a tia Tacha e com a sua filha, sugere que a bebé fique em casa à guarda da Maggie que é o cão da família...enfim, para cada "problema", a Nônô encarrega-se de encontrar uma solução à altura do acontecimento e o seu poder de argumentação chega a ser desconcertante!
As suas amigas do peito têm uns bons anos a mais que ela e simplesmente são idolatradas pela Nônô porque lhe dedicam toda a atenção; quis o destino que todas nascessem no mesmo dia e, portanto, hoje a Nônô soprará 4 velas, a Caetana 9 e a Carolina 16 e eu espero que sejam todas muito felizes e que a sua amizade perdure no tempo tal como a que me une às famílias que hoje também estão em festa.
Mas o ente querido da Nônõ é, sem sombra de dúvidas, o tio João, que já teve o cognome de super-tio mas a quem ultimamente decidimos tratar por "tiozinho" (ciumeira,claro!) porque, quando o meu irmão chega, pára tudo e, quando digo tudo, é mesmo t-u-d-o!...e é tudo para dar ao tio, tudo para mostrar ao tio, tudo para fazer com o tio, tudo para dizer ao tio e tudo para brincar com o tio...e o resto da família que se dane!
É teimosa, muito teimosa, aliás em termos de teimosia bate-me aos pontos (o que não é nada fácil!) e palpita-me que vai dar muito trabalho, mais do que a prima Pipa deu, ainda dá e todos desejamos que brevemente deixe de dar!
Gosta muito da natureza e de todos os animais e ultimamente lembrou-se de pedir um cão (que vai ter de esperar!) e convictamente diz-se veterinária (que também vai ter de ser trabalhado para inversão ideológica).
É fascinada pelos bombeiros e adora médicos...seguramente que quando crescer vai fazer parte daquele grupo de pessoas cujo hobby é "checar-se" da cabeça aos pés e, quando o processo termina, começa a fazer exames dos pés à cabeça...adora o pediatra (a quem chama o médico dos livros :-)), simpatiza com a oftalmologista (que trata por doutora brinquedos) e até as enfermeiras do centro de saúde já lhe caíram na graça e, como o seu comportamento é invariavelmente exemplar, recebe sempre os mais rasgados elogios, o que a enche de orgulho e contribui para que frequentemente me peça para lhe marcar consultas para os olhos, para os ouvidos, para as alergias e para mais tudo o que se lembre no momento. As batas brancas nunca a intimidaram e uma das últimas frases que ouviu dum médico foi "haja alguém que goste de nós!"...
É tagarela e expõe as suas ideias de um modo que envergonharia qualquer Jorge Jesus, "rouba-me" imensas expressões e já se apercebeu que o meu discurso é frequentemente pautado por tópicos (tipo ponto nº 1: vais lavar os dentes, ponto nº 2: vais vestir o pijama e ponto nº 3: vais para a cama), pelo que, no outro dia, a caminho de casa, disse-me "Mãe, ponto nº 1: a camisa do António já não me serve, ponto nº 2: este gancho não me segura o cabelo e ponto nº 3: preciso ir ao CascaiShopping" e eu pensei "Meu Deus, a criança está a falar como eu...PERIGO!!!"
E é assim a Nônô nos seus 4 anos, a filha que já se apercebeu que lhe acho a maior das graças e que sou de riso fácil, portanto, quando faz disparates e o caso não é para brincadeiras, ela olha para a minha cara séria e diz "ri-te, ri-te, ri-te mãe, por favor!"
Parabéns minha querida (é assim que gostas de ser tratada!) e que continues a rir e a fazer-nos rir por muitos anos porque a vida tem de ser mesmo uma festa!...

Ana Pádua
26/06/2016

4 anos...


...e a vida é uma festa!

quarta-feira, 8 de junho de 2016

O anjo da guarda...

A imaginação das crianças não tem limites e, de vez em quando, a dos adultos também não!
No meu caso particular, já perdi a conta às vezes que tive de dar boleia ao Panda e partilhar a minha vida com os Caricas, que é o mesmo que dizer dar banho à Clarinha, o jantar à Pipa, um raspanete ao Matias ou um berro ao Pedro e tudo porque a Nônô insiste em trazer para dentro de casa estas "adoráveis" criaturas...a avó Nhõnhõ não gosta nada deste tipo de ficção e já fez saber que o Panda e os Caricas não entram em sua casa (que até tem sempre as portas abertas a todas as pessoas!) e tivemos de respeitar a decisão.
Com quase 4 anos, é natural que a criança ainda tenha alguma dificuldade em separar a realidade da fantasia, bem como perceber e aceitar algumas rotinas; por exemplo, para a Nônô sempre foi complicado compreender o facto de adormecer na minha cama (sim, sim, não é o mais correcto mas é o que se arranja!) e acordar na dela e, de algum tempo a esta parte, começou a questionar-me sobre este assunto e outros tantos...
Tive a consciência que se lhe dissesse a verdade, verdadinha, iria cair-me em cima e, caso atribuísse responsabilidades aos seus amigos imaginários, encomendar-lhes-ia um sermão com missa cantada, por isso, encontrei no anjo da guarda o meu melhor aliado, até porque não há ninguém melhor para zelar pela sua segurança e bem estar e, deste modo, quando a Nônô adormece, o "anjinho" coloca-a na sua própria cama, tapa-a, aconchega-a e da-lhe um beijinho enquanto lhe deseja uma noite descansada.
Mas o anjo da guarda também é guloso e, pela surdina da noite, depois de desempenhar todas as funções que lhe estão atribuídas e o trabalhinho ser dado como concluído, não resiste ao pecado da gula e ataca as guloseimas da Nônô...o pior é quando o dia nasce e há invólucros de chocolate espalhados pelo sofá e embalagens de gelados vazias na cozinha e mais pacotes de bolacha em cima da mesa mas, mesmo perante este cenário devastador, a criança aprendeu a não resmungar ou questionar a protecção divina...
Claro que já me disse várias vezes que nunca o viu, que gostava de conhecê-lo (o nome dele julgo ser Gabriel no catolicismo ou Haaiah quando a "coisa" puxa para o esoterismo!) e até já disse à avó Nhõnhõ que o anjo da guarda comeu muitos dos seus ovos da Páscoa, que adora os mesmos gelados que ela e devora alguns chocolates que estão lá por casa mas, como ao "anjinho" tudo é permitido, o "crime" passa impune...até porque a Nônô sabe que ele é seu amigo e está sempre disposto a cuidar dela, a elogia-la pelos seus feitos e conquistas, a ajuda-la a progredir, bem como a presenteá-la quando o seu comportamento é exemplar. E assim, foi com orgulho e satisfação que, no dia 20/05, as fraldas nocturnas passaram também a fazer  parte do passado e a Nônô encarregou-se de espalhar ao mundo que o anjo da guarda  tinha deixado uma nota na minha carteira para comprarmos um presente porque já não fazia xixi na fralda e lá fomos em busca de uma lembrança para assinalar a data...
Brincadeira à parte, espero que a Nônô tenha sempre no céu um anjo da guarda para proteger e iluminar a sua vida, mas é tão bom termos um "anjinho" na terra personificado na figura do pai ou da mãe!...

Ana Pádua
08/06/2016 

a "anjinha", o quadro...


...e a oração

quinta-feira, 21 de abril de 2016

A festa surpresa

Se há coisa que a Nônô adora é festa! Seja qual for a natureza da festividade, temos sempre de celebrar a vida e, por isso, havendo um bolo, não podem faltar as velas e, claro, os "Parabéns a você". Nos últimos 3 anos devo ter cantado mais vezes a referida canção do que em todos os outros anos da minha existência e, mesmo que seja Natal ou Páscoa, temos que nos lembrar de alguém que tenha celebrado o seu aniversário para que lá venha a bendita melodia que às vezes é cantada duas e três vezes, com a agravante de nunca acabar na célebre frase "...uma salva de palmas!", pois, para a Nônô, a música tem de ser completada com mais duas estrofes que aprendeu na escola e que até há bem pouco tempo não faziam parte da minha cultura musical...
No passado dia 12, a avó Nhõnhõ completou mais um ano de vida (83!) e, como tem sempre o sonho de reunir a família, decidi organizar uma festa surpresa no último Domingo, tudo feito no máximo sigilo e em contra-relógio, mas acima de tudo com muito amor...convidei a família e só pedi a tudo o que fosse irmão, cunhada, sobrinho ou afilhada que, ao felicitar a avó no dia do seu aniversário e, caso fossem convocados para uma reunião familiar, tratassem de arranjar uma desculpa convincente (tipo estaremos em Marte, Júpiter ou Plutão) e comparecessem em minha casa no dia combinado e à hora marcada...claro que imaginação não faltou à família e o "óscar" da melhor razão usada como pretexto para se esquivar ao evento foi atribuído ao meu irmão mais velho, pela criatividade revelada ao dizer que a sua impossibilidade de estar presente se devia a uma exposição canina onde levaria o Moki, o seu cão que, além de ser do mais irrequieto que se possa imaginar (o que aliado à falta de paciência do dono é a combinação mais que perfeita para uma dupla desta natureza), também deve ultrapassar todo o estalão permitido à raça, o que a juntar ao facto de eu já lhe ter retirado umas "peças" fundamentais à procriação, inviabilizaria a admissão a qualquer concurso do género...
Pedi-lhes também que respeitassem o "dress code" (uma camisa branca e umas calças de ganga) com o objectivo de realizarmos uma mini sessão fotográfica, não daquelas de estúdio com tudo muito imaculado, engomado e penteado, mas onde sobressaíssse a aniversariante e, assim, a avó Nhõnhõ foi mesmo surpreendida pela família (quase completa!) trajada a rigor, mas como pensava que iria comigo a uma exposição de pintura e, temendo ingerir pouco mais que um croquete, já vinha almoçada...
Foi um Domingo diferente, onde até os pequenos imprevistos tiveram a sua graça e ficarão na nossa memória e, como o que realmente importa é celebrar a vida, lá veio o bolo, as velas e a versão completa dos "PARABÉNS", cuja última estrofe foi cantada a solo pela Nônô que considera que a música lhe é sempre dedicada!...

Parabéns a você, nesta data querida
Muitas felicidades, muitos anos de vida!
Hoje é dia de festa,
Cantam as nossa almas
Para a menina avó Nhõnhõ
Uma salva de palmas!

Tenha tudo de bom,
O que a vida contém
Tenha muita saúde
E amigos também!

Obrigado amigos,
Do fundo do coração
Por me terem cantado
Esta linda canção!

Ana Pádua
21/04/2016

as "aniversariantes"
a Nônô a cantar...

...e o bolo

a "happy family" e a fotografia possível

quarta-feira, 23 de março de 2016

A árvore das chuchas

Eu gosto que a Nônô goste de usar chucha!...Foi o primeiro objecto que eu percebi que a Nônô identificava na perfeição e foi também o primeiro objecto a ter direito a um nome "didi" e, embora de algum tempo a esta parte, a Nônô use a chucha apenas para dormir, não acho justo retirar-lhe abruptamente aquilo que um dia lhe ofereci para sua segurança...
Um dia li um artigo sobre a correlação directa entre o uso de chucha e a acentuada diminuição dos casos de morte súbita em bebés e, a partir daí, eu que já era uma acérrima defensora da chucha, passei a ser obstinada pelo uso da mesma. A Nônô já não é bebé e os meus receios passaram a ser outros, mas a verdade é que ainda hoje não me deito sem me certificar que está tudo bem com a criança e isso implica ver se está numa boa posição, confortável, tapada, com uma respiração normal e obviamente se está com a chucha e, caso não esteja com a "didi", passa a estar! Gosto particularmente de, no silêncio da noite, ouvir o som proveniente da sucção da chucha que, para além de familiar, tem para mim um efeito terapêutico.
Na escola, a Nônô já não usa chucha na hora da sesta, não porque a tenham obrigado a abdicar da sua "didi", mas porque mentalizam as criancinhas que já são crescidinhas (que é tudo o que elas mais querem nesta idade!) e ninguém quer fazer má figura em frente aos colegas.
Como se isto não bastasse, há uns tempos a Nônô ouviu uma conversa entre a avó Nhõnhõ e uma das minhas sobrinhas sobre o efeito da chucha na dentição e começou a dizer-me que não queria mais usar chucha porque ia ficar com os dentes para fora e, embora eu me tenha apressado a dizer que a avó estava a brincar, não a convenci porque ela insiste em dizer-me que a avó estava a falar a sério...
Agora é frequente a Nônô dizer que quer dormir sem chucha, ora porque já é crescida, ora porque não quer ficar com os dentes para fora, e eu estou a ver o caso mal parado porque antevejo que o pesadelo das noites mal dormidas vai recomeçar...a muito custo e até ver, lá tenho conseguido desmontar o quadro, mas penso que não será por muito tempo porque a chucha roxa (que é a preferida da Nônô) está prestes a romper-se...tem outra exactamente igual mas de cor rosa (faziam as duas parte do mesmo pack), mas obviamente que a rosa, que sempre esteve em casa da avó Nhõnhõ, tem menos uso e para a criança faz toda a diferença.
Eu acredito que é tudo uma questão genética e que o uso da chucha nada interfere com o peso dos genes, até porque com tantos cães prognatas e braquignatas que já vi na minha vida, não tenho memória de algum ter usado chucha até tarde...
Há uns dias fomos visitar uma quinta pedagógica, onde para além de toda a bicharada que é suposto existir num espaço destes, demos com uma árvore especial - a árvore das chuchas - uma oliveira onde as crianças podem pendurar as respectivas chuchas, selando assim o compromisso de deixar de usa-las e fez-me lembrar a famosa ponte dos cadeados em Paris, onde os namorados selam eternamente o seu amor...
A Nônô adorou a árvore repleta de "frutos" de todas as cores e deve ter sido mesmo das coisas que mais gostou de ver na sua vida...passou mais de 45 minutos a contempla-la, completamente fascinada e contagiou-nos com a sua alegria ao ver tantas chuchas, muitas delas iguais às que já usou e outras tantas iguais à que ainda usa e, nem os cavalos, as ovelhas, as vacas ou os burros a demoviam daquele cantinho encantado.
Eu tirei da mala a sua chucha e a fralda e perguntei-lhe se queria pendurar na árvore a "didi" e a Nônô colocou a chucha na boca, agarrou-se à fralda e, sem hesitar, disse-me que era melhor ficar para outro dia...achei uma óptima decisão porque eu também não conseguiria "abandonar" ali a "didi" e, caso a Nônô tivesse decidido pendura-la, eu iria repesca-la e coloca-la-ia na nossa própria "árvore das chuchas" que é um quadro onde estão religiosamente guardadas todas as chuchas que coleccionámos ao longo dos últimos 3 (quase 4!) anos.
A Nônô ficou deslumbrada com a árvore mas não se entusiasmou muito com aquela espécie de ritual de passagem e, além de não ter pendurado e deixado a sua chucha de vez, se não estivéssemos atentos, ainda vinha de lá com mais duas ou três!...

Ana Pádua
23/03/2016 

Nônô e "didi"

felicidade é...

...encontrar uma chucha igual



a original árvore das chuchas

a nossa "árvore das chuchas"

quarta-feira, 16 de março de 2016

A 1ª Dama

No passado sábado, o Presidente da República decidiu abrir as portas do Palácio Nacional de Belém para que a sua residência oficial pudesse ser visitada...não tinha conhecimento, não tinha ouvido notícias nesse dia, mas fui surpreendida por um telefonema da avó Nhõnhõ que sabia que andávamos ali por perto e sugeriu-nos um programa diferente do habitual. Olhei para a Nônô que, qual patriota em dia de Portugal, enveredava as cores nacionais e pensei "não há coincidências", pelo que rumámos até ao Palácio de Belém.
Assim que chegámos, assistimos ao render da guarda que deixou a Nônô extasiada e já só queria seguir-lhe o passo e o compasso e correr pela rampa de acesso à sede da presidência, mas teve de manter-se estoicamente numa longa fila de espera...
Quando finalmente conseguimos entrar, a Nônô quis explorar o vasto e lindo jardim, com todos os seus cantos, recantos e encantos e, acima de tudo, insistia em ver os animais que a avó lhe tinha garantido que lá habitavam...para além dum pato e de meia dúzia de peixes num lago, não conseguimos avistar mais nada, embora nos tenha constado que existe muito mais bicharada que, devido à afluência de visitantes naquele dia, se refugiou num jardim contíguo ao do palácio.
Contemplámos a bandeira hasteada, ouvimos o hino e estávamos longe de imaginar que iríamos ver o maior símbolo nacional...o Presidente da República! É um orgulho termos um conterrâneo à frente do destino da nação e, como dificilmente o voltaremos a ver nos nossos passeios pelo paredão ou nas nossas idas à praia, decidi registar o momento e pedi ao Pedro que segurasse a Nônô para a fotografia, mas o "papá" resolveu dar a criança a beijar ao Marcelo, como se estivesse a pedir a benção ao Papa Francisco, enfim...
Com o tempo passado no jardim e dispensado ao Presidente, distraímo-nos com as horas e quando decidimos visitar a casa propriamente dita, as portas tinham acabado de encerrar e a decepção apoderou-se de nós, principalmente da Nônô que até então se comportara como uma verdadeira 1ª Dama e, naquele momento, mais parecia uma esganiçada militante do BE que batia com o pé no chão e gritava "EU QUERO VER A CASA DO PRESIDENTE! EU QUERO VER A CASA DO PRESIDENTE!", o que fez com que os seguranças ficasse boquiabertos e perdidos de riso e a criança só se acalmou quando uma das funcionárias do palácio lhe disse "Nônô, eu trabalho aqui há muito tempo e nunca recebi um beijo do Presidente!", o que juntamente com a promessa de voltarmos em breve, fez com que os ânimos serenassem...
Só nos resta desejar que o mandato do Presidente da República seja pleno de felicidade e que o Santo António que recebeu no dia da tomada de posse o proteja sempre...
BOA SORTE PRESIDENTE!!!

Ana Pádua
16/03/2016

 a 1ª Dama

a chegada ao Palácio de Belém

à porta da casa do Presidente

a passagem de Marcelo...

...e a Nônô a tentar vê-lo

o Presidente