segunda-feira, 26 de junho de 2017

Happy Birthday and...GIVE ME FIVE!

Hoje, a Nônô festeja o seu 5º aniversário e, finalmente, pode mostrar com orgulho a sua mão cheia de tudo!
Uma mão cheia de anos vividos, com muitas histórias para contar e é tão bom sabermos que na sua memória ficaram gravados momentos felizes que adora recordar...
Uma mão cheia de sonhos que desejamos que comandem sempre a sua vida...
Uma mão cheia de risos e sorrisos que fazem acreditar que a sua vida é uma festa...
Uma mão cheia de teimosia, prepotência e autoritarismo, com os quais às vezes não é nada fácil lidar, mas confesso em parte aceitar, talvez por me identificar...
Uma mão cheia de pessoas que estima e que adora presentear com peças do seu tesouro, tesouro esse que me "palmou" e que não é mais do que uma caixa de clips em forma de cão, mas posso garantir que quem recebe um desses clips é porque tem mesmo um lugar mais do que especial no seu coração...
Uma mão cheia de ciúmes que a faz não suportar ouvir-me dizer que alguma criancinha é querida ou amorosa porque, segundo a Nônô, querida e amorosa é ela!...
Uma mão cheia de imaginário, apesar do Pai Natal e do coelho da Páscoa já terem sido desmascarados, um porque vinha com a barba presa com um elástico atrás das orelhas e o outro porque a Nônô garante que ninguém tem pêlos azuis a sair do corpo (ainda não conhece a Wanda Stuart!) e só resta mesmo a sua fé inabalável no Anjo da Guarda que a Nônô assegura já ter avistado no céu e que, cá por casa tem uma dupla função, ora presenteando a Nônô pelo seu bom comportamento, ora tendo as costas largas e sendo responsabilizado por tudo o que não é do seu agrado mas, por incúria minha, no outro dia, esta santa entidade a quem sempre recorro em desespero de causa ia tomando o mesmo rumo que o velho das barbas brancas e o roedor do cesto dos ovos e tudo porque sugeri à Nônô que fosse para a cama pelo seu próprio pé porque eu estava com uma valente dor na coluna, ao que a criança me disse que era sempre o Anjo da Guarda que a transportava (justamente a minha desculpa para justificar o facto dela adormecer num local e acordar noutro), pelo que só me ocorreu dizer-lhe que nesse dia Ele estava de "folga" e a história foi convincente até à manhã seguinte quando a Nônô se deparou com um invólucro vazio dum kinder joy (no qual sou viciada) e que é assim uma espécie de dois brigadeiros imersos num doce de leite e chocolate e que deve ter tanto de delicioso como de calórico e, claro que antes de se iniciar um interrogatório ao estilo da PJ, antecipei-me a dizer que só podia ter sido o Anjo da Guarda e obtive a pergunta: "Ele não estava de folga???"...e assim, os mitos e crenças construídos com tanto amor vão-se desmoronando um por um...
Uma mão cheia de autonomia, que no último ano se tornou ainda mais evidente e que dá um certo jeito, principalmente quando estamos em contra-relógio e a criança toma a iniciativa de se aperaltar para ir para a escola...
Uma mão cheia de letras, com as quais adora escrever palavras, nomeadamente os nomes dos colegas da escola e os remetentes e destinatários dos envelopes das cartas que anseia por conseguir escrever e, quando eu quero ajudar nalguma letra que julgo ser mais difícil, a resposta é peremptória "eu sei perfeitamente que letra é essa!"...
Uma mão cheia de destreza para o comando da televisão que, sem eu dar conta, não quer nada com o canal Panda e com o Disney Junior, passando a ser frequentemente premido num canal com um nome que eu nem consigo pronunciar, só mesmo escrever e, mesmo assim, com alguma dificuldade, e que deve ser das piores coisinhas que tenho visto em matéria televisiva e onde passam umas séries com nomes sugestivos tipo Henry Danger e The Thundermans...
Uma mão cheia de conquistas e vitórias que este ano teve o seu apogeu com o abandono da inseparável chucha e com a mudança definitiva para o seu quarto, sem dramas ou pressões e respeitando sempre o seu tempo e a sua vontade...
Esperamos que ao longo da sua vida tenha muitos "fives" para dar e que, cada um deles, represente uma vitória, mas hoje o famoso "give me five" é nosso e, mais do que nunca, faz todo o sentido, por isso, HAPPY BIRTHDAY and...GIVE ME FIVE!

Ana Pádua
26/06/2017

Parabéns e...

...give me five!

quinta-feira, 27 de abril de 2017

My little pony

O Coffee é um pónei pertencente a um centro hípico que está integrado num clube que a Nônô gosta particularmente de frequentar, não só porque tem um espaço amplo e agradável para variadas brincadeiras, mas também porque as pessoas são todas muito simpáticas e amáveis, por isso, a cada vista, faz novos amigos de todas as idades e, dar mimo e comida aos cavalos, passou a ser o seu hobby favorito.
O problema começou no dia em que a Nônô resolveu dizer que queria experimentar andar em cima dum cavalo...eu estremeci, até porque quando lhe sugeri que montasse o pónei, ela disse peremptoriamente "NÃO" e o que queria mesmo era um cavalo dos grandes! Enquanto eu tentava a negociação possível, acercou-se de nós um tratador e, sem que ninguém lhe perguntasse nada, começou logo a dizer "se a criança quer experimentar um cavalo dos grandes, porque é que insiste que ela monte um pónei?!..." e, tralalitralala lá ia expressando a sua opinião e eu só pensei "por qué no te callas???"...
A minha experiência com cavalos não é de todo a melhor...eu até gostava bastante de equitação; à data montava num emblemático picadeiro aqui da terra com vista para o cemitério da Guia (o que por si só já era um óptimo presságio), até ao dia em que, na sequência duma queda onde rigorosamente nada me aconteceu, ergui-me, comecei a correr atrás do cavalo que assustado se dirigia para a estrada e levei um valente coice que me deixou estatelada no meio do chão e sem grandes recordações do que aconteceu a seguir...só sei que fiquei com a marca da ferradura no meu corpo por um tempo considerável e, não fosse ter sido atingida num dos ossos mais duros do corpo humano (que é como quem diz o esterno) e não estaria aqui para contar a história. Não fiquei traumatizada mas, a partir desse dia, para mim, os cavalos deixaram de ter o encanto que tinham até então. Posteriormente, um amigo ainda me convenceu a dar um passeio a cavalo pela serra, mas como ele gostava de se exibir, às tantas eu já só via os cavalos a galopar por entre as árvores e a vegetação e eu ia mesmo ficando degolada num arbusto, o que também contribuiu para me afastar mais um pouco destas lides. Para finalizar em beleza a minha passagem pelo mundo equestre, há uns anos atrás, uma amiga desafiou-me para umas aulas de equitação com um professor que ambas conhecíamos, mas que considerava que tudo o que nos tinham ensinado até então estava errado e dizia-nos frequentemente que nós tínhamos imensos vícios e manias e mais parecíamos estar a montar no Faroeste...não é que nós nos considerássemos umas amazonas, mas não estávamos dispostas a (re)começar na "seca" do volteio, porque o que nós queríamos mesmo eram apostas, corridas, saltos e obstáculos!...assim, ficámos todos amigos como dantes, ele a "encantar" cavalos e nós a afagar o pêlo a cães e gatos, animais com quem sempre tivemos muito mais empatia.
Mas, às vezes, a vida troca-nos as voltas e a Nônô resolveu apaixonar-se por uma espécie que eu considero que tem tanto de imponente e bonito como de robusto e perigoso...não tive muitos acidentes, mas presenciei uns tantos e estive na eminência de assistir a muitos mais, por isso, digam o que disserem, a equitação é um desporto perigoso! Já me constou que existem uns coletes todos XPTO (ao estilo dos airbags dos carros) que, em caso de acidente, são accionados e, claro, lá se vai o colete mas preserva-se a caixa torácica que é o que realmente importa e isto sossegou-me um pouco. À parte disto, o coelho da Páscoa presenteou a Nônô com o famoso toque, o capacete com o qual sonhava, que a deixou radiante de felicidade e que oferece mais algumas garantias em caso de queda. 
Foram largos meses de namoro aos cavalos, muitas visitas, muitas festas dadas e muitos quilos de cenouras oferecidas, enquanto eu me esforçava por ensinar três regras básicas que hoje a Nônô repete religiosamente...ponto nº 1: dar sempre comida com a mão esticada; ponto nº 2: fazer festinhas ao longo do chanfro e ponto nº 3: nunca, mas NUNCA, correr ou colocar-se atrás dum cavalo.
E pronto, ontem foi O DIA! A Nônô realizou o seu sonho, ou melhor, parte dele, porque só tem idade, estatura e peso para montar um  pónei, mas apreciou tanto, mas tanto, a experiência! Quanto ao Coffee e, apesar de eu nunca ter encontrado nada no seu resenho que justificasse o nome, ficámos a saber que o mesmo advém do facto de ser "speedado", pelo que, muito mais é o que nos une (a todos!) do que aquilo que nos separa!...

Ana Pádua
27/04/2017

best friends
...muito mimo...
...muitas cenouras...
...e muita felicidade

my little equestrienne and the little pony
true love

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

My little "firefighter"

Para a Nônô, os bombeiros são verdadeiros heróis e, este Carnaval, teve direito a integrar a corporação cá da terra, o que para além dum orgulho, é uma justa homenagem a uma das profissões que mais admira.
Cada vez que avista um carro dos bombeiros ou uma ambulância, fica na maior das excitações, então se estiverem com as luzes de emergência ligadas e com as sirenes accionadas tanto melhor, para ela, claro, porque a mim todo aquele aparato me perturba um bocado. Também já se apercebeu que existem vários tipos de ambulâncias e, no outro dia, avistou uma carrinha pertencente a uma associação de apoio domiciliar de idosos (que se assemelha a um carro de transporte de doentes, mas que na realidade não é) e, mesmo após eu lhe ter explicado de que viatura se tratava, lá tive de ir em plena perseguição do referido veículo pelas ruas deste concelho, para que a Nônô se certificasse que não tinha deixado escapar um raro exemplar...
Durante algum tempo e numa tentativa de poupa-la aquilo que terá a vida toda para entender, ainda consegui mantê-la na ilusão de que a função dos bombeiros se resumia ao resgate de gatos dos telhados e das árvores e muitas das histórias para adormecer centravam-se neste belíssimo argumento. Nunca gostei muito de falar-lhe de incêndios nem tão pouco de outros acidentes mas, um belo dia, ao sairmos da escola, estava uma ambulância parada no meio da estrada e a Nônô perguntou-me o que faziam ali os bombeiros e eu só me ocorreu dizer-lhe que deviam ter ficado sem gasolina e obtive como resposta "também podem estar a ajudar alguém"...a partir daí, as funções dos bombeiros foram mais clarificadas e, se os soldados da paz já eram adorados, passaram a ser idolatrados pela Nônô, aliás todos aqueles que salvam vidas, incluindo os profissionais de saúde, têm um lugar mais do que especial no seu coração.
Há umas semanas, uma amiga fracturou um braço e nós fomos visita-la...a "tia" lesionada resolveu ligar a televisão num canal para crianças, numa tentativa de distrair a Nônô para podermos conversar à vontade, mas a Nônô virou-se de costas para a televisão e seguiu atentamente toda a descrição da aparatosa queda, das diferentes imobilizações que experimentou, da cirurgia com direito a placa e parafusos, das peripécias do pós-operatório e mais as visualizações dos RX que deixaram a Nônô "vidrada" num programa de Domingo que acabou por revelar-se interessantíssimo para ela que, ainda hoje, reproduz na íntegra toda a história que a minha amiga quer mais é esquecer!...
Enfim, é Carnaval e vamos brincar, mas decidimos que também vamos ajudar...um dia li numa entrevista ao Presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Cascais (alguém que, por sinal, muito estimo) que a melhor forma de ajudar os bombeiros, não é encher o quartel de mantimentos nas épocas mais críticas (até porque, quando é necessário, a protecção civil encarrega-se disso) mas tornar-mo-nos sócios da instituição, isso sim, é o melhor que podemos fazer por todos aqueles que tanto fazem por nós...e foi o que fizemos! 
UMA VEZ BOMBEIRO(A), SEMPRE BOMBEIRO(A)!...

Ana Pádua
24/02/2017

my little "firefighter"

ao comando...

...da corporação

a mais recente "aquisição" dos B.V.C.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

HAPPY END...

Contrariamente ao que acontece todos os anos, em que a seguir ao dia de Reis, o décor da quadra é todo empacotado à espera do próximo Natal, este ano, a falta de tempo aliada a muitos outros factores, fizeram com que a decoração natalícia se mantivesse até há dois dias atrás. Não acredito no destino mas, às vezes, nada acontece por acaso e tudo tem uma razão de ser e, este ano, estávamos longe de imaginar que a magia do Natal ainda não tinha acabado e que se iria prolongar por tanto tempo...
Quem me conhece bem, sabe que eu "papo" quase todo o tipo de passatempos que me aparecem pela frente e, apesar de não me considerar competitiva, gosto muito de concorrer e, acima de tudo, adoro vencer! Nunca ganhei viagens idílicas nem automóveis de sonho, mas já recebi prémios que me deixaram muito feliz e, depois, aquela sensação de receber o telefonema com a notícia é deliciosa e adoro partilhar com duas ou três pessoas (que são sempre as mesmas!) que vibram mais do que eu com estas histórias e depois passamos o resto do dia numa eufórica troca de mensagens, qual euromilhões nos tivesse saído! Gosto particularmente daqueles concursos em que uma pessoa tem de mostrar que merece vencer, já que aqueles sorteios aleatórios tipo random (que me parecem sempre viciados, mas que por acaso até já ganhei alguns) não me dizem grande coisa...isto tudo para dizer que, por altura do Natal passado, resolvi escrever uma carta ao Pai Natal enquadrada num passatempo dum shampoo da Garnier para crianças, em que os vencedores seriam contemplados com o pedido expresso na carta, caso o soubessem justificar convenientemente...foi o primeiro passatempo que fiz em conjunto com a Nônô e lembro-me perfeitamente do momento em que juntas redigimos a carta e, principalmente, o entusiasmo da Nôquando a colocou no correio com a convicção plena de que seria a eleita pelo Pai Natal...
O Natal passou, o velhote das barbas brancas já deve ter chegado à Lapónia e eu nunca mais me lembrei do referido concurso até que, a meio da semana passada, andava eu na minha vidinha quando recebi o famoso telefonema com a notícia de que a carta da Nônô tinha sido uma das seleccionadas para receber o pedido feito ao Pai Natal. Escusado será dizer que eu fiquei feliz e a Nônô ficou radiante!
No último Domingo, a manhã não começou da melhor maneira para a Nônô que acordou com uma virose, com vómito a toda a hora e eu, que já nem sabia bem para que lado me virar, sou surpreendida com o toque da campainha e mais um encapuzado (que vislumbrei pelo intercomunicador) a dizer que vinha da parte da Garnier e a pedir-nos para descermos para uma breve filmagem...eu lá lhe expliquei o que se estava a passar e ele disse-me que aguardava que a Nônô se recompusesse até porque o seu colega ainda se estava a equipar...a Nônô esperava com toda a legitimidade receber a visita do Pai Natal a quem escrevera a carta e a desilusão apoderou-se dela quando se deparou com alguém mascarado de maçã verde, numa clara alusão à composição do shampoo das criancinhas, a solicitar abraços, beijos e mais apertos de mão, a oferecer uma embalagem do produto ao qual fazia propaganda e, para piorar o cenário, a entregar-lhe vários presentes mas NÃO o que a Nônô tinha expressamente pedido na carta...eu nem me apercebi do lapso mas, quando chegámos a casa, a Nônô pediu-me para telefonar aos senhores da Garnier e dizer que, apesar de serem simpáticos, a entrega deveria ser feita pelo pai Natal e que ela tinha pedido o "Nenuco dorme contigo" que tem uma cama rosa e mais uma luz de presença e se acopla à cama das meninas e NÃO o "Nenuco bons sonhos" que acabara de receber...eu retive a informação, mas zarpei logo foi para o Hospital, um local que, por sinal, a Nônô aprecia bastante e incrivelmente acabou por revelar-se um programa mais interessante para a criança que a visita dos senhores da Garnier...desta vez ocorreu-lhe começar a pedir à médica das urgências para lhe requisitar um RX (que obviamente não necessitava) e a "xôtora" nem estava a acreditar no que ouvia e só me perguntou se a minha filha sabia do que se tratava. Eu respondi afirmativamente e ainda acrescentei que a Nônô integra aquele grupo de pessoas (umas idosas outras nem tanto) que vivem, ou melhor, viviam (que a "coisa" agora está mais controlada) a pedir requisições para exames complementares de diagnóstico, numa tentativa de darem cabo de vez do Sistema Nacional de Saúde...
...um Domingo diferente, mas com HAPPY END!


Ana Pádua
26/01/2017 

HAPPY
a carta ao Pai Natal...
...e o presente no sapatinho

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

...a magia do Natal quase se foi!

O Natal é tempo de união, de harmonia, de reunião e também de magia, tanto para os adultos que, salvo raras excepções, se deixam contagiar pela boa disposição, como para as crianças, cujo imaginário as deixa sonhar, mas este ano a magia do Natal quase se foi...
Eu tinha um vago pressentimento que a Nônô iria começar a questionar a existência do pai Natal, uma vez que, na escola que frequenta, convive na mesma sala com crianças mais velhas e eu sempre pensei que haveria um "espertinho" que iria desbocar-se e acabar com a magia da quadra, mas felizmente enganei-me! Na escola da Nônô, vivem com grande entusiasmo a chegada do pai Natal e conseguem a proeza de manter tudo em segredo e até mesmo acerca da festa de Natal não se consegue "arrancar" uma única palavra às criancinhas que mantêm tudo no maior dos secretismos e mesmo que alguém questione a existência do velhote de barbas brancas, disfarça bem...
Mas, este ano, a Nônô começou a ver o pai Natal em vários locais e, como um dos seus hobbies preferidos é assinalar as diferenças em desenhos, não foi difícil aperceber-se que existiam inúmeras discrepâncias entre os velhotes de barbas brancas e começou por dizer que o pai Natal do mercado era mais "fino" (sendo fino, neste contexto, magro) que o do Cascaishopping (que até tem umas estupendaças a acompanha-lo, mas que em nada se assemelham à figura da mãe Natal); afirmava também que o pai Natal que foi à escola tinha óculos escuros, ou seja, deve ser do mesmo "clube" do que vai a nossa casa, porque usa o mesmo complemento com o objectivo de não ser identificado e eu, que comecei por dizer que era sempre o mesmo, fui aconselhada pela minha mãe a dizer que existia um, por assim dizer o chefe dos pais Natal, e os outros eram os seus ajudantes porque o velhote não conseguiria chegar atempadamente a todas as casa na noite da consoada. A história "pegou", pelo menos até ver e, para dar alguma credibilidade a isto tudo, sempre que via um pai Natal, dirigia-me a ele e dizia-lhe para não se esquecer do pedido da Nônô e ainda lhe expressava o meu desejo acerca do presente que queria no meu próprio sapatinho e tenho mesmo a noção que alguns deles já nem me podiam ver nem ouvir...
A juntar à festa, deixei inadvertidamente um saco com presentes esquecido numa divisão do lar, doce lar e, numa bela manhã de Dezembro, comecei a ouvir os gritos efusivos da Nônô que me chamava para constatar a sorte que tínhamos porque o pai Natal já deixara alguns presentes lá em casa...eu saltei da banheira, enrolei-me numa toalha, corri para junto dela e a única coisa que me veio à cabeça foi dizer-lhe que eram os presentes de aniversário do tio João (que será só no próximo ano) e, para dissuadi-la de querer abri-los, fui adiantando que se tratava dumas garrafas de vinho e de mais uns apetrechos para abri-las, ou seja, dei cabo da reputação do meu irmão (que nem sequer bebe) e, como se não bastasse, da próximo vez que o tio João festejar mais um ano de vida, lá terá de levar com uma garrafita de qualquer coisa alcoólica para dar confiabilidade à história, uma vez que a Nônô regista tudo na sua memória...daí para a frente, sempre que a Nônô via algum embrulho, eu apressava-me a dizer que era um presente de aniversário, o que fez com que quase todos os nossos amigos e familiares passassem a ter nascido no último mês do ano!
Enfim, não tem sido nada fácil manter alguma da magia do Natal, mas como a fé da Nônô concentra-se mais na figura do anjo da guarda que habitualmente é quem a presenteia pelo seu bom comportamento, mesmo que o pai Natal, o coelho da Páscoa e a fada dos dentes desapareçam do seu imaginário, haverá sempre lugar para que a magia desta época se mantenha...
Um Santo Natal para todos e que a magia própria desta quadra se estenda a todos os dias do Ano Novo!

Ana Pádua
23/12/2016

Nônô e Pai Natal

sábado, 17 de dezembro de 2016

Bye Bye Didi, see you

O último trimestre de 2016 foi de grandes vitórias para a Nônô...passou a dormir no seu quarto, as fraldas nocturnas passaram de vez a fazer parte do passado e disse "bye bye" à adorada chucha...eu sempre pensei que a última conquista fosse a mais difícil, mas inacreditavelmente revelou-se, de todas, a mais pacífica. Na última consulta de pediatria e depois de contarmos ao médico os últimos feitos heróicos da Nônô, ele disse que é frequente estes triunfos sucederem-se em catadupa, porque as crianças tem necessidade de provar as suas capacidades e afirmar o seu crescimento e salientou que o mais importante é nunca força-las a nada...
Em Outubro, contra tudo e contra todos os que achavam que estava mais que na altura de tirar a chucha à Nônô, eu decidi que estava era mais que na altura de substituir a velhinha chucha (que se encontrava num estado lastimável e mais parecia estar a ser comida por roedores) por uma nova. A referida chucha datava de há 4 anos, pelo que encontrar outra igualzinha seria uma missão quase impossível, uma vez que as marcas reinventam-se a cada ano e fazem novas edições, com novos designs, novas cores e até novas formas, mas numa visita a uma farmácia, olhei para o expositor das chuchas e lá estava um pack (composto por duas chuchas de cores diferentes) igual ao que há 4 anos eu havia comprado para a Nônô...era único e mais parecia estar propositadamente à minha espera, pelo que foi logo "caçado", pago e levado com entusiasmo para casa, como se da última coca-cola do deserto se tratasse...
Nessa noite, sentei a Nônô ao colo e disse-lhe que íamos ter uma conversa; lá lhe fui explicando que a adorada "didi" estava em muito mau estado e que o anjo da guarda (que é a autoridade máxima em tudo lá por casa) tinha vindo busca-la e, com tanta sorte, tinha deixado outra igualzinha que agora eu segurava na minha mão...a Nônô olhou para a chucha, colocou-a na boca, retirou-a abruptamente e disse-me "mãe, não gosto deste sabor" e eu nem quis sequer imaginar ao que sabia a velha chucha! Bom, continuámos a nossa conversa e a Nônô acabou por aceder a experimentar a chucha nova, mas com os olhos rasos de água disse-me "eu gostava tanto de me ter despedido da chucha" e foi aí que eu vacilei e só me apeteceu ir buscar a chucha velha ao armário e acabar de vez com o drama...mas mantive-me firme, não cedi, confortei-a e prometi-lhe que iria pedir ao anjo da guarda que a colocasse no nosso quadro das chuchas para que ela se pudesse despedir. A mudança de chucha foi pacífica e, por isso, deixei passar uns dias e, quando a Nônô já nem perguntava pela chucha velha, ela apareceu no quadro das chuchas para grande alegria da Nônô que passou a contempla-la todas as noites antes de adormecer, enquanto a chucha nova começava a ganhar aquele gosto que eu nem consigo nem quero sequer imaginar o sabor!
Um dia e durante um ataque de mau génio, vulgo BIRRA, a Nônô atirou com a chucha nova para o chão e a mesma ficou separada em duas partes: de um lado a argola presa à inseparável fralda e, do outro, a parte plástica mais o latex e, se até então, o stress já era grande quando não sabíamos da chucha, passou a ser ainda maior porque a chucha, propriamente dita, passava a vida a soltar-se da argola e a meio da noite lá ia parar a um sítio incerto, até que no dia 22 de Novembro tudo mudou! Na noite anterior a Nônô adormeceu como habitualmente com a chucha e na manhã seguinte acordou sem ela...até aqui nada de especial até porque desde há muito tempo que a chucha servia mesmo só para o aconchego na hora de adormecer, a meio da noite perdia-se e de manhã era encontrada ou dentro a cama, ou debaixo da almofada ou mesmo no chão, mas nesse dia não, a Nônô acordou sem chucha e...nada dela! Revolvi a cama, vasculhei o chão, virei a casa do avesso e nada da chucha. Como era 3ª feira, chegou a casa a querida Carla, que me ajuda nas tarefas domésticas uma vez por semana e a quem eu contei o sucedido e rapidamente prontificou-se a ajudar-me...aliás eu disse-lhe mesmo que a prioridade naquela manhã era encontrar a chucha da Nônô e o trabalho doméstico que se danasse! 
Cheguei a casa para almoçar e nem sinal da chucha, fiz uma nova vistoria à casa e o mistério permanecia por desvendar e foi aí que eu comecei a ver a minha vidinha a andar para trás...fui buscar a Nônô à escola, contei-lhe que a chucha estava inexplicavelmente desaparecida e comecei logo a mentaliza-la para o pior dos cenários, dizendo sempre que só podia ter sido o anjo da guarda que a teria levado e que eu ia rezar para ele trazê-la de volta. Para meu espanto, a Nônô disse-me "mãe, o anjo da guarda não precisa de trazer a chucha, mas diz-lhe para fazer o favor de coloca-la no quadro ao pé das outras", que basicamente era tudo o que eu queria ouvir caso soubesse da chucha, mas o problema é que eu não sabia do seu paradeiro...e os dias foram passando e a chucha não aparecia e, todos os dias, a Nônô verificava se já estava junto da sua colecção e eu só pedia a todos os anjos e mais aos arcanjos para porem a chucha rapidamente no meu caminho para a história ter um ponto final, mesmo eu, que adoro reticências por significarem que nada acabou e que tudo pode acontecer, queria pôr um ponto final nesta história que alimentei, fomentei e incentivei durante 4 anos e tal...e o anjo da guarda ouviu-me e, num belo dia, enquanto eu arrumava uns pertences da Nônô atirados para dentro de um saco onde ela habitualmente guarda toda a espécie de tralha que não tem a mais pequena utilidade, lá estava a chucha, que rapidamente se juntou à sua colecção que, apesar de GRANDE, finalmente está completa!
Vitória, Vitória, acabou-se a história e vamos guarda-la para sempre na nossa memória.
 
Ana Pádua
19/12/2016

o GRANDE tesouro

every

"didi"




tells


a

story